A crônica da vida.

A Lua brilhava lá fora, era Lua cheia. A noite estava fria, eu estava cansada e tinha muita tarefa de casa para fazer. Sentei-me então na cadeira da ponta da mesa de jantar. A luz da Lua me distraía. Esforcei-me para ficar concentrada e, quando consegui, ouvi gritos incompreensíveis.

“Você tem apenas 13 anos!”

“Não foi minha culpa, eu juro!”

“Tinha que ser o queridinho da mamãe mesmo. Ela que deve ter te ensinado a ser assim!”

“Não fala da minha mãe!”

“Ridículo!”

Eram meu pai e meu irmão. Não sei o que meu irmão fez, mas meu pai não tinha o direito de mensionar minha mãe. Ela morreu.

Ao ouvir os gritos, esqueci-me completamente do dever de casa, da Lua e da noite linda que fazia lá fora. Só pensava nos gritos, e eles reapassaram na minha cabeça diversas vezes.

Lá estava eu, absorta em meus pensamentos e de repente “BOOM!”, foi o barulho da porta do quarto em que eles estavam se batendo Por um momento não vi nada. Quando dei por mim, lá estava ele, no chão da sala, caído, morto.

Meu querido irmãozinho, ensanguentado. Caído. Desesperei-me. Comecei a chorar. Vi então meu pai ao lado do corpo, a faca que mamãe usava para cortar carne, em sua mão.

“Papai? O que você fez com o Fernando?”

“Não! Não! Chame a ambulância! Rápido!”

Chamei. Não demorou a chegar, mas não havia nada a fazer. Fernando estava morto. Absorto nas profundezas. Para sempre.

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