Ela é dessas que a cada filme, seriado e novela que vê procura um personagem com o qual se pareça, se rolar uma identificação entre ela e qualquer um dos personagens, no ato aquele programa já se torna um de seus favoritos. A cada livro que lê, encontra um personagem com várias de suas características e na mesma hora, tal personagem assume seu corpo. Sim, ela imagina todos os personagens dos livros e sempre tem um que tem a sua cara e a sua voz, quando isso não ocorre é porque há um filme de tal livro, então os personagens já tem os rostos dos atores que lhes interpretaram anteriormente. Ao ouvir uma música, é a mesma coisa, ou ela admite a personalidade da pessoa que escreveu a música, ou assume-se como sendo a pessoa para quem a música foi escrita, sempre assim, como se tudo girasse ao seu redor.

Ela gosta de se encontrar em personagens porque assim consegue ver o que acontecerá se tomar certas atitudes ou for de certo jeito.

E é assim, buscando-se em cada um dos personagens que ela encontra as melhores maneiras de definí-la como pessoa.

Alice de “Alice no País das Maravilhas”

Muito mais do que alguém que corre atrás de um coelho e encontra um mundo completamente diferente.

Alice é alguém que sonha com absolutamente tudo a todo o tempo e acredita piamente que seus sonhos possam ser reais, mesmo quando tentam prová-la do contrário. Alice dorme e se vê num mundo completamente diferente, onde coisas fantásticas ocorrem, ela não teme o novo, gosta de aventurar-se, é sábia, corajosa e ao mesmo tempo extremamente ingênua e inocente. Acredita na bondade das pessoas e que tudo vai dar certo no final.

Eu sonho como a Alice, na mesma quantidade e com as mesmas loucuras. Talvez com um pouco de chá de cogumelo eu realmente seguiria um coelho e pararia num mundo completamente diferente, é algo que pretendo experimentar algum dia. Logicamente me falta a coragem de Alice, mas tudo que ela tem e eu não me inspira completamente.

Lenina Crowne de “Admirável Mundo Novo”

 

Lenina nunca foi desenhada por seu criador, a imagem ao lado é apenas o modo como algum fã a imagina e a desenhou, eu não sei desenhar, mas falei um pouco sobre sua história aqui.

Em meio a uma sociedade completamente sem liberdade, Lenina é uma das poucas pessoas que apresenta certa vontade de saber como as coisas seriam caso Ford não tivesse existido. Quando o selvagem se apaixona por ela e a quer somente para ele, ela surta, porque aquilo é completamente o contrário do que sempre foi ensinada a crer, então, mesmo gostando dele, o abandona, por não ser capaz de prender-se a apenas uma pessoa.

Infelizmente, sou muito parecida com ela. Desse tipo bobo que gostaria de ser várias coisas, mas não tem coragem suficiente para realmente sê-las. Que se submete a um modo de vida que a desagrada totalmente, somente porque dá trabalho demais tentar mudar algo. Sou tão acomodada quanto a Lenina, tão “sem amor” quanto ela e com certeza eu preferiria me embebedar de soma do que buscar a felicidade verdadeira em algum lugar por aí, dá trabalho demais e talvez não valha tanto a pena. Eu não gosto da Lenina, mas ela se parece muito comigo.

Blair Waldorf de “Gossip Girl”

Não que eu tenha seu estilo, um terço do seu dinheiro ou um Chuck, mas vejo muito de mim em Blair Waldorf.

Ela é uma garota mimada, que tem todas as suas vontades atendidas por todo mundo, vive rodeada de gente, mas tem apenas uma amiga de verdade e essa amiga sempre recebe todas as atenções, enquanto ela é deixada de lado. É grossa, estúpida, se acha melhor do que o mundo inteiro e acredita que o resto das pessoas são infelizes apenas por não parecerem com ela. Ama Chuck Bass com todas as suas forças e é capaz de fazer qualquer coisa pelo seu bem. Quando fica magoada com algo, realmente fica magoada e demora muito tempo para perdoar as pessoas. Está sempre disposta a ajudar seus amigos e fica extremamente irritada quando seus planos não dão certo.

Eu acho que tenho muito da Blair, principalmente essa coisa de ter pena do resto do mundo por fracassar enquanto tenta ser ela, porque sim, eu acho que se o mundo inteiro fosse um pouco mais parecido comigo, a maioria dos problemas atuais da humanidade simplesmente não existiria.

Ah! E eu sempre quis ter esse casaco amarelo.

Vampira de “X-Men”

 

Ela tem o poder mais legal de todos, é capaz de sugar toda a força das pessoas com apenas um toque, mas ela não se aceita. Acredita que não vale a pena ter um poder legal, se ela não pode encostar em ninguém. Sente falta de abraços, carinhos, do toque em sí e assim que surge uma oportunidade, ela abre mão de seus poderes, para poder ser livre para beijar seu grande amor.

Identifico-me com ela pelo fato de eu não me aceitar, não que tenha algo muito extraordinário em mim para ser aceito, mas é muito mais fácil me ver xingando a mim mesma do que às outras pessoas. Isso não faz de mim uma pessoa ruim, pelo contrário, como disse anteriormente, me acho boa até demais, mas não sou autêntica o suficiente. Se eu tiver que mudar o meu jeito de ser para conseguir me encaixar no mundo e ser mais aceita pelas pessoas, certamente o farei. Acredito que a Vampira seja a parte “fraca” do meu ser, aquele que é facilmente manipulada e surrupiada. Não gosto de ver os outros fazendo tudo que eu gostaria, mas não posso por algum motivo. Certamente trataria de acabar com esse motivo e me tornaria igual aos outros. No fundo, mesmo amando a instabilidade e a excentricidade, não me considero boa o suficiente para assumir tais características e a Vampira representa muito bem isso.

Effy Stonem de “Skins” (Geração 2)

Não sou bonita, rebelde ou corajosa como ela, mas certamente me considero tão louca quanto.

Effy foi o “pé no chão” da família a vida inteira, era ela quem ouvia as reclamações da mãe, suas brigas com o pai e até os problemas do irmão, mas ninguém ali estava interessado em ouví-la e por isso ela se rebelou. Perto de sua família agia como santa, mas na verdade de santa não tinha nada. Quando ela se apaixona pela primeira vez, aquilo sobe em sua cabeça e ela enlouquece. Na verdade, são vários os fatores que a fazem enlouquecer, mas eles não vêm ao caso no momento. O fato é que a Effy louca lembrou muito eu, quando estava quase louca. Indentifico-me absurdamente com a Effy, porque na minha família acontece basicamente a mesma coisa. Eu queria ter um pouco da coragem dela, para sair por aí e fazer o que me desse na telha e também queria ter amigos como os dela, que acompanhavam suas loucuras, mas a apoiavam sempre que precisava.

Luna Lovegood de “Harry Potter”

 

Luna Lovegood representa o meu lado “insano“. Identifico-me completamente com seu estilo, o modo como ela se veste, os acessórios que ela escolhe, usaria cada uma daquelas coisas, por mais “anormais” que possam parecer.

Luna nunca ligou muito pra essa coisa de “normal“, nunca se importou com o que os outros pensavam a seu respeito, apenas fazia tudo que dignava certo, contava para os outros tudo aquilo que acreditava, sem medo de ser rechaçada por isso, simplesmente não ligava para os outros. Ela é meu maior exemplo de excentrismo e autenticidade. Mas o mais admirável é a garra da Luna, ela faz tudo que é possível pelos seus amigos, está sempre disposta a ajudar a todos, mesmo quando riem dela. Ela se aceita do jeito que ela é e não tem medo de nada.

Ela é meu exemplo de vida. Sempre que eu faço algo não-usual e as pessoas riem, se assustam ou simplesmente perguntam “Por que você fez isso?“, eu fico com certo receio de mostrar quem gostaria de ser, mas daí me lembro da Luna, olho para as pessoas e digo “Porque eu quis.“, não me importo muito com o que os outros pensam, na maioria das vezes nem ligo quando ouço comentários toscos, afinal, os bobos são os que comentam, não eu, que estou apenas vivendo a minha vidinha normalmente. Acredito possuir a mesma simplicidade da Luna e a mesma boa vontade e altruísmo dela também.

Clementine de “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembrança”

 

Clementine é uma daquelas pessoas que não simplesmente existe, ela vive, bela e simplesmente. Muda constantemente a cor de seus cabelos, faz tudo o que der na telha e é completamente espontânea, é sua intensidade que faz com que o filme tenha uma história.

Eu sempre gostei de cabelos coloridos, desde pequena imploro para a minha mãe para pintar os meus, cada semana de uma cor, mas ela disse que só depois que eu tiver 18 anos e esse é o principal motivo para eu querer logo ter 18 anos. Fora isso, considero-me tão impulsiva quanto a Clem. Falo tudo que tenho vontade, sem realmente pensar antes, as vezes acabo magoando as pessoas, mas é inevitável, é meu jeito de ser. Quando fico brava com algo, tendo a ser tão explosiva quanto a Clem e acredito que quando eu for adulta, pelo menos no início da vida adulta, serei livre e espontânea quanto ela. Fora isso, ela trabalha numa livraria, outro dos meus sonhos de consumo. No fim, rezo para ser no mínimo parecida com a Clem daqui a alguns anos, tomara que minhas preces sejam atendidas.

 

Grace Violet Blood de “Skins” (Geração 3)

falei sobre quem ela é, portanto limitarei essas linhas a dizer em que somos parecidas. Grace é exatamente aquilo que ela precisa ser, o que significa que ela é completamente diferente conforme as pessoas que a rodeiam. Ela vive atuando, interpretando papéis e é difícil saber quando ela está realmente sendo ela mesma. Exatamente como eu faço a minha vida inteira.

Ela gosta de artes e tem uma família engraçada e diferente das demais, acredita nas histórias infantis e sempre corre atrás de seus sonhos, por mais impossíveis que eles possam parecer. E fora tudo isso, ela tem o namorado mais perfeito do mundo, que é a personificação de tudo que eu gostaria de ter, pelo menos atualmente.

No fim, ver a Grace sempre foi o mesmo que ver a mim ali, participando de todas aquelas maravilhosas festas que só Bristol tem. Acho que nunca outra personagem de séries será tão eu quanto a Grace consegue ser.

 

Cristina de “Vicky Cristina Barcelona”

Se eu conseguisse me imaginar no futuro, acredito que seria extremamente parecida com a Cristina. Ela tem a mesma visão de amor que eu tenho e a mesma vontade incessável de conhecer coisas novas, sem nunca se satisfazer com nada. Ela atinge o auge da felicidade, mas simplesmente enjoa daquilo e abandona tudo, extamente como eu faria/faço sempre que me vejo “bem” demais. É como se nós duas precisássemos sempre de algum motivo para nos manter um pouco tristes, como se gostássemos disso.

Ela não sabe o que quer da vida ou o que gosta de fazer, por isso tenta fazer várias coisas, descobre seu refúgio na fotografia e passa a viver para aquilo. Possui uma vida simples, bela, espontânea e sem pressões para se encaixar em algo. Possui uma melhor amiga que a acompanha em tudo, mesmo que discorde da maioria de suas atitudes e, principalmente, ela possui um relacionamento maravilhoso ao longo do filme, algo que eu já me imaginei fazendo várias vezes e que realmente gostaria de fazer acontecer. Cristina é a personificação exata de grande parte do que eu sou agora e de tudo que eu gostaria de poder ser algum dia. Nós compartilhamos muitas coisas, muitas indignações e teorias. E eu realmente me imagino como ela, livre, leve, solta, espontânea e sem medo de fazer o que tenho vontade. Não sou assim agora, mas estou trabalhando nisso, porque realmente acho maravilhoso quem consegue viver, no melhor sentido da palavra, sem se preocupar com quem estará incomodado com isso. Cristina é a junção do que eu sou com o que eu quero ser, é uma das identidades mais perfeitas de mim.

 

Mia Termopolis de “Diário da Princesa”

Finalmente cheguei à personagem que me fez ter vontade de escrever este texto. Gostaria de saber desenhar para fazer a Mia exatamente como eu imagino, porque a escolha de atores para o filme foi péssima. Na verdade, o filme inteiro é péssimo. Filmes baseados em livros geralmente são ruins, mas pelo menos contam a mesma história, os filmes desse livro foram um fiasco, o primeiro é até bonzinho, mas o segundo, me dá raiva só de lembrar. Fora que os atores (mesmo sendo bons) não têm absolutamente nada a ver com os personagens descritos na obra literária de Meg Cabot. Sou completamente revoltada com isso. Mas enfim, vim aqui falar da Mia.

Eu sou absolutamente idêntica a ela.

Destrambelhada, feia, com o menor tamanho de sutiã existente, impopular, antissocial, viciada em filmes, sorridente, sistemática, cheia de manias, meio chata e metida, inconsequente, sonhadora e, principalmente, sem talento algum. Eu e a Mia somos a mesma pessoa, só que com nomes diferentes. Inclusive, sempre que penso em colocar um nome artístico, o primeiro que me vem à cabeça, certamente é “Mia“. Sim, porque não é apenas na mania de fazer listas a respeito de tudo que somos parecidas, somos parecidas no modo de agir, pensar, falar, tu-do. As vezes acho que acabei ficando igual a ela porque lia seus livros enquanto era pré-adolescente e é mais ou menos nessa época da vida que a gente se define como pessoa, realmente não sei, mas a cada problema que surge na minha vida, cada impecilho, cada coisa pela qual eu passo, simplesmente me lembro nitidamente da carinha da Mia Termopolis que me diz o que devo fazer para melhorar a situação. Somos igualmente medrosas, covardes e até na pira com os namorados, nos considero parecidas. Logicamente eu não tenho um Michael Moscovotiz e nem um JP, mas isso é apenas detalhe. O fato é que todas as vezes que aprendo sobre uma nova doença, vou logo achando que a possuo, sempre que penso me apaixonar por alguém, a coisa começa do jeito mais bizarro possível, tenho uma auto-estima baixíssima, gosto de me intrometer na vida das minhas amigas, sempre faço promessas que não cumpro, sou absurdamente mentirosa – minto sobre a mais ampla variedade de coisas, as vezes sem mesmo perceber -, já passei muito tempo da minha vida procurando a tal “auto-atualização“, precisei frequentar aulas de etiqueta, não tenho bom gosto para roupas, gosto de estudar sobre meus antepassados, uso óculos e as pessoas sempre se aproximam de mim quando querem algo e me abandonam assim que conseguem o que queriam. Já estraguei a melhor das amizades que tive, mas consegui recompô-la com o tempo, gosto de listar todas as coisas possíveis, analiso e penso muito antes de tentar fazer algo, escrevo sobre tudo que acontece no meu dia-a-dia, minha mãe é artista e… enfim, acho que a única coisa que nos difere é o fato de eu não ser princesa, não ter um mordomo ou uma limosine, não ter uma avó chata, nem um professor de matemática que vira meu padrasto e, infelizmente, não ter um Fat Louie (é o gatinho dela) por perto.

O incrível é que ultimamente, com toda essa pira de “futuro” me assombrando, paro pra pensar na Mia e lembro que ela era tão perdida na vida quanto eu, até que contaram pra ela que ela tinha sim um talento, ela escrevia o dia inteiro no diário dela, escrever era o talento dela. Daí eu fico pensando “Puxa, eu escrevo um bocado também, será esse o meu talento?“, mas as minhas notas nas redações me fazem ver que, infelizmente, não é. O importante é que ainda tenho tempo suficiente para descobrir qual é realmente o meu talento e espero descobrí-lo rapidamente. No fim, até o fato de gostar de nerds a Mia tem e no ano em que eu estava super depressiva, comecei a ler o livro novo dela e ela também estava, por motivos bem parecidos inclusive! Sério, Mia Termopolis foi um personagem baseado em mim, pela querida Meg Cabot. Não sei, ela estava dormindo, sonhou comigo, acordou e resolveu começar a escrever o livro, porque olha… Nunca encontrei uma explicação mais plausível. Sei que as vezes até me assustava com a nossa semelhança enquanto a lia, mas grande parte de mim acredita que fui eu quem herdei algumas das várias características Termopolescas e não o contrário, no fim, acho que isso nem importa muito.

Bom, gostaria de pedir desculpas pelo texto extremamente enorme, sei que muitos não têm tempo para ler coisas assim, mas eu estava precisando falar um pouco sobre as minhas identidades, tendo em vista que utilizei esses 15 dias de folga para tentar encontrar um pouco de mim dentro de mim mesma, a conclusão chegada é basicamente que se você fizer a conta: Alice + Lenina + Blair + Vampira + Effy + Luna + Clementine + Grace + Cristina + Mia, vai chegar a um resultado bem próximo da chamada Mayra.

0 thoughts on “As muitas identidades de mim.

  1. Foi tanta informação nesse post que nem sei sobre o que exatamente comentar, hahaha. Mas eu acho que de Blair todo mundo tem um pouco, apesar de que em mim eu acho que é beeem sutil. Sou muito Alice, acho que sou muito diferente da Mia, e acho que sou meio Hermione também, mas você não falou dela, hahaha.
    E eu AMO o cabelo da Luna, e tenho um pouco dela também, e admiro, demais, a simplicidade e a calma dela. O mundo caindo em Hogwarts, e ela avisando toda tranquila pro Harry que ele devia procurar o fantasma da Helena. E isso era verdade. Não adianta nada desespero e correria, se ele não sabia nem pra onde ir. Eu acho isso lindo, porque eu desespero muito fácil, e não adianta nada a gente se desesperar, tem que procurar um rumo antes.. Nossa filosofei, ahhaa. Beijos!

    1. Filosofou mesmo, hein. HAHAHAH
      Pois é, a Luna é um amor <3
      Não falei sobre a Hermione porque sou completamente diferente dela, em todos os aspectos possíveis, daí não fazia sentido colocá-la aqui ;x

  2. Nossa…. Invejo a facilidade que você tem de se descrever tão a fundo, sem se importar com as consequências amanhã, como serão as reações… É preciso muita coragem para expor qualidades e defeitos assim… XD

    1. Bom… acredito que escrevendo a fundo sobre mim acabo me conhecendo melhor e quanto melhor me conheço, mais fácil é a minha sobrevivência e a minha convivência com as outras pessoas. Se não gostarem do que escrevo sobre mim, não há nada que eu possa fazer, afinal estou falando de mim mesma, então a opinião alheia tem menos importância do que a minha. Demorei bastante, mas acho que adquiri segurança o suficiente para admitir meus erros e acertos sem temer o amanhã, um passo para a pessoa que eu idealizo ser no futuro. Quanto à coragem, só a tenho por aqui, infelizmente, mas estou trabalhando nisso já!

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