2.0 é outra história.

Nas minhas lembranças mais remotas, estava o sonho de fazer 20 anos. Nunca consegui me imaginar mais velha do que isso e a ideia absurda de que essa idade já chegou as vezes me dá calafrios absurdos. O que já fiz da vida? O que não fiz e deveria ter feito? O que virá pela frente? Parece que agora o bicho está começando a pegar. E de maneira bem adversa àquela que a Mayra mirim cria, afinal estou bem longe de ter uma rede de televisão (longe até mesmo de considerar essa hipótese). Assim como não pretendo ter filhos tão cedo e muito menos estou casada e morando em uma casa muito legal. Essas coisas, no fim, só serviram como pano de fundo de boas brincadeiras de barbie (aquelas que, justamente, me fizeram chegar até aqui).

A realidade é bem diferente. Moro com meus pais, estou no terceiro ano da faculdade – decidindo o que fazer na tenebrosa monografia. Divirto-me vendo mil e uma séries, lendo vários livros e rindo com pessoas incríveis, que fazem os meus dias muito melhores. O mundo não é cor de rosa, ainda tenho que tomar remédios desagradáveis, ocorrem coisas estressantes, pessoas mudam e passam a me estressar, eu mudo e passo a estressar os outros, a dinâmica familiar passa a ser estressante em determinados aspectos, mas o rio continua a correr. As terapias semanais estão quase em dia, assim como as aulas de yoga, infelizmente em férias. O IRA está aumentando e a vontade de saber o que pode acontecer daqui para frente também.

Tentando pensar no que já fiz, concluí que já fiz muita coisa. Fui apresentadora de tv quando criança, assim como apresentei uma abertura para mais de 50 mil pessoas e não morri. Foram seis ou sete peças de teatro e várias várias viagens. Tive a chance de conhecer cinco países além do Brasil e 2 continentes além da América. Fiz amigos sensacionais, aproveitei meus avós o máximo que pude, tentei vencer cada obstáculo que impus a mim mesma e mesmo quando tentei, não consegui desistir da ideia genial que é explorar a vida, o universo e tudo mais. A vida é uma viagem e é uma pena eu estar só de passagem, como diria o Leminski.

Acredito estar vivendo um daqueles momentos de ouro, mesmo entre os dias entediantes. Olho-me no espelho e rio. Os cabelos estão normais, o rosto continua o mesmo e a risada aleatória ainda está lá. Ainda sou eu, no fim das contas. Mesmo sendo esse ser completamente incrível e desconhecido. O universo continua sendo muito maior do que eu e cheio de problemas que jamais serei capaz de resolver. As pessoas continuam a me decepcionar e o modo de enxergar a vida passa por transformações absurdas em questões de segundos. Eu estou viva. Eu olho ao redor e tenho a certeza mais absoluta de que aqui estou. E, digam o que quiserem, considero ter feito um trabalho bom até agora, mas com potencialidades expansivas infinitas. E é a elas que me dedicarei, agora que tenho 2.0 no meu motor. Se Raul pedia para parar o mundo porque ele queria descer, informo que pode continuar girando, porque aprendi a seguir o fluxo e aqui vamos nós.

#todossomosdivos
#todossomosdivos

P.S.1: Muito obrigada a todas as pessoas lindas que lembraram de mim ontem e me parabenizaram de alguma forma! Fiquei muito feliz com tudo.

P.S.2: Um obrigado especial para todos que compareceram à comemoração e abrilhantaram o meu dia com suas ilustres presenças, não teria tanta graça sem vocês.

P.S.3: E o agradecimento mais especial de todos para meu grande impulsionador de exploração de potencialidades, Willian.

3 thoughts on “2.0 é outra história.

  1. Parabéns, ainda que tardio. Obrigado pelo seu esforço em manter o seu blog, seu texto é vibrante e reaviva, sempre, minhas esperanças no porvir. Persevere.

  2. “Se Raul pedia para parar o mundo porque ele queria descer, informo que pode continuar girando, porque aprendi a seguir o fluxo e aqui vamos nós.” Podia comentar qualquer coisa, mas fiquei tão encantada com esse final que só consigo bater palmas <3

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