BEDA #30 Medida Certa

Minha mãe nunca foi apenas mãe, ela sempre foi minha amiga. É que eu nunca fui do tipo que faz muitos amigos pela vida, então tive a sorte de ser deixada com uma mãe que cumprisse os dois papéis.

Em alguns momentos achava que isso viria a ser diferente, que a gente ia parar de conversar sobre todas as coisas, porque eu ia crescer e tal. E, bem, talvez o dia de a gente parar de conversar sobre todas as coisas chegue, mas acho que está longe. No momento, a gente senta na mesa da cozinha, nos nossos momentos de café, e conversamos sobre tudo que dá na telha. Uma coisa bem Gilmore mesmo. E talvez uma das principais razões para eu gostar tanto do seriado.

Poucas são as pessoas que conheço que conseguem passar tanto tempo com a mãe sem se sentir incomodada e que sente liberdade para falar que não está afim de conversar sobre aquele assunto ou naquele momento. Sempre brinco que acabo sendo mais mãe dela do que ela minha, mas, na verdade, sei que a gente cresce e aprende juntas. Muito melhor do que separadas, aliás. Ela não nasceu sabendo como seria ser minha mãe, da mesma forma que não nasci sabendo como seria ser filha dela. Mas, sinceramente? A gente manda muito bem nesse negócio.

Creio que a minha relação com a minha mãe seja a mais bem resolvida da minha vida. E nem é uma coisa pra parecer bonito em blog, é que, bem, é a minha mãe. Acho difícil que alguém a conheça e não comece a se dar bem logo de cara. Ela é incrível. E, no auge dos meus dias depressivos, minha razão para continuar viva. Enfim, eu tô escrevendo tudo isso pra dizer pra vocês que as vezes a gente mora com pessoas incríveis e que nos amam absurdamente e estamos tão fechados em nós, que não nos dignamos a prestar atenção nelas. Enquanto isso, ficamos carentes e procurando atenção de outras pessoas, enquanto aquelas, por sua vez, fazem o mesmo. E tudo poderia ser resolvido diretamente, com um bom abraço e um “obrigada por ter me parido e cuidado de mim até hoje”. É, que, sei lá, como ela sempre me fala, mãe a gente tem só uma. E, bom, na maioria das vezes é exatamente a medida que a gente precisa.

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