Eu adoro fazer aniversário. Sempre gostei. A primeira festa que me lembro foi a de cinco anos, era da Barbie e o alvo do com quem será estava do meu lado na hora em que entoaram a música e eu fiquei toda vermelha. Logo esqueci e me empanturrei de doces, que estavam particularmente deliciosos. Minha roupa era rosa, assim como todo o resto da decoração da festa, que foi na sala da minha casa e só tinha vizinhos e parentes.

Nos seis anos foi a vez de vovô vir do Maranhão para a minha festa, que desta vez era em outra cidade e foi na escola. Ganhei vários presentes repetidos, mas tinha um monte de régua legal e foi o dia em que aprendi a amarrar os cadarços do meu sapato.

Com sete anos mamãe fez questão de levar um bolo enorme para o meio da minha sala de aula na escola nova e fez todo mundo comer e eu morri de vergonha porque ainda não era enturmada e ainda era a menina esquisita que usava shorts masculinos.

Aos nove anos resolvi fazer uma grande festa, vestido feito sob medida, docinhos enrolados pela vovó, enfeites feitos artesanalmente, mil salgadinhos encomendados e muita gente. Muita gente brincando de morto-vivo na sacada de casa. Penetras. Brigas que envolviam meu irmão e o penetra, que queria jogar uma pedra na cabeça dele. Ah! E o com quem será dramático, que me fez passar por debaixo da mesa chorando e fugir de casa, estragando todas as fotos da festa que tinha tudo pra ser perfeita.

Quinze anos foram comemorados com grande estilo. Eu de pantufas, uma cama elástica ao fundo, uma fonte de chocolate, músicas selecionadas por mim, macarrão e boas companhias. Dezesseis foi quase a mesma coisa, tirando a cama elástica e o chocolate – infelizmente. Dezessete contaram com um bolo delicioso e uma festa surpresa na escola, com direito a cartaz e tudo! E os dezoito foram comemorados num lugar qualquer, com pessoas devidamente importantes.

Só que os aniversários não são as festas, elas são apenas parte dele.

Aniversário é um conceito que, na verdade, é bobo. É completamente babaca a gente ser parabenizado por existir ou ter sobrevivido e mais babaca ainda a gente comemorar isso e receber presentes por isso. Mas o conceito consiste justamente no ato da gente não pensar sobre ele. Aniversário é aquela coisa que existe e ponto final. Uma vez que existe, a gente aproveita. A gente aproveita porque ninguém nega abraços, carinho, atenção, afeto, doces ou presentes. A gente aproveita e sente que dentre os 365 dias do ano pelo menos um deles foi reservado pelo destino ou qualquer coisa assim para que fosse nosso. É como se o cosmos tivesse separado aquele espaço de tempo para que todas as energias positivas te cerquem e você possa se sentir mais amado do que nunca. Aniversário, meus caros, é um conceito maravilhoso.

E eu sou apaixonada por ele. A ponto de contar os dias assim que o dia termina. A ponto de planejar milimetricamente cada segundo dele, para que seja tudo lindo e maravilhoso. A ponto de fazer uma lista com todas as pessoas que eu quero que me cumprimentem e conferir depois, vendo se acertei ou errei. A ponto de, quando criança, fazer minha mãe ligar pras pessoas que não lembraram, para que elas lembrassem e retornassem. A ponto de deixar que cantem “parabéns” no meio de uma fila de pré estreia de um filme idiota. A todos os pontos, meus caros. Eu sou daquelas pessoas completamente apaixonadas por aniversários. Daquelas que só cumprimenta quem realmente importa, que memoriza as datas destas pessoas e faz algo além de mandar um simples recado no facebook. Que manda presentes por correio para quem merece e que faz cartas e cartões e tudo mais que me deixarem. Sou dessas pessoas que quando ama muito receber algo não vê como perca de tempo o fato de doar.

E hoje é o meu dia. Ele chegou. E ele vai ser absurdamente lindo. Mais lindo do que todos os outros meus dias foram até agora. Porque neste eu vou ver quase todas as pessoas que amo e vou poder esmagá-las e tê-las só para mim, mesmo que por poucos segundos. Hoje eu vou fazer tudo que eu quiser, do jeito que eu quiser e não vou ficar chateada por isso. É o meu dia. Quem manda sou eu. Nem preciso comentar que estou feliz, obrigada.

0 thoughts on “Aniversários

  1. Eu também adoro fazer aniversário! Adoro gente me mimando, me dando carinho, amor e presentes! E acho que, as festas são legais, mas o importante é passar o nosso dia rodeada de pessoas especiais! Como você hoje né! Aproveite mesmo esse dia, curta com as pessoas queridas e seja feliz, que é o que realmente importa! Feliz Niver Mayra! Beijos

  2. fizemos 19 no mesmo ano, é isso mesmo produção?

    até os 13 anos eu tive comemorações aqui em casa, com família+amiguinhos felizes e tal, bolinho, velinhas. no final da festa tinha papel de brigadeiro pelo chão inteiro, mas eu nem ligava. eu adorava.
    aí fiz 14 e virei ‘rebeldezinha’. passei por coisas complicadas, comecei a filosofar sobre minha existência, dai ja viu né? com 14 anos tendo conflitos existenciais, veja só! e nem liguei pro meu aniversário, embora ficasse ansiosa pra receber scraps no orkut (velha!)
    acho que foi nesse aniversário que uma vizinha/amiga minha veio com um rocambole me dar parabéns, porque eu nem bolo tinha feito. embora eu preferisse ficar na minha, arquitetando planos pra acabar com o aniversário de todo mundo (como o grinch fez com o natal), foi legalsinho e bonitinho ela ter lembrado da data.

    aos 15 eu fugi de todo tipo de debutante/vestidos de princesa/telão/DJ’s. eu simplesmente não me via dançando valsa com meu pai, cara, e ponto. fora que eu nem príncipe tinha, então não fazia lógica bailar com meu primo (?).
    fui ao shopping depois da aula com um pessoal da escola (muitos eu nunca mais tive notícias, outros são meus amigos hoje).

    com 16 eu fiz aloka. fiz festa de criança no salão do prédio da minha vó hahahaha. chamei todo mundo pra vir de criança, mas poucos vieram à caráter, enfim. foi divertido. fui recuperando aos poucos a ideia de que fazer aniversário era legal e não tinha nada a ver com essas droguinhas de conflitos que tinha dentro de mim. eu podia ser feliz pelo menos 1 dia no ano, poxa! quero ser amada, da licença.

    com 17 fiz bolinho em casa, pq $ não $ deu $ pra $ fazer uma coisa maior.

    com 18 eu quis festa surpresa. sim, eu QUIS uma festa surpresa. joguei verde pra todo mundo, dei dicas enfim, aí consegui uma festa surpresa planejada por mim mesma. MEU eu tava fazendo 18 anos e se todo mundo dizia que era tão importante assim, o mínimo que eu tinha direito era a uma festa surpresa! foi simples, aqui em casa, mas foi legal.

    mês passado fiz 19. e foi o aniversário mais legal de todos. fui num lugar divertido com meus amigos e não precisei ser o ‘centro das atenções’, nem fazer sala, nem nada. cada um dançou quando quis, conversou com quem quis, comeu/bebeu o que quis e eu só levei o bolo.

    hoje eu penso assim, como cê disse: aniversário é um dia que temos DIREITO! diante de todos os outros 364 dias do ano, esse é o nosso, pra gente ganhar presente, abraço, elogio, recado bonitinho e todo o nhé nhé nhé possível.

    e caralha, fiz um comentário do tamanho de um post, me inspirei.

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