Sempre fui adepta aos botões, a nível de não conseguir entender como as pessoas conseguiam sobreviver sem eles em seus celulares touch screen. Sempre prezei pela existência dos botões e meu maior medo tecnológico é chegar um dia em que o controle remoto não necessite de botões. Porque poucas coisas são tão relaxantes quanto apertar botões. Porque é completamente diferente apertar com toda a força o botão “desligar” do telefone quando você quer desligar na cara de alguém do que simplesmente tocar em “encerrar” quando quer terminar uma chamada.

Após um período de resitência incrível para pessoas como eu, que sempre querem estar seguindo o fluxo de desenvolvimento tecnológico existente – ok, eu uso meu diskman as vezes e nunca tive um iPod, mas é porque não ligo muito pra música – no últmo mês entrei em contato com meu primeiro apetrecho touch screen, um celular android. Os primeiros dias foram de uma bizarra relação de estranhamento, na qual eu ficava chateada ao escrever uma palavra e ela sair errado e queria insistentemente voltar aos meus botões e rogava praga aos desenvolvedores de tecnologia por não terem inventado androids com botões.

Aí passou. Aí eu me acostumei a ficar deslizando meus dedos por um teclado swype o dia inteiro e a ficar completamente vesga de tanto olhar pra uma coisa minúscula. Acostumei-me a tweetar, facebookiar, enviar e-mails, ouvir músicas e até moderar os comentários do meu blog através daquele apetrecho. Usei-o para ligações pela primeira vez nesta semana, porque até então elas haviam sido completamente inúteis. Assim como as sms’s, que foram drasticamente reduzidas. A média pré android era de 100 sms’s diárias, pós android não consigo passar de dez.

Livrei-me do meu apego aos botões e apeguei-me a aplicativos que antes eu julgava inúteis e retardados. Passei a ser uma usuária ativa do instagram e encontro-me altamente viciada no tal “whatsapp”, porque ele é como um msn e pessoas velhas de verdade gostam é de velharias. Whatsapp é a versão tecnológica do msn e me emputece saber que só quem tem determinados tipos de telefone pode ter acesso àquilo, porque é tranquilizador poder comunicar-se com quem lhe é quisto sem estar atrelado a uma rede social repleta de outras distrações e funcionalidades.

Agora, por mais que eu goste de ficar conversando o tempo todo com quem eu gosto, consigo ter um controle maior sobre a coisa. Consigo filtrar melhor com quem eu falo. Consigo movimentar meus dedos com mais leveza e sem exigir muito dos meus tendões e articulações. Consigo relaxar utilizando os botões do teclado do meu computador, que continuam a ser pressionados com uma força abrupta e velocidade irreparável e, claro, continuo a comprar inúmeras roupas que possuam botões, dos mais diversos tipos e a passar vários minutos da minha vida mudando o canal da televisão até ficar bem zen.

É assim que se faz na vida moderna.

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