A Grande Descoberta!

(9/17)

Descobri o que estava errado comigo! Sei que não é interessante para ninguém essas filosofias e conclusões, mas estou em uma fase da vida em que preciso escrever tudo para ter real consciência das coisas, é como se eu realmente as compreendesse quando escrevo sobre.

O conflito que estava vivendo entre o teatro e eu mesma – ênfase no estava, pois a grandes chances de eu estar melhorando já – residia no fato de eu passar o dia inteiro pensando, entendendo teorias e tentando mensurá-las na realidade, encontrando um modo de talvez torná-las reais. Essa coisa de viver pensando, com a mente cozinhando o dia inteiro, enquanto o rosto transparecia calma, como se nada estivesse acontecendo. Estava cansada justamente de tanto pensar. Eu só pensava. O dia inteiro. Percebi que fazia isso há algum tempo já, desde quando deixei de imaginar. Eu parei de imaginar coisas fantasiosas porque perdia muito tempo imaginando aplicações para as teorias e planejando detalhadamente o que faria no dia seguinte. Sei que isso não era correto, mas nunca havia percebido que estava realmente nesse estado de vida. Agora que eu percebi, resta-me melhorar a situação. E eu sei que vou conseguir. Porque o primeiro passo para transformar algo que não está correto é perceber que não está correto. Os fumantes não param de fumar enquanto continuam pensando que aquilo é legal e não é um vício, quando eles admitem que realmente ficarão doentes e não conseguem mais sobreviver sem a droga, tendem a parar, ou pelo menos sentem-se mal enquanto tragam a nicotina. Esse é o espírito da coisa. Perceber – sentir mal – tentar mudar. Assim que as coisas fluem.

O negócio é que enquanto na faculdade, em casa, na internet e em todos os lugares que eu normalmente frequento, o grande segredo para dar certo é raciocinar, seguir uma lógica, fazer suposições e tentar prová-las, depois de ter pensado MUITO sobre as coisas, no teatro o segredo é justamente não pensar. Meu professor de literatura sempre falava sobre essa coisa de “as melhores artes ocorrem ao acaso” e o fato de tudo que é genial ter surgido do nada e isso é realmente muito lindo de ser ouvido, mas vai tentar passar um minuto sem pensar em nada pra ver o que acontece! É super complicado! Mas é isso que o teatro requer o não comum, o complicado. Aquele estado em que nada faz sentido e por isso é genial, é explorar o novo, deixar as coisas simplesmente acontecerem, mesmo que não façam sentido. Porque nem tudo precisa fazer sentido. Coisas sem sentido são muito mais legais na verdade. E eu super concordo com isso. Adoro coisas geniais e impensadas, que acontecem do nada, mas quando eu é que tenho que ficar sem pensar, gente, é um esforço ENFADONHO. É terrível. Terrível. Pensar em um personagem, com história, corpo, voz, mundo, tudo e ao mesmo tempo fazê-lo sem ficar repassando isso na mente, com naturalidade, fluido, sem nada de você nele… É muito complicado! Muito! Muito! Mas acho que um dia eu consigo!

Hoje eu fiz um queijo. Foi a experiência mais repleta de descobertas da minha vida. Percebi que me escondo atrás de um discurso e se eu tivesse que fazer algo mudo ia ser terrivelmente complicado. Porque por mais que eu admire horrores essa exploração de novos ambientes, sou completamente presa à minha zona de conforto e isso é TERRÍVEL. Percebi tantas coisas erradas em meu comportamento, modo de ser, agir e pensar que nem consigo mensurá-las corretamente no momento, só senti que precisava expressá-las. Gravar em algum lugar que eu percebi que não ajo de uma maneira agradável. Já estou me sentindo mal com a situação e pensando em maneiras de melhorá-la. Espero conseguir. Espero ser menos racional e mais impulsiva, sentimental, instintiva, mesmo sabendo que instinto não existe. Espero conseguir quebrar todas as minhas barreiras, mesmo sabendo que elas foram socialmente construídas e fazem parte de mim e da minha cultura. Não é porque estão intrínsecas a mim que são boas, úteis, agradáveis ou meramente suficientes. Não vou precisar fazer todos os absurdos que a Nina fez para descobrir o lado negro dela, será natural. Puramente simples. Porque as coisas são simples, nossa mente as torna complicadas e se eu conseguir desvencilhar cada micro detalhe ao meu pensamento paranoico, provavelmente evoluirei um bocado!

Desde já gostaria de dizer que vocês devem ir a minha peça do meio do ano, só para analisarem se eu realmente evoluí e me contarem depois, porque garanto que estou me esforçando e quando resolvo me esforçar realmente o faço.

Enfim, tenham uma boa noite e um bom final de semana!

E não vou pedir desculpas pelo texto sem sentido e de última hora, porque coisas não planejadas tendem a ter um gosto melhor.

Viva a espontaneidade!

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