5 Noites Quentes

Curitiba é conhecida por ter a característica paulistana de fazer quatro estações em um único dia. Assim sendo, mesmo que vá fazer trinta graus na hora do almoço, durante a noite a temperatura nunca passa dos quinze graus. A gente sempre dorme no fresquinho e quando, lá no cume de Janeiro, as coisas esquentam, é só abrir a janela que o vento faz tudo ficar bem. No Rio de Janeiro não é assim. Lá faz calor-infernal-mas-delicioso até de noite. Só que de noite deixa de ser tão delicioso, porque a gente precisa dormir, né. Sou absurdamente encalorada e na primeira noite quase tive um colapso nervoso de calor e acordei suada e olhei pra cama de cima e lá estava Paloma, carioca da gema, dormindo sorridente embaixo de um EDREDOM. Aquilo pra mim foi o fim do mundo. Acordei às 6h da manhã e fiquei rolando na cama até que ela acordasse e só depois percebi que toda a agonia vinha do fato de que o ventilador estava desligado. Tomei um banho e sobrevivi.

Na segunda noite já tinha aprendido como funcionava as coisas, liguei o ventilador, peguei um lençol bem fino e ficamos deitadas na cama assistindo aos shows da sexta-feira 13 esperando o momento em que Analu e Milena finalmente chegariam. Dormimos porque David Guetta não é algo que faz nosso coração bater forte e eu acordei de supetão com os gritos da Beyoncè que resolveu cantar todas as músicas que eu conhecia e fazer performances um tanto quanto engraçadas e finalizou com uma épica dança de “lelek lek lek”. Assim que a dança terminou eu desliguei a tv e voltei a dormir. Então Milena e Ana Luísa chegaram, junto com Marcelinho e a gente acordou, foi fazer um lanchinho da madrugada e ficamos sentados ouvindo as histórias da noite que são muito engraçadas, mas vou deixar Ana Luísa relatar com detalhes. A mim cabe mencionar que Marcelinho, o nobre jovem com cara de Hércules e poderes de metamorfomago que o transformam em pessoas com bigodinho, pegou uma pulseira do Itaú durante o show. E a pulseira não desligava. E a pulseira parecia um ícone de uma “party hard”  que não foi tão hard assim e quando ele cansou da gente e todo mundo já tinha tomado seus banhos e nós decidimos que dormiríamos, Marcelinho joga a pulseira em nosso quarto. A gente coloca ela dentro da gaveta. Ela continua a piscar e fica parecendo um aparato mágico daqueles de desenho animado, algo que nos desencadeia uma série de risos. Isso e o fato de que Analu simplesmente dormiu e acordava esporadicamente para dar pitacos em nossas conversas e me mandar ficar quieta porque, “gente, essa mayra não cala a boca” e “tenho uma teoria sobre a Mayra, mas depois eu falo porque vou dormir” e em meio a tudo isso havia ainda o fato de que Milena iria embora no sábado, porque precisava viajar de volta para a casa dela e isso significava que eu quase não a veria e que meu coração estava morrendo, porque saber que estou na mesma cidade que ela, mas não no mesmo recinto é algo que sempre me mata. Dormimos, por fim.

A terceira noite foi aquela em que nós é que tínhamos ido à Cidade do Rock. Não pegamos nenhuma pulseira, mas é claro que a do Marcelinho ainda piscava – e continuou a piscar até quarta-feira, quando choramos sua morte e criamos um epitáfio para ela. Dessa vez nós é que chegamos sujas e acordamos Analu e… ops, Milena ainda estava lá! O fato é que algo aconteceu nas aventuras diurnas das duas moças e elas chegaram em casa muito tarde e não tinha como Milena ir embora naquele dia, tendo que esperar até a manhã de domingo para o mesmo. Então nós tomamos banho e ficamos deitadas na cama confabulando, até que Ana Luísa dormiu, eu guardei a pulseira num lugar em que não a víssemos piscar, Milena escreveu em nossos caderninhos e dormimos com o início da dor no coração gerada pela despedida que ocorreria no próximo dia.

E eu até esqueci que estava com calor, porque acordar e me deparar imediatamente com aqueles rostinhos fofos e lembrar de tudo que a gente estava vivenciando me fazia criar forças para esquecer todo o sofrimento que estava sentindo graças ao calor, porque Rio de Janeiro é maravilhoso, mas não entendo como alguém consegue morar lá sem banhos de praia diários. Absurdamente necessário.

0 thoughts on “5 Noites Quentes

  1. HAHAHAHAHA, choreeeeeeeei! Sdds teoria que eu tinha sobre você e nunca mais lembrei. O melhor fui eu acordando, vc olhando pra minha cara e: “ME FALA A TEORIA”. Não me leve a sério nesses pitacos que eu dou entre um sono e outro. Eu fico incrivelmente bêbada. Uma vez comecei a falar em inglês com a minha amiga.
    E, credo, desde quando eu sou ANA LUÍSA, gente? Que isso, pra que isso.
    E, ai, que saudade desses dias! <3

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