Quem escreveu o livro?

      Amanda Palmer é uma artista estados-unidense, que foi estátua viva por muito tempo, mas também pianista e vocalista da banda The Dresden Dolls e cantora em sua própria banda. A Arte de Pedir foi seu primeiro, e até agora único, livro, mas a autora escreve no próprio blog. Além disso, ela é bastante ativa no twitter. Tornou-se famosa por ter sido a primeira musicista a atingir 1 milhão de dólares através do financiamento coletivo crowdfounding e atualmente mantem-se através de doações no patreon

O que é interessante saber antes de ler?

  1. O livro é uma auto-biografia, que foca bastante nas questões de vulnerabilidade e síndrome do impostor, podendo ser considerado auto-ajuda, dependendo de quem lê.
  2. A narrativa surgiu a partir do discurso de Amanda ao TED Talk – que eu recomendo a todos.
  3. O prefácio do livro foi escrito por Brene Brown, que também fez um TED Talk, que eu também recomendo.
  4. No meio do livro, você descobre como Amanda Palmer conheceu e se apaixonou por Neil Gaiman e quase explode com a fofura dos dois. Isso significa que: se você tem vergonha de demonstrar emoções em público, prefira ler esse livro em lugares privativos. 
Amanda Palmer
Amanda Palmer

Ok, mas sobre o que é esse livro afinal?

    A Arte de Pedir conta a história da vida de Amanda Palmer. O livro é dividido em alguns capítulos, todos eles iniciados por uma de suas músicas. As letras combinam com o texto que está por vir. O livro mescla a história pessoal com a carreira da cantora, fazendo com que o público sinta toda a intensidade dela.

      Amanda tem uma filosofia de vida de que quando você dá amor ao outro, não precisa dar mais nada e as coisas boas simplesmente voltam a você. O livro aborda muito a questão da vulnerabilidade, explorando situações onde para ela é muito fácil pedir e demonstrar sentimentos e outras, onde as coisas são um tanto complicadas.

      Por ser uma artista e muito intensa, Amanda acaba sendo incompreendida por muita gente e o livro percorre o período de críticas à sua carreira, atitudes e decisões e mostra que tudo que ela faz e pensa é sempre moldado a partir da forma como ela espera que os outros a vejam. Apenas após o relacionamento com Neil Gaiman isso começa a mudar. 

       A carreira dela é consolidada pela relação com os fãs, então eles têm um enorme espaço no livro. Assim como seu melhor amigo, Anthony. Há espaço para algumas histórias de família, ex-namorados e Amanda não tem vergonha de revelar coisas realmente íntimas dela e de seus relacionamentos na narrativa, o que chega a ser um tanto surpreendente. 

    A partir da história dela e das possíveis identificações para com as nossas, o livro se torna absolutamente necessário. Considerando que a sociedade está cada vez mais egoísta e egocêntrica, alguém que nos mostra que está tudo bem ser vulnerável e que todas as pessoas precisam de ajuda, as vezes elas só não sabem ou não se sentem confortáveis para pedir, merece um troféu só por espalhar a mensagem. 

a arte de pedir trecho 1

          A Arte de Pedir tem 304 páginas, foi publicado no Brasil pela Editora Intrínseca e você pode adquirir clicando aqui, para ajudar o Ancoragem.

E o que você achou do livro?

      É um livro bastante difícil de falar sobre. Difícil de assimilar. Comecei a leitura em fevereiro, quando estava no hospital, após a maior cirurgia que já fiz. Tive que dar um tempo, porque achei ter aprendido o suficiente para o momento – a me deixar ser ajudada. Tenho essa coisa de achar que posso fazer tudo sozinha e dificilmente crio coragem para pedir ajuda, não gosto de mostrar que não sei ou não posso. Mas, quando você precisa passar por quatro meses andando com muletas e precisando de ajuda até para tomar banho, essas coisas acabam melhorando um pouco. 

      Voltei ao livro na semana passada e terminei-o rapidamente. Parece que da metade para o final, tudo que você consegue fazer é mergulhar no universo narrativo. A intensidade da Amanda é invejável, tanto na forma como ela vive a vida dela, quanto na forma que ela escreve. Cada linha e parágrafo que eu terminava, era uma linha e parágrafo para memorizar e guardar no coração. E, se tem uma coisa que ficou quentinha com o final do livro, foi ele.

A Arte de Pedir - Trecho do livro
A Arte de Pedir – Trecho do livro

       Eu me senti abraçada pela história da Amanda Palmer, senti como se fôssemos melhores amigas e como se finalmente eu tivesse provas de que não sou a única maluca da face da Terra. Mesmo porque, a Amanda consegue ser mais maluca que eu em alguns aspectos. Eu fiquei feliz após ler o livro, mesmo com os olhos cheios de lágrimas. E isso é incrível e sensacional. É como se Amanda provasse que não é sensível e artística apenas nas músicas e pinturas que se propõe a fazer, ela é intensa em tudo. E isso é esplêndido.

      É claro que após a leitura eu fucei o site dela, ouvi várias das músicas e fiquei bastante feliz em ver como a vida dela está atualmente. O sentimento apaziguador segue comigo, não sei até quando ele vai ficar. E já não sei se gostei tanto do livro ou da pessoa que o escreveu, porque cada dia que passa penso mais que: os dois são a mesma coisa. E, bom, não creio que algo possa ser mais emblemático do que essa simbiose.

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