6 Aquele Abraço

Que eu sou uma maníaca impagável por abraços não é nenhuma novidade. A questão é que eu adoro a ideia de que sentirei novos abraços e isso era uma coisa que estava me deixando bastante ansiosa com a viagem, porque eu nunca tinha visto Paloma e iria para a casa dela, com a família dela inteira lá e isso certamente faria de mim uma completa intrusa e nem o melhor abraço do mundo seria capaz de parecer acolhedor. Ledo engano. Assim que abracei Paloma no aeroporto soube que estaria segura. E senti a mesma segurança quando finalmente abracei Vanessa-que-não-gosta-de-abraços no outro dia. Os abraços foram bons e calorosos. Todos os abraços cariocas que já recebi são assim e talvez essa seja uma das principais razões para eu gostar tanto desse povo.

Se o abraço da anfitriã já me tirou o medo inicial e me fez sentir um pouco mais em casa, nem preciso mencionar como todo o resto da família me fez sentir. Mentira, preciso sim.

Assim que entrei no carro, tio Marcelo já sabia meu nome,  já queria saber sobre a viagem e já começou a me mostrar vários pontos turísticos, enquanto conversávamos sobre o trânsito e as diferenças entre RJ e Curitiba. Quando chegamos em casa e ele me apresentou para tia Lara como “minha amiga, Mayra” meu coração quase explodiu de amores. E ele continuou a ser gentil e paciente durante toda a minha estadia em sua casa, sempre preocupado com o que eu ia comer e com fazer piadas e com ser absurdamente incrível e legal e eficiente na arte de me fazer sentir em casa.

Assim que chegamos e conheci tia Lara, também enchi-me de amor. Ela foi logo nos levando para comer pizza e estava sempre me oferecendo boas comidas e querendo saber se estava gostando das coisas e ela era uma fofura jogando no iPad e imitando a Bebel Gilberto e, enfim, quando soltou a frase de que éramos iguais à Paloma, percebi que realmente aquela família é sensacional.

Quando entrei na casa, estava Marcelinho assistindo “Ted” e sendo rechaçado por seus familiares por ser um filme muito ruim, vulgo “perda de tempo”. Comemos e quando nos sentamos no sofá o filme ainda estava passando e confesso que ri em diversas partes, simplesmente porque era toscamente engraçado, oras bolas! E Marcelinho começou a ser incrível de um jeito que poucos irmãos são com as amigas da irmã, sendo super disponível em conversar com a gente o tempo todo, ficando sentado no tapete ouvindo nossas histórias, chamando sua irmã de “irmã” de um jeito super fofo, usando um “shampoo de macho”, sendo engraçado e falando coisas épicas e comentários geniais em fotos de Instagram, sendo Hércules, ensinando o que é Akinator e, enfim… Parecia até que ele era parte do nosso clubinho! E no fim acabou sendo, quando o elegemos membro honorário da Máfia, pelo simples mérito de existir.

Conheci também vó Lili, aquela pessoa que – assim como todo o resto da família – tem um senso de humor sem igual e que odeia tatuagens e muitos furos na orelha e que cozinha de um jeito a dar inveja aos desavisados na cozinha. Deliciei-me um jantar preparado por ela, que incluía batata frita de um jeito que eu nunca tinha comido, mas que era delicioso e brigadeiros de sobremesa! Como não amar?

Sobre a dona do abraço incrível, do quarto maravilhoso, da voz doce, da letra bonita, das danças fofas e de todo o amor do mundo, senhorita Paloma, nem tenho o que comentar. Nada que eu diga vai conseguir descrever toda a amplificação que meus sentimentos prévios pro ela sofreram no momento em que a conheci ao vivo e a cores. Porque ela tem o meu tamanho, mas o coração dela é tão grande e ela emana tanta responsabilidade, que nem sei o que falar!

E quando tio Marcelo olhou para nós na hora em que nos despedíamos e disse “Só faltou o jeans” – porque nós éramos quatro amigas vivendo momentos únicos e se amando mais do que nunca – meus olhos marejaram e eu me segurei para não cair no choro na frente dos outros e só deixei as lágrimas saírem quando cheguei no aeroporto e durante toda a viagem de volta, que certamente foi a mais doída da minha vida.

0 thoughts on “6 Aquele Abraço

  1. Ai, essa família deliciosa! Claro que a fofa da Palo tinha que ter aparecido em um lar assim, né? <3
    E nem me fale dos abraços de despedida. Não engoli até agora que esse fim de semana acabou 🙁

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