Bem-vindos ao mundo mágico dos sonhos!

Se vocês estivessem lendo o Bonjour Circus, provavelmente achariam que esse texto seria sobre a arte circense e suas maravilhosidades, mas vocês estão na casa de um alien e aliens não seguem a mesma linha de raciocínio do que os humanos normais. Por isso, esse texto é sobre outra coisa.

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No século XIX utilizaram a técnica de filmagem para retratar a vida cotidiana. Um dos primeiros filmes a serem exibidos no cinema era simplesmente um trem chegando à estação, mas a plateia estava tão absurdamente extasiada com a coisa que se abaixou e gritou, achando que o trem os atropelaria. Pouco depois, perceberam que a técnica poderia ser usada para contar histórias e foi assim que se iniciou esse universo maravilhoso, que conhecemos hoje, chamado: “Cinema”.

Um dos primeiros cineastas dessa segunda época foi George Méliès, que fez mais de 500 filmes! Ele produzia o cenário, escrevia o roteiro, ensaiava e contratava os atores, atuava e depois ainda editava e ajudava a preparar todos os efeitos especiais. Foi ele quem descobriu que aquele seria um ótimo lugar para transformar todos os nossos sonhos em realidade e é graças a suas iniciativas que hoje em dia pagamos uma pequena quantia para que por cerca de duas horas adentremos em um universo completamente diferente, onde tudo é possível. Direta e indiretamente graças a ele é que foi feito “Hugo Cabret”, o filme que passou na propaganda da televisão por um mês inteiro e em que a chamada dizia “o mais indicado para o Oscar” ou qualquer coisa assim. Não pude acompanhar a grande festa da Academia, portanto não sei quem ganhou Oscar de que, tudo que sei é que o de melhor filme ficou com “O Artista”, maravilhoso e surpreendente, por ser mudo em plena era 3D. O de melhor ator ficou com seu ator principal e de melhor atriz com a queridíssima Dama de Ferro, Meryl Streep. Não sei dos outros, não sei se Hugo conseguiu ganhar algo ou serviu apenas para bater recordes de indicações, mas sei que deveria ganhar. Deveria ganhar porque fui ao cinema esperando um menino que fosse muito bom em engenharia e construísse uma espécie de robô e a partir disso surgiria um enredo não inovador e que serviria apenas para descansar um pouquinho, daí chego na sala e descubro que na verdade é um filme sobre cinema, lá nas suas origens. Sobre Méliès, perseverança, inteligência e, principalmente, com um maravilhoso cunho existencialista. Com esse filme aprendi que nem tudo em Paris é cheio de luzes, mas que até na escuridão há histórias belas. Aprendi realmente que tudo tem um motivo e que não devemos ficar tentando compreendê-lo, apenas devemos agir sabendo que não estamos agindo à toa. Aprendi que aventuras sempre são maravilhosas e pude ver uma pessoa que só viu um filme depois dos dez anos de idade, enquanto a outra teve que abster-se do mundo da leitura precocemente.

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Com esse filme me imaginei num universo sem filmes. Imaginei um universo sem filmes, onde tudo que pudéssemos ter contato fosse a realidade. Mas sem filmes e com livros, ainda haveria porta para fantasia, de certa forma, embora a imaginação da população precisasse ser fenomenal e o índice de alfabetização tão bom quanto. Imaginei um mundo sem sonhos, onde tudo simplesmente acontece, sem fantasia, sem alma. Não que eu acredite em alma, porque não consigo crer 100% nisso, mas costumo utilizar a palavra quando quero me referir a algo interno, íntimo, a um sopro de vida que seja. Talvez o sopro da vida seja a nossa alma e só isso. Mas enfim. Eu vi um relógio por dentro, imaginei que devem ter pessoas que trabalham nos relógios das catedrais e afins e eu nunca tinha pensado nessas pessoas!

Sorri, diverti-me e amei. Amei profundamente, cada um dos segundos, todos os quadros do filme. Excepcionais. O 3D não é lá essas coisas, mas desde que ele foi banalizado deixou de ser essas coisas, porque no fundo tudo que vira normal perde a graça. O foco é a história, a pureza e obviamente não podemos deixar de homenagear os atores fantásticos, os figurinistas e os cenógrafos, os maquiadores e, principalmente, a feliz pessoa que colocou e fez a trilha sonora. Devemos agradecer cada um dos milésimos de segundos passados ali, cada um dos pequenos atos, os pequenos detalhes. Porque se o filme conseguiu ser bom mesmo sendo dublado é porque ele é realmente bom. Porque filmes franceses ou passados na França quase sempre são bons, embora eu não ache que atualmente a França seja boa. E ali, vivendo uma das mais fantásticas experiências cinematográficas da minha vida, vejo nos créditos um nome que me atrai aos cinemas desde que me entendo por gente. Dessa vez ele não era o ator mais bem caracterizado e convincente, ele estava por trás das câmeras, como produtor. Talvez não tenha sido sua primeira produção, se tiver ele merece ainda mais aplausos. Johnny Depp. Um dos poucos nomes da cinematografia que nunca me decepcionou e creio que jamais o fará, porque ele teria que nascer de novo para conseguir decepcionar alguém, pelo menos para conseguir decepcionar a mim.

Eu não sei quanto tempo aquele filme durou, mas poderia ser eterno. Pretendo rever, futuramente comprar o DVD e desde já aliá-lo a minha não tão seleta lista de filmes favoritos. Porque vocês conseguiram, fizeram com que uma cinéfila antes triste por não ter ido fazer faculdade de cinema, ficasse feliz novamente, sentisse-se em casa, em seu fantástico mundo dos sonhos. Porque o meu mundo dos sonhos é bem ali, naquelas cadeiras vermelhas em frente às cortinas falsas semiabertas vendo o que quer que esteja passando, desde que passe sem parar.

Hoje eu redescobri que preciso trabalhar num cinema um dia. Fazer um curso de cinema um dia. Tornar-me cineasta E atriz um dia. Ser feliz um dia. Um dia.

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P.S.: O mundo do circo não perde por tanto do cinema em nível de fantastiquice 🙂

0 thoughts on “Bem-vindos ao mundo mágico dos sonhos!

  1. Achei lindo esse filme, e ele ganhou um número legal de Oscars, May. Acho que uns 5 ou 6. Mas nunca vou engolir ele ter levado o de efeitos especiais, porque esse era do Harry Potter com certeza.
    Odiei a traução do título, afinal de contas, o menino não inventou nada!
    Mas amei o fime! *_*

    1. SIM ESSA FOI A MINHA BIG QUESTION!!! POR QUE RAIOS O NOME DO FILME ERA INVENÇÃO SE ELE NÃO INVENTAVA PORRA NENHUMAAA??? AFFFSSS. Mas é genial.

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