Buffy – The Vampire Slayer

          Viciada em séries como sou, resolvi fazer textos separados explicando porque gosto de cada uma delas e o que acontece nelas – a fim de ganhar mais pessoas para assisti-las!

          Ouvi falar de Buffy pela primeira vez nos livros da série “O Diário da Princesa“, escrita pela Meg Cabot. A personagem principal, Mia Thermopolis, é fã da série de televisão e vive contando em seu diário o que acontece naquele universo fictício. Como todas as coisas às quais Mia demonstra gostar, esta é mais uma das que os leitores se sentem curiosamente obrigados a saber mais sobre o que se trata. Acontece que eu resisti, até o momento em que, passeando pelo Netflix, descubro que todas as temporadas da série estão lá disponíveis. Resolvi, então, assistir ao primeiro episódio, mas não gostei e larguei mão. Até que, em meados de 2015, meu namorado chega até mim dizendo que começou a assistir o seriado e que é a minha cara e pede para que eu dê uma chance. Como ele tem um ótimo gosto para seriados e filmes e sabe do que eu gosto, resolvi assistir. E terminei tudo em menos de quatro meses, porque foi impossível parar de ver.

          A série teve início com um filme lançado em 1992, que contava a história de uma adolescente chamada Buffy que descobria ser uma Slayer e começava a ser treinada para acabar com infortúnios maléficos que surgissem no mundo. O filme não teve o sucesso esperado, mas em 1997 resolveram pegar a história e transformar em um seriado, dessa vez, com maior êxito. A série teve duração de sete temporadas, indo ao ar entre 1997 e 2003 e tendo sido continuada por mais três temporadas de HQ e alguns livros. Houve ainda um spin off, com um dos personagens principais das primeiras temporadas, em que sua história recebia foco maior. Trata-se do seriado Angel, que foi ao ar entre 1999 e 2004, tendo cinco temporadas e cento e dez episódios. Ainda não tive a oportunidade de assisti-la, sendo o meu contato com o universo restrito ao seriado da Buffy.

          Buffy: The Vampire Slayer (Buffy: A Caçadora de Vampiros), teve duração de cento e quarenta e cinco episódios e ganhou onze prêmios por sua produção, além de ter sido indicada para outros vinte e quatro. Foi criada por Joss Whedon, que acompanhou a produção do início ao fim, mas recebeu o auxílio de David GreenwaltMarti Noxon. A série teve um impacto tão grande em seu país de origem (Estados Unidos da América) que, além de aparecer na série literária de Meg Cabot, deu origem a um ramo de estudos intitulado “Buffology“, onde são discutidas teorias relacionadas com a série e outras coisas sobre ficção científica e fantasia. Há cursos sobre isso ministrados em diversas universidades do país e inúmeros trabalhos acadêmicos que versam sobre este assunto. No Brasil, até onde sei, há o trabalho de Willian Perpétuo Busch, sobre um episódio da primeira temporada, a ser publicado em breve.

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          Bom, a série é basicamente sobre a Buffy, que é uma caçadora de vampiros. Ser uma Slayer é algo genético. Há várias meninas pelo mundo que têm a propensão a serem Slayers, mas apenas uma em cada geração se torna, de fato, uma caçadora. Na geração de Buffy, ela é a escolhida. Considerando que isso faz parte dela, por mais cansativo, irritante e por mais que impeça que ela tenha uma vida consideravelmente normal, não é algo que ela possa se desvincilhar de. Uma vez Slayer, para sempre Slayer. E esse é um dos focos narrativos da série: o descobrimento dela mesma enquanto esse ser mitológico poderoso, a desconstrução disso para si mesma, a aceitação e o enfrentamento. É como se Buffy vivesse em luta constante com a Slayer que há dentro dela e isso é incrível de acompanhar, pois o crescimento da personagem é visível.

          Ela é treinada por Gilles, um bibliotecário antiquado britânico que cumpre a função de “Watcher” e trabalha para uma espécie de Associação que reúne todas as pessoas que já exerceram esta profissão, com relatos sobre todas as Slayers que já existiram e os monstros que elas já exterminaram. Ele é basicamente uma enciclopédia ambulante que não gosta de tecnologia, mas sabe manusear livros muito antigos com uma presteza invejável. O gosto que ele tem por coisas ocultas, bruxaria e afins acaba salvando a pele da Buffy em diversos momentos e é bem importante pro desencadeamento narrativo do personagem.

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          Willow é uma das primeiras pessoas a se aproximar de Buffy em sua nova escola e, quase como a Hermione, acaba envolvida em um dos primeiros rolos da Slayer e, se aproxima dela, se torna super amiga e começa a ajudar em tudo. Ela é judia, extremamente nerd e gosta bastante de tecnologia e coisas ocultas, como bruxaria. O que também é bastante importante para o desenvolvimento narrativo dela. No início, ela aparece como apaixonada por seu melhor amigo desde a infância e isso toma mais tempo e espaço da narrativa dela do que deveria, mas logo é dissipado e podemos acompanhar o crescimento da personagem, que é absurdamente incrível e ganha quase todos os corações existentes.

          Xander é o tal amigo da Willow, que inicialmente se apaixona por Buffy. Ele é o alívio cômico da série, mas também demonstra ter sua importância narrativa. Inclusive, há um episódio específico para demonstrar isso, onde o foco da história é apenas Xander e não Buffy, o que deixa bem clara a ideia da série de desenvolver com devida complexidade todos os seus personagens. O crescimento de Xander é claro e ele sofre por não ter tido o futuro brilhante que esperava, se sente deslocado e por vezes diminuído profissional e mentalmente perante as mulheres que o acompanha, o que é bastante interessante de se observar.

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          Angel é o primeiro vampiro a aparecer na série e ser nomeado como tal. Bastante misterioso, acaba sendo um dos únicos a desenvolver um relacionamento bacana com o resto do grupo, que no decorrer da série se auto-denomina “Scooby-gang” (o que é, por si só, cômico, visto que a Sarah Michele Geller – que faz a Buffy – é também a atriz que interpreta a Daphne na versão live action de Scooby-Doo). Há ainda uma série de outros personagens incríveis e importantes, que aparecem e desaparecem no decorrer da série e que não me prenderei neles para evitar spoilers. O ponto é: todos os personagens que aparecem são explorados o suficiente e isso é de dar inveja em muita série por aí.

          Apesar de serem sete temporadas e ao contrário de muitas séries compridas, ela se mantém coesa do início ao fim. A capacidade de reconstrução que o seriado tem é sensacional. Quando as coisas parecem estar acabando, acontece uma reviravolta no roteiro e tudo volta a fazer sentido e a gente pode seguir assistindo a mais episódios. A narrativa tem a medida certa de humor, terror, suspense e romance e é completamente viciante. Além de tudo, é o seriado que tem o melhor episódio final que eu já assisti. A ponto de nos fazer encerrar e querer reassistir, de tão genial que é! O desencadeamento da história é incrível e a gente termina com uma sensação de dever cumprido e de baita orgulho da Buffy e sua gangue.

          Recomendo em absoluto.

3 thoughts on “Buffy – The Vampire Slayer

  1. Mayrinha, que saudade de vir aqui te ler! Tudo bom? Quanto tempo! Sabe que eu comecei a assistir Buffy na Netflix e nunca continuei? Não sei se foram os vampiros meio trash demais pro meu gosto ou o fato de ter vários episódios pra conferir e pouco tempo pra isso. Tenho preferido séries começando sua trajetória mesmo. Mas esse seu comentário sobre o episódio final me animou! Quem sabe ainda não dou uma chance, né? Beijos <3

    1. Pois é, os efeitos especiais são bem trash, porque o orçamento da série era baixo. Mas o desencadeamento da história faz compensar! Se bem que, se não agradou, é muito longa pra ficar vendo só pra constar hahaha
      Adoro suas indicações de séries, espero poder saber mais sobre o que você anda assistindo! Abraçoss

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