As coisas não precisam ser para sempre.

Desde que nos entendemos por gente somos alvo da lavagem cerebral feita pelos contos de fadas. Além de crescermos procurando nosso príncipe encantado, um amor fácil e perfeito e um final feliz, crescemos com a ideia de “felizes para sempre” na nossa cabeça. Para sempre é muito tempo!

Quer dizer, não é porque você gosta de alguém que tem que ser eterno, a quantidade de tempo em nada influi. As vezes relacionamentos de meses são mais importantes do que os que duram anos. Tudo depende da intensidade e do momento. Essa coisa de que tempo é sinônimo de qualidade é um tremendo papo furado.

A prova disso é a quantidade crescente de divórcios. Não que as pessoas se divorciem por acreditarem que o “para sempre” delas acabou, elas se divorciam porque se casaram precipitadamente e com pessoas que não eram as certas para elas. Mas, analisem comigo, se um casal está infeliz, deve realmente continuar junto apenas porque ouviu a vida inteiro que o casamento deveria ser eterno?

Se o alvo máximo da busca das pessoas é realmente a felicidade, deve-se fazer tudo para conseguí-la.

O peso da eternidade é grande demais para ser carregado por muito tempo.

Por que nossos avós conseguiram se manter casados por tanto tempo? Porque para eles aquilo era lógico, simples e natural. Quando eles se casaram eles tinham certeza de que era aquilo que queriam e se sentiam realmente completos um com o outro, nesse caso 40 anos se passaram e eles continuavam sorrindo com as trocas de olhares.

Meus avós foram casados por mais de 50 anos e com certeza brigaram no meio do caminho, mas eles não tinham essa “pressão” para ficar juntos, eles juntos era a vida deles, separá-los seria a mesma coisa que tirar o oxigênio de alguém. Eu, particularmente, não os imaginaria separados, não acho que eles fossem sobreviver. Essas coisas acontecem também porque com o passar do tempo você acaba se acostumando com a presença da pessoa, não é mais o amor que os une e sim a rotina. Isso é meio chato, sob meu ponto de vista.

Quer dizer, eu não quero ficar casada por 50 anos com alguém que não acrescenta nada à minha vida. Acho muito complexo essa coisa de assumir compromissos perante outra pessoa, convenhamos. Não é porque você está em um relacionamento que sua vida deve parar. Mas a vida da maioria das pessoas para e isso me irrita completamente.

Existe toda uma pressão para ser feliz e pleno e quando as coisas não estão bem as pessoas demoram demais para admitir. Há vários casais espalhados pelo mundo que não se suportam, mas estar juntos tornou-se cômodo para eles, afinal, é trabalhoso conseguir um divórcio, além de ser caro e causar traumas e ser mau visto por muita gente. Eu penso que é muito melhor para uma criança crescer com duas casas e dois quartos do que com uma casa, um quarto e pais que ficam brigando o dia inteiro. Acho que a segunda opção causa muito mais traumas.

Todo esse complô para manter casais unidos começa desde cedo.

Na minha escola, por exemplo, tem um casal que termina e recomeça pelo menos duas vezes por semana. A menina é completamente apaixonada, mas o menino quer um relacionamento aberto e ela sempre pega ele dando em cima de outras garotas, fica brava, eles brigam, ela reclama pra todo mundo por uns dois dias e depois lá estão eles se agarrando de novo. Agora, me expliquem, qual a necessidade disso?

Por que as pessoas sentem tanta necessidade de ter outras pessoas ao seu lado?

Acho que se a gente nasceu sozinho é porque devemos ser capazes de sobreviver sozinhos.

Não estou dizendo que sou contra relacionamentos ou contra sentimentos, muito pelo contrário. Sou contra essa total banalização de sentimentos que faz com que as pessoas criem relacionamentos falsos apenas para satisfazerem suas necessidades físicas, esquecendo-se completamente das reais necessidades existentes. De que adianta você ter um namoradinho para te beijar na escola se quando você está triste e sozinha ele não vai te ouvir, te abraçar e te fazer sentir melhor? Sabe… Cresçam.

Isso é o que todas as meninas queriam ouvir um dia.

Sinceramente, quer ter um relacionamento? Boa sorte. Mas pare de ficar achando que tudo é eterno. As coisas terminam um dia e é muito melhor você aceitar isso do que continuar tendo uma vida de mentiras.

“De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.”

Soneto da Felicidade – Vinícius de Moraes

Talvez por isso eu tenha essas ideias “malucas”.

E sabe, estou escrevendo esse texto porque acabei de assistir pela enésima vez  a “Sexo sem Compromisso” que parece um filme banal, porque tem um nome banal, mas é bastante interessante. Tem a Natalie Portman e o Ashton Kutcher e o personagem da Natalie é super parecido comigo em vários quesitos, tanto que torna o filme interessante só por eu completamente me identificar. Foi assistindo a esse filme que eu percebi que não serei dessas que ficam casadas eternamente. Quer dizer, eu enjoô das pessoas com uma facilidade incrível, chegaria um momento em que eu ia acordar e pensar “O que ainda faço ao lado desse cara?” e isso não significa que me arrependerei de alguma coisa que fizemos juntos, significa apenas que está na hora de seguirmos a nossa vida, continuarmos com as nossas aventuras. Não me vejo brigando com alguém, não acho que eu deixaria chegar a esse ponto. Acho que tenho duas opções de futuro, na primeira eu moro numa casa enorme, sou velha e cuido de vários gatos e na segunda eu moro numa casa enorme, repleta de filhos, netos e bisnetos e tenho um marido que não vai ser o pai de todos os meus filhos, mas vai ser aquele que eu vou olhar e dizer “Você foi escolhido para compartilhar minha velhice comigo.” e nós seremos muito felizes juntos, com nossos momentos que provavelmente serão muito diferentes dos “momentos bons” de outras pessoas, porque serão os nossos bons momentos. E então eu não estarei em um relacionamento de conto de fadas, não terei um felizes para sempre, terei o meu “eterno enquanto dure” e farei com que dure o máximo possível.

Não me acho louca por pensar assim, não mesmo. Mostra apenas que sou apaixonada demais por tudo, tanto que não considero possível imaginar a vida inteira ao lado de apenas uma pessoa. Qual é a graça? Você vai conhecer tão bem a pessoa que tudo vai ficar monótono e chato. Além de que, casamentos parecem ser super legais, não vou conseguir planejar apenas um.

Nota de rodapé: Quando digo que enjoo das pessoas não quer dizer que de repente paro de gostar delas. Acontece assim: eu conheço uma nova pessoa, gosto automaticamente dela, grudo nela, enjoo, fico um tempo longe e só então começo a agir normalmente.

0 thoughts on “As coisas não precisam ser para sempre.

  1. Você enjoa muito rápido das pessoas e eu me apego muito rápido, hahaha. Nem vou te falar qual o meu sonho de futuro, porque você já está careca de saber!
    HAHHAA
    Beijinhos bebê!

    1. Eu me apego muito rápido, daí quero passar o dia inteiro com elas, não desgrudo por um segundo sequer e de repente puft, enjoei. Sempre assim. Grande merda, viu? HAHAHAH Beijoss!

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