3 O Festival

O maior medo que a minha mãe tinha em me deixar ir ao Rock in Rio era de eu ser pisoteada. Ela tem na cabeça que eu sou esse objeto frágil que quebra com qualquer coisa e me fez prometer que ia tentar escapar de um possível pisoteamento. Poor mommy. Mal sabe ela que nem havia essa possibilidade.

Os portões do festival abrem às 14h, mas ia ter churrasco na casa da Paloma antes e Milena foi tomar banho e demorou uma vida lavando o cabelo e é claro que a gente saiu de casa tarde e chegou no lugar perto das 16h. O percurso foi feito de carro até o terminal de ônibus (um carro com cinco pessoas no banco de trás, duas no do passageiro e o motorista) e de ônibus até o local do festival. Um ponto positivo para a infraestrutura é justamente o ônibus! As ruas de perto da cidade do rock ficam fechadas e somente os ônibus podem chegar até lá, então a cidade proporciona um ônibus chamado “rock in rio” que leva as pessoas do terminal à cidade do rock. Para facilitar o processo de pagamento de passagem e evitar perda de tempo com procura por trocos, só é possível voltar do festival quem tem um “Rio Card” que é o cartão de ônibus deles, então, na ida a gente também usou isso. Eu nem precisei comprar um, pois Paloma me emprestou o de sua mãe.

O ônibus parou e a gente foi andando até o local em que entregaríamos nossos ingressos. Estava bastante sol e calor e no percurso havia uma série de vendedores ambulantes, vendendo bebidas, guloseimas e, claro, ingressos. O curioso é que não eram ingressos absurdamente caros, havia alguns mais caros do que o preço normal e outros inclusive mais baratos! Me explicaram que isso ocorre porque o dia de atrações já havia começado e eles percebem que se não abaixarem o preço não vão vender e vão acabar perdendo o dinheiro integralmente, então se você for sem ingresso e chegar bem perto da hora dos shows tem chances de conseguir pela metade do preço que todas as pessoas compraram. Mas é claro que depende do fluxo mercadológico do momento, então se você realmente quiser ir ao show aconselho que compre antecipadamente, mesmo porque é R$130 a meia entrada e, pelo menos em Curitiba, esse é o valor do ingresso para o show de uma única banda e você paga para ver um dia inteiro de atrações legais.

Chegamos na fila de entregar os ingressos e de ser revistado. Eu não levei bolsa porque, enquanto o medo da minha mãe era de eu ser pisoteada, o meu medo era de perder meu celular ou documentos. Então peguei emprestada uma espécie de pochete que a Analu tinha levado, mas que não fica por fora da roupa e sim por dentro da calça. Lá coloquei dinheiro, documentos e o RIR Card. Na hora de entrar estava com o ingresso e identidade em mãos e a moça apenas passou o ingresso no código de barras, amassou o cartão, devolveu-me e me mandou entrar. Nem conferiu com a identidade, se fosse minha mãe que tivesse comprado meia entrada no nome dela teria simplesmente entrado. Também não fui revistada, porque eles não viram a bolsa. E tecnicamente eles tinham que passar um detector de metais e não o fizeram. Eu poderia ter entrado com drogas, armas ou qualquer outra coisa, mas não poderia entrar com uma garrafa de água, por exemplo. A não ser que ela estivesse sem a tampa.

Entramos e fomos direto ao stand do Trident, porque se a gente dançasse por 30 segundos ganhava chicletes. Lá encontramos a Rafinha, que tinha ido ao festival com seus amigos e nem tínhamos marcado encontro e eu achava que nem teríamos chance de vê-la e no primeiro lugar que vamos, lá está ela! A gente se abraçou, tirou foto e fomos dançar pra ganhar nosso chiclete. Chiclete em mãos, fomos até a Rock Street comprar água, porque lá era “só” R$4. Eles superfaturam a água, o mais barato que você encontra é R$4, mas tem que ficar na fila, porque é nos restaurantes. E nem é uma garrafa de água, é um copo de 300mL! E se você não compra essa água, tem que comprar no meio do povão, por R$5, também em copo, com o pormenor de não ser tão gelado (pelo menos não tem fila).

A rock street estava linda, com um super estilo United Kingdom e a Roda Gigante ao fundo para relembrar a – chatíssima e lerda – London Eye. No momento em que chegamos estava tendo a apresentação chamada “All You Need is Love” com 4 pessoas vestidas de Beatles, em cima do telhado das casas da rock street, cantando “Hey Jude”. Naquele momento eu já sabia que o dia seria incrível! Compramos nossas águas, andamos um pouco para ver o que tinha no lugar, sentamos na sombra enquanto alguns de nós iam ao banheiro e começamos a nos encaminhar para o Palco Sunset, pois já estava quase na hora do tributo ao Raul Seixas começar. Chegamos perto do palco, estendemos nossa canga no chão e ficamos esperando… Enquanto isso Paloma e Pedro foram comprar comida no bob’s e pouco depois eu e Kika nos juntamos a eles na fila. Quando terminaram de comer já se podia ouvir o cara do detonautas cantando que nasceu há 10mil anos atrás e por mais errado que possa parecer ver o cara do ~~detonautas~~ cantando Raul foi legal. Foi o mais próximo de um show dele que eu poderia estar.

E então fomos para o Palco Mundo.

0 thoughts on “3 O Festival

  1. Você vai conseguir ser muito mais sucinta que eu. Você já tá no show e eu nem saí do aeroporto! HAHAHAHA
    Menina, eu e Milena nos encroamos naquela fila da Roda Gigante. Resultado: Praticamente não pisamos na Rock Street, e não visitamos nenhum Stand. Tirando o do Bobs, claro, entre um show e outro, porque comer é necessário. E eu até pensei em ir no stand de camisetas, mas olhei de longe e vi que a que eu tinha amado custava OITENTA E CINCO DILMAS. Desisti, porque não sou obrigada. HAHAHA
    Beijo! <3

  2. Também acho o esquema do ônibus (impressionantemente, para os padrões cariocas) organizado. E Tico cantando Raul é muito errado, mas eu me amarrei no show. Só estou com pena da Zélia Duncan até agora, coitada.

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