AI-CI-TEL

A gente era criança e por algum motivo insano decidimos tropeçar juntas pela vida. Faz sete anos e eu ainda consigo olhar pra você e contar tudo que tenho vontade, enquanto sei que você faz o mesmo. Compartilhamos experiências, primeiras vezes, últimas vezes, fim de ensino fundamental, início e fim de ensino médio, faculdade… Dividimos os melhores entretenimentos possíveis e fizemos coisas divertidíssimas juntas. A gente se encontrou, dentre tantas pessoas existentes, encontramos uma à outra. E não tivemos medo ou vergonha de compartilhar nossos momentos, como fizemos nos últimos sete anos. Outro dia vi no facebook que se a amizade passa dos sete anos ela é eterna e eu realmente espero que a nossa seja.

Eu não sei direito o que te dizer, pensei em fazer um texto só com os melhores vídeos da nossa história, mas ia ser vergonhoso demais. Tem coisas que só uma deve saber da outra. A gente já pagou tanto mico juntas… Nem gosto de pensar sobre. E, por alguma razão que nunca vou entender qual, continuamos amigas. Mesmo sendo tão diferentes, mesmo que um terceiro olhando para nós pense “como é que elas são amigas?”, porque, bem, se fosse por esteriótipos a gente devia se odiar. Você faz ~~publicidade~~ na ~~UP~~ e eu faço ~~Ciências Sociais~~ na ~~Reitoria~~ e, gente, você não come pão! Vai dizer, temos tudo pra ser completamente diferentes e aquele tipo de gente que não entra em sintonia e não se suporta, mas, é exatamente o oposto! As vezes eu sinto como se o fato de sermos diferentes em vários quesitos acabasse por nos completar. Quero dizer, todos os nossos problemas e encruzilhadas são vistos sob pelo menos duas perspectivas diferentes e isso já dá uma baita ajuda na hora de tomar decisões, não concorda? Além do mais, é absurdamente impossível que coisas bobas como faculdade atrapalhe o que a gente tem. E eu me sinto tão gay estabelecendo “eu e você” como um relacionamento, que nem te conto!

A verdade é que você é uma das minhas amigas mais antigas e uma das poucas que eu consigo manter tanto contato hoje quanto tive quando tinha doze anos. Você é aquela pessoa que eu sei que posso atormentar em meus momentos depressivos e que posso morrer de rir quando estiver feliz. Você sempre vai me mandar links e vídeos aleatórios e vai completar as músicas que te mando via sms. Você sempre vai me convidar para eventos legais e vai deixar eu usufruir de seus contatos para entrar de graça em alguns lugares. Você vai me chamar pra passar um feriado inteiro na sua casa e na hora de ir embora ainda vai dizer “minha mãe perguntou se você não quer ficar mais um pouco”, isso depois da gente ter comido um monte de coisa gostosa, ter visto vários filmes, vídeos, seriados, notícias engraçadas, conversas bizarras e ido conversar no bosque. Você é uma daquelas pessoas que eu sei que quando eu achar que só a minha família vai se importar comigo, estarei enganada, porque você também vai. Mesmo que esteja brava. Mesmo que eu tenha sido super grossa e tenha te deixado revoltadíssima.

Eu sei que eu posso te fazer chorar, posso brigar com você e ser completamente insensível em questões que para você são de extrema importância, mas eu acho que você sabe que eu te amo infindavelmente e que a simples hipótese de te perder em algum momento já faz meu coração ficar apertado e angustiado. Eu acho que você sabe que mesmo quando eu te xingo e te dou algum dos meus tapinhas, só estou torcendo para que tudo termine bem e você seja feliz. Acho que você sabe que dia 30 de Julho está marcado na minha história como seu aniversário, mesmo que você esteja há milhas e milhas de distância, comendo coisas super gostosas das quais eu morreria de inveja. Acho que você sabe que eu realmente pretendo ter um empreendimento com você, para que a gente possa exercer nossas profissões quando der vontade, mas conseguir nos manter com algo super divertido e que nos deixe financeiramente independentes. Acho que você sabe que eu não passei sete anos ao teu lado à toa. Você precisa saber que é porque eu espero passar muito mais tempo. Porque sobrevivemos juntas a todas as metamorfoses juvenis possíveis e agora que as coisas estão começando a se estabilizar, é até injusto cogitar que nos separaríamos.

Ei. Você está fazendo dezenove aninhos! Em algum lugar de São Paulo há dezenove anos sua mãe estava torcendo para que você chegasse logo. Até consigo imaginar a cara dos seus pais quando te viram e do teu irmão também, claro. Você parece ter sido aquele tipo de criança que brincava sozinha, mas que tinha várias amigas também. E que sempre inventava coisas para manter a cabeça contente e estava sempre cantando e dançando por aí. Você parece ter sido aquele tipo de criança hiperativa que deixava os pais cansados, mas que quando eles te viam dormindo sorriam e ficavam felizes por você existir. Eu sou muito feliz por você existir.

Fique agora com o vídeo do carinha do dente assim /

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