Ai Que Vontade de Conversar!

ou Copiei a ideia do post daqui

ou Coisas que Fazemos enquanto o Professor não olha – e as vezes até quando olha

Os bilhetes de sala de aula… A emoção de ir correndo para a última página do caderno e escrever em poucas palavras aquela fofoca sensacional que você precisa contar pra sua amiga naquele instante.

Todo o ritual envolvido, esperar o professor anotar coisas no quadro, ou seja, ficar de costas, pensar detalhadamente no que escreverá, pegar um papel, escrever, dobrar bem pequeno e pedir pra pessoa do lado passar até chegar no seu amigo.

Inventar códigos secretos e enfadonhos que só você e seu amigo compreendem, para evitar que sua mensagem seja interceptada e completamente compreendida. Claro que língua do P não vale, porque essa já virou linguagem universal há tempos.

Esperar ansiosamente pela resposta e utilizar até o último milímetro do micro papel e então rasgar mais um pedaço do seu caderno, ou de um informativo escolar que você simplesmente esqueceu-se de mostrar para os seus pais.

Bilhetinhos escolares são o cerne da comunicação educacional, é a melhor maneira de aprender a esconder coisas, não necessariamente importantes e mentir para protegê-las. Porque ninguém nunca revela para quem era o bilhete quando o professor pega. Ninguém nunca conta de quem estavam falando. É contra as regras.

E quando os amigos estão sentados um ao lado do outro e não precisam de bilhetes, as maneiras de burlar as aulas chatas tornam-se ainda mais diversificadas.

Atire a primeira pedra quem nunca passou a aula jogando forca, ou jogo da velha, ou ligue os quatro, bingo, stop ou qualquer outro jogo que tenham inventado naquele momento. Faz parte de toda rotina escolar. Em determinados casos, faz mais parte do que problemas matemáticos. Essas coisas é que deveriam aparecer nos currículos de muita gente que na real é formada em jogos, não em qualquer outra coisa.

Isso sem contar os recados na agenda. Porque a escola é burra o suficiente pra dar uma agenda pra cada aluno. Uma agenda = 365 folhas em branco para… Bilhetes. E não apenas bilhetes de conversa, mas bilhetes de agenda, ou seja, aquele em que você rasga uma seda DANADA pro seu coleguinha, que as vezes tu nem curte muito, mas que enche de frufrus a agenda com muita caneta colorida e frases de efeito.

Ou então você tem sorte de pegar uma pessoa sincera que escreve na sua agenda “Então, você é super grossa, mas eu gosto de você” (tenho isso em uma minha)

E de repente tem tanto bilhete na sua agenda que você nem é mais capaz de ler.

E de repente já foram mais de cinco páginas finais do caderno só com bilhetes e jogos.

E você ainda quer falar mais.

E você ainda precisa aperfeiçoar as técnicas.

E você nunca vai ser bom o suficiente e sempre vai acabar deixando escapar uma gargalhada e levando bronca daquele seu professor preferido, numa aula que realmente deveria estar prestando atenção.

Porque faz parte da gente. Porque a gente gosta de se comunicar com as pessoas que a gente gosta e quando a gente quer fazer isso não há ensalamento ou professor carrasco que impeça. Porque as aulas, em diversas vezes, são nada além de tempo de conversa desperdiçado e a gente nunca gosta de sequer pensar que pode estar, de alguma forma, desperdiçando tempo.

E eu sinto falta disso.

Porque hoje a tecnologia chegou e quando há uma aula chata eu mando mensagens pras minhas amigas que estudam em outras escolas, cidades e estados e a gente fica conversando por SMS até que eu consiga me reinteressar pela aula.

Porque hoje em dia quando eu sento longe da minha amiga, nós continuamos a não deixar de conversar, mas ao invés de gastar papel, somos ecologicamente corretas e não usamos nenhuma forma de criptografia, simplesmente mandamos SMS.

Porque a gente é capaz de jogar forca por SMS e um dia será capaz de jogar jogo da velha também.

E eu imagino que em alguns anos as crianças sequer tenham notícia de que em algum momento as pessoas passavam bilhetes durante as aulas, porque elas estarão passando e-mails, whats apps e o que mais tiver sido inventado em sua época.

Porque a época dos bilhetinhos e das últimas páginas de caderno reservadas para inutilidades está chegando afim. E por mais que eu use e abuse das novas maneiras e formas, preciso confessar que morro de saudades de ter zilhões de bilhetinhos milimetricamente escritos para guardar em minha caixa de recordações.

Porque eu, mais do que qualquer pessoa, morro de vontade de conversar nas horas impróprias.

Esse texto teria ficado bem melhor se a Anna Vitória tivesse escrito.

0 thoughts on “Ai Que Vontade de Conversar!

  1. Gente, voltei numa época tão gostosa, num cursinho delícia que fiz. Fazia tudo, menos prestar atenção nas aulas. Tenho os bilhetinhos guardados até hoje. Saudade boa.

  2. Gente, que saudade disso! Era tão bom! Meu grupinho no 1º ano era tão perverso que a gente sentava na frente, colava na mesa da professora e passava a aula de química inteira jogando ligue pontos COM A PROFESSORA! HAHAHAHA, lembro que uma vez um menino foi tirar dúvida da lição de casa e eu falei que a professora tava ocupada.. HAHAHAH, jogando ligue pontos!
    Eu adoro. Na faculdade a gente senta em fila. Eu, a Rhai e a Nathy. E eu adoro brincar de forca, só que eu nunca uso uma palavra. Uso citações, ou músicas, faço forcas enormes. Eu rabisco a forca no meu caderno e logo passo o caderno pra trás e as duas já começam a responder, é hilário. Mas não tem a mesma magia do colegial. Colegial é estressante, mas é com certeza uma das melhores fases da vida. O tempinho bom!

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