Batalhas

Curitiba é uma cidade conhecida por seus parques e outros pontos turísticos. Só que aqui tem jovem e jovem gosta é de sair pra se divertir e nem sempre um piquenique no parque é suficiente. Lugares para se ir não faltam, tem para todos os estilos e gostos, sendo a maioria com um cardápio farto porque as pessoas gostam é de comer. Hamburguerias não faltam assim como bares com música ao vivo. Há também várias opções de festas sertanejas e etc. E há o James.

James é um lugar relativamente pequeno, alvo de muito preconceito do senso comum que o afirma como “bar gay”. Não é bem assim. O que ocorre lá é uma não repressão, uma liberdade ao afeto, independente da maneira como se apresente e eu, particularmente, não vejo o menor problema nisso. Mas a fama de “bar gay” o prejudica também pelo fato de acharam que só toca Lady Gaga, Britney Spears e Madonna e ai meu coração. Quando eu escuto uma dessas fico revoltada. Porque o James é muito mais do que isso. James, meus caros, é vida. É o lugar que todos os kings do blasé saem para dar um rolê. É a balada mágica que tem um mar de sofás e cadeiras no segundo andar. É aquele lugar diversificado que toca músicas para todos os gostos, tendo dias específicos e festas especiais. Que raramente é capaz de decepcionar pelas músicas. Que te faz gritar com toda a força que “fuck you I won´t do what you tell me” e em seguida debulhar-se de lágrimas com “don´t waste our time on me you´re already the voice inside my head“. E como se não bastasse ser um lugar maravilhoso ainda há a vantagem de o ingresso mais caro custar apenas R$18, sendo que nas sextas-feiras que têm a festa “alta fidelidade” basta você colocar seu nome na página que paga menos, eu já cheguei a entrar lá pagando apenas R$7! E em meio a toda essa magnitude de lugar em que você pode ir vestido como quiser e ser simplesmente você porque ninguém vai no James pra julgar o outro, há o dia da Batalha.

Calma, é uma batalha de músicas conhecida como “Batalha de iPods”. Eu não sei de quem foi essa ideia, mas a pessoa é tão gênia que merecia um lugar no céu só por essa invenção. A batalha é assim: são oito equipes. Pessoas comuns, eu e você. Elas se cadastram no site e enviam uma playlist de músicas e esperam pra ver se passaram na seleção. O segredo é ter um bom nome e músicas maravilhosas. Se tiver alguma música repetida na playlist das equipes elas são avisadas pra trocarem e tal. Enfim, oito equipes. Sobem ao palco duas por vez. Elas tiram par ou ímpar. A equipe 1 toca sua primeira música, depois é a vez da equipe 2 tocar a sua. Em cada rodada são tocadas três músicas por equipes e no final a plateia ensandecida que aguarda em frente ao palco faz muito barulho pra decidir quem passa pra próxima fase. Sobram 4 equipes, elas vão pra semi-final. Acontece tudo de novo e depois vem a grande final, que consiste apenas nas músicas mais legais do mundo. Ocorrem várias batalhas ao longo do ano (provavelmente oito, rs) e no final os vencedores de cada uma participam da batalha final, o esquema é o mesmo, só que dessa vez quem vence ganha iPods.

Se a ideia da batalha já é legal, vocês nem imaginam como ela funciona na prática! Toca absolutamente todo tipo de música, os nomes das equipes são hilários, a apresentadora é maravilhosa e os integrantes da equipe ficam dançando no palco pra tentar interagir com a plateia e agarinhar mais alguns votinhos. É absurdamente impossível sobreviver a uma batalha com a voz impecável. Eu sempre fico rouca. É claro que é o dia mais lotado, a batalha começa meia noite, mas o James abre às 22h. 21h a fila já está na esquina e quando falta meia hora para abrir são distribuidas senhas com o número de gente que cabe no lugar. Na hora que abre todos que tem senhas entram e os que não tem ficam do lado de fora esperando alguém sair pra conseguir entrar. A luta por espaço é instantânea, mas quando você consegue um espaço bom, perto do ar condicionado e na frente do palco, o esquema é ficar ali dançando loucamente até a batalha começar.

O clima do lugar, que já é maravilhoso, em dias de batalha fica ainda melhor. Nestes dias é raro ter aquela coisa que eu detesto de pessoas caçando parceiros afetivos, mas não é nenhum pouco raro você ver pessoas pulando, gritando, dançando mais loucas do que em um harlem shake e completamente felizes. A batalha de iPods além de ser uma atração absurdamente fabulosa só acontece em finais de semana ou vésperas de feriado, custa R$18 reais, você tem que ficar muito tempo na fila, mas vale tanto apena que esses detalhes são deletados rapidamente. Afinal, não é todo dia que você escuta Raimundos, Gaby Amarantos, Charlie Brown Jr, Florence + the Machine, Evanescence e Lelek lek lek no mesmo lugar.

Eu, que vivo à procura de algo que possa substituir as maravilhosas festas de quinze anos, declaro que encontrei. Que as Batalhas de iPod têm um poder tão instantâneo de me fazer feliz e infinita que até esqueço de qualquer possível desgraça que esteja ocorrendo na vida. Acho que a sensação que os fanáticos por futebol sentem quando xingam o juiz pode ser facilmente equiparável à minha gritando pra minha equipe favorita ganhar. O James é o meu futebol e um bleh bem grande pros que recriminam os frequentadores.

0 thoughts on “Batalhas

  1. Só fui no James uma vez, mas agora quero muito voltar em um dia de Batalha! Não conhecia bem o funcionamento, e você me deixou bem curiosa pra participar. Só não entendo esse preconceito que o pessoal em geral tem com o James: achei muito legal quando fui, e não vi nada que desse margem pra tanta falação. Pessoal gente boa, fiquei bem tranquila, ninguém ficou cercando. Foi lindo e muito divertido! (=

  2. Esse post foi só pra reforçar meu SONHO que é ir no James com você, né?
    E cara, você precisa vir pra Uberlândia pra eu te apresentar o meu James, que atende por 185: mesmo esquema de fama de balada gay pra quem não conhece, mas que na real é só um lugar friendly com todas as opções. Já rolou Batalha da iPod numa pizzaria perto de lá, organizada pelo coletivo que é dono do lugar, mas nunca fui, acredita? Sei que minhas festas preferidas são o karaokê, que é FANTÁSTICO, e uma que chama Dança, Irene!, que é só com repertório trash, de Empreguetes e Sandy Jr, passando por Xuxa, pagodes variados, etc. É um clima muito bom, todo mundo se diverte absurdos e aaaaaaaaai queria você comigo lá um dia dançando horrores <3

    te amo!

    1. PRECISO DESSA FESTA DA IRENE! GENTE!!!!!! ACHO QUE NÃO IA DORMIR POR ANOS DEPOIS DE ALGO ASSIM! QUE COISA GENIAL! PRECISO DE UBERLAAANDIA HAHAHHAHA

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