Existem coisas que nos irritam assim, de graça. Uma das atitudes que mais admiro é a de exercitar-se não se importar com as irritações, valorizando o que as pessoas e situações suscitam de positivo. A professora de yoga diz que isso nos torna mais leves, mas ainda é uma atitude distante para mim. Pensando em termos de sessão descarrego, resolvi elencar algumas coisas que existem e eu adoraria poder viver sem.

Cabelos Desidratados

Não me venha com “é difícil manter cabelo colorido” que eu passei dois anos com o cabelo hiper-descolorido e tinturado e depois pintei ele da cor normal e ele nunca foi nem 20% da merda que é o cabelo da maioria das ruivas de farmácia e das que fazem californianas. Pessoas com cabelos coloridos de verdade – azul, amarelo, etc – geralmente gastam tanto com a tinta e com o processo de fazer o cabelo que cuidar dele se torna essencial, então elas compram inúmeros cremes e fazem de tudo para ter pontas bacanas e algo bom de se encostar. Pessoas que pintam o cabelo de cores “naturais” raramente têm os mesmos cuidados, ou seja, passam o shampoo, o condicionador, dão uma penteada e está ótimo. E o cabelo fica elástico e a falta de queratina começa a gritar e você anda na rua e se desespera ao ver todas aquelas cabeças pedindo socorro e você fica agoniada e desejando que todo mundo usasse véu só pra cobrir isso. Então, fica a dica: se você pinta o seu cabelo, não importa a cor, compre uma ampola de hidratação ou um creme de R$3 qualquer. E tenha um finalizador pra ajudar nos fios elétricos e elásticos.

Pessoas que escrevem errado

Não falo aqui de pessoas que não tiveram oportunidade e/ou condições de estudo, porque para estas eu abro exceção com gosto. Falo daquelas que tiveram oportunidades e condições e ainda assim falam “vamos ir”. Normas e regras são primordiais, gente. Sou super a favor de ser fora da lei, mas não no que diz respeito à escrita!!!! Se existe a opção de justificar um texto, por que raios ele ainda está alinhado à esquerda? Se há mais de 50 tipos de fontes diferentes, pra que usar comic sans ms? Se existe corretor do windows, google translator, dicionário online, dicionário de sinônimos e o próprio google: por que tantas palavras erradas e tantas regras gramaticais totalmente zoadas? Não estou dizendo que devemos usar mesóclises e a segunda pessoa do singular/plural perfeitamente conjugadas. Não vejo razões para o arcadismo da língua, mas acredito que as regras estão aí para serem respeitadas e se todo mundo teve no mínimo 11 anos de aulas de português era para terem aprendido alguma coisa! Minha dica é: paguem um revisor/corretor pros seus textos antes de me obrigarem a lê-los. Meus olhos estão cansados de gritar com tantas gafes.

Preconceitos

Seguinte, eu sou cheia de pré-conceitos. Nível nunca cogitar ir a um pagode simplesmente por pensar que deve ser péssimo (mas pretendo ir em um, só pra atestar empiricamente). Acho, porém, que há uma diferença entre pré-conceitos e preconceitos. Os pré vêm antes de a gente ter contato com a coisa, é aquela noção que te vem em mente na primeira vez que te dizem que na China comem escorpião. Não significa que você nunca fará isso, que condena quem faça isso ou que odeia a ideia de fazerem isso. Significa apenas que, à primeira pensada, é escroto. O preconceito, pra mim, é diferente. Ele acontece quando você sabe que a coisa existe, você vê acontecendo, ela tá ali do seu lado e você, sem nunca ter pensado em tentar entender, sai pelo universo (principalmente o das redes sociais), falando besteiras sem fim. Por exemplo, eu, no Brasil, com uma concepção de mulher específica, olhando para uma muçulmana e chamando ela de reprimida, boba, não ouvida ou afins, simplesmente por ela usar burca/hijab é um pré-conceito. Porque eu não sei sobre a coisa, não tenho contato ou conhecimento com ela (embora com a existência do google essa desculpa seja mais que esfarrapada). Se eu, no Brasil, a partir desse pré-conceito abordar uma muçulmana de forma pejorativa ou difamá-la por causa de suas vestes, estarei tendo preconceito. Ou seja, o preconceito, pra mim, vem do pré-conceito, mas nem sempre o pré-conceito vira preconceito. E para evitar esse desencadeamento a gente tem que aprender a dar uma pesquisada nas cosias antes de sair dando opiniões mal formuladas sobre a vida alheia.

Eu poderia ficar falando o resto da minha vida sobre cosias que eu aboliria no mundo, considerando que a minha raiva para com ele aumenta a cada dia, e que em muitos deles acho que aboliria a mim mesma por ser uma praga. Mas a verdade é que se eu fosse Deus não aboliria os cabelos desidratados das pessoas que escrevem errado e são preconceituosas (inclusive para com as de cabelos desidratados e as que escrevem errado, tipo eu). Na real, se eu fosse o todo poderoso ia ficar no meu canto morrendo de rir da desgraça alheia. Afinal, é o que as videocassetadas do Faustão (pera, por que ele ainda não foi abolido?) me ensinaram desde a concepção do meu intelecto. Como diria Fernando Anitelli em uma de suas frases passíveis de ser levadas para a vida: esse mundo não vale o mundo.

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