A vida é muito curta para não ser vivida intensamente.

Clarice Lispector em seu conto “O ovo e a galinha” tenta nos explicar que por perdermos tempo tentando conceituar as coisas, deixamos de vivê-las. Essa simples frase conceitua a vida de muitos de nós. Ao inves de aproveitarmos as experiências e oportunidades que nos surgem, perdemos tempo tentando compreender as coisas, fracassadamente. Cada coisa que compreendemos é uma coisa a menos vivida com plenitude.

Meu professor de Literatura disse que “A plenitude está contida na incompreensão dos fatos” e é exatamente isso. É por isso que achamos o amor tão belo, é por isso que os comunistas são comunistas, é assim que formamos nossos conceitos e ideologias. Não compreender as coisas as torna muito mais belas, as torna algo a mais a ser desvendado e um dos maiores prazeres do ser humano certamente é tentar desvendar coisas.

Então surge a vida: incompreendida por todos, ao mesmo tempo que todos buscam compreendê-la.

Talvez se a gente deixasse de pensar tão milimetricamente em tudo que fazemos, se deixássemos de fazer somente aquilo que esperam que façamos, se deixássemos de ser o que todos esperam para simplesmente fazer as coisas que nos apetecem, seríamos muito mais felizes.

O mesmo professor de Literatura tentou explicar as ideias da Clarice através do gozo. Segundo ele, no momento do gozo vivemos plenamente, pois não estamos pensando em nada. Somos apenas animais sentindo prazer e é naquele prazer incompreensível que está contida a nossa felicidade.

Vivemos em média 70 anos, para nós, jovens, parece muito tempo, mas sabemos que na realidade não é. Várias espécies de tartaruga vivem cerca de 100 anos e os 100 anos delas são muito melhores aproveitados do que os nossos, elas viajam o oceano inteiro e não se preocupam com nada! Parece maravilhoso, mas impossível de ser empregado em humanos. Nós, os humanos, nos consideramos superiores aos outros animais. Construímos uma sociedade cheia de esteriótipos e expectativas e acabamos perdendo nossas individualidades em meio a tantas coisas comuns. Será que somos realmente diferentes, ou somos todos iguais, achando ser diferentes?

O fato é que eu, com meus poucos 17 anos, consigo pensar em no máximo 5 momentos que vivi intensamente, é pouco. A vida não é grande o suficiente para que a gente desperdice tantos momentos que poderiam ser maravilhosos com obrigações banais.

Não digo que devemos sair da sociedade, criar um mundo alternativo e fazer tudo que quiséssemos, sem nos preocupar com as consequências. Não nos é possível viver assim, infelizmente. No entanto, é possível que a gente reserve pelo menos um dia de nossas semanas para apreciar os pequenos prazeres, para fazermos aquilo que nos dá alegria e nutre nosso interior.

De que adianta passar 70 anos num planeta se não pudermos fazer nem metade das coisas que gostaríamos?

Mas um dia da semana não me é suficiente. Preciso de um companheiro, um trailler e tempo para ter uma experiência à lá Christopher McCandless, depois disso talvez minha vida seja plena.

0 thoughts on “A vida é muito curta para não ser vivida intensamente.

  1. Menina, eu ando pensando tanto nisso essa semana, sabia? Acho que é a proximidade dos 20 anos. Ando com a ideia fixa de que a vida é MUITO curta para ter tantas regras e para eu ter que me preocupar em dar satisfação pra tanta gente. Afinal de contas, quando minha vida acabar eu vou ter que prestar contas comigo mesma, e aí, será que terei feito tudo o que queria?

  2. Estou tentando fazer isso, essa teoria pouco prática de viver intensamente. Ou “cada dia como se fosse o último”, É difícil, mas preciso. E então, o que você quer fazer ou ser hoje?

  3. Que linda, fez o meme que eu sugeri *-* (nem eu fiz ainda, que vergonha x.x).
    Quando comecei a ler, pensei ‘mas será que a compreensão não vem ao conhecer algo plenamente?’, mas sabe que depois concordi com você. Tem coisas, vide amor, aquele louco inconsequente, que não vão ser entendidas nunca. E é justo aí que elas se tornam bonitas. E de quebra a gente vai tentando compreender o incompreensível, acaba criando coisas bem bonitas também. Literatura, cinema, música. Ai, viajei demais? haushaushua
    Gostei demais do seu post, May (posso te chamar de May? Ou tem outro apelido?) rsrs.
    :*

  4. Ei, esqueci de dizer que a imagem do post é do ‘Blue Valentine’, quee foi traduzido pra ‘Namorados para sempre’. Eu gostei muito, recomendo 🙂

  5. Parece estranho mas existe uma fase na vida que sempre fazemos isso, perdemos muito tempo pensando e acabamos deixando certas oportunidades passarem, oportunidades essas que nunca mais voltam. E depois quando olhamos pro passado vemos que deixamos de viver algo por uma besteira! uma frase muito boa pra esses momentos é “melhor se arrepender por algo que fez (e experimentou e meteu a cara) do que por algo que nao se fez (e ficou só na vontade, nao experimentou e nao se sabe o quao diferente poderia ser sua vida agora).
    mas aí entra o lance do destino e tals… pra quem acredita pode até ser uma explicacao (nao tinha de ser assim era pra ser assado)

  6. Eu também acredito que 70 anos é pouco tempo. Mas até lá, a estrada parece tão grande, tão escura, tão cheia de descobertas… Prefiro fazer as coisas calmamente, viver hoje e me preocupar com o amanhã quando ele chegar. Morrer por antecipação não é a minha praia. Mas gozar das coisas boas da vida sim! 🙂

    Beijos.

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