Cadê minha Identidade?

Eu nasci. Não, não foi há 10 mil anos atrás, foi há apenas dezoito. Mas enfim, a data não importa.

Nasci em um hospital particular, parto de cesariana, advinda de uma gravidez de altíssimo risco.

Nasci e morei em minha cidade natal por apenas onze meses, sinto-me turista lá, desde sempre.  Mas confesso que sou uma turista aplicada, eu sei os nomes dos prédios históricos e grande parte de sua história e por achar chato o fato de não ter laços afetivos com a minha cidade – que, na verdade, eu abomino – acabei por dar uma atenção extra-especial a tudo que se tratava dela e eu aprendia na escola.

Não gosto da cidade por causa do clima, que é quente e seco demais e pelo fato de não haverem calçadas, por ser uma cidade planejada. É impossível visitar o coleguinha que mora no bairro do lado andando, você vai precisar de um transporte com rodas e isso me irrita porque eu moro em uma cidade em que posso andar para onde quiser e quando os pés não aguentarem é só pegar um ônibus que chego rapidinho.

Mas não é sobre nada disso que vim falar.

O fato é que eu nasci em uma cidade, uma cidade grande e considerada a capital do país, parece bombástico, mas a pobrezinha não faz parte de estado nenhum.

Isso mesmo, caros leitores. Eu queria saber qual o adjetivo pátrico que poderia ser usada para o meu estado, que até então eu acreditava ser o “Distrito Federal” e eu pesquisei. Em todos os sites possíveis, perguntando para todos os meus parentes brasilienses online, pra minha mãe e, enfim, só faltou perguntar a um professor de geografia. A coisa mais aparentemente correta que eu encontrei, no entanto, é a seguinte:

“O gentilico faz menção à cidade, estado ou pais, por exemplo uma pessoa nasceu em Manaus é manauense se falar de estado é amazonense e de país , é brasileiro. Agora Distrito federal, não é cidade, não é estado e nem tão pouco é um pais, logo não tem gentilico. o Distrito Federal fica na cidade de Brasilia. Assim quem nasceu neste distrito nasceu em Brasilia, por isso é Brasiliano. Distrito Federal é o lugar onde fica a sede do governo Federal.”

E isso destruiu meu coração. Uma coisa é me dizer que eu não tenho um gentílico estatal. Ok, eu ia superar. Mas dizer que eu não sou brasiliense, mas sim “Brasiliano”? Como assim?

Mamãe sempre me ensinou a responder que eu sou “brasiliense, candanga, brasileira” e por muito tempo eu achei que o tal “candanga” estivesse de acordo com o gentílico estatal, mas descobri que não é gentílico nenhum, é apenas um nome que se refere aos operários que construíram a cidade de Brasília. Eu não sei se meus parentes ajudaram a construir Brasília, logo não sei se sou candanga. Ok. Superei isso, eu ainda era “brasiliense” e eu gosto de falar essa palavra. Por isso espero que ela esteja correta, caso contrário toda a minha concepção de vida estará modificada.

O que me conforma é o que conforma a maioria das pessoas sempre, tentar encontrar a parte boa da coisa. Neste caso, a parte boa é a de que eu sou especial porque eu não sou de estado nenhum, posso parafrasear Marisa Monte e dizer que “sou de ninguém, sou de todo mundo e todo mundo é meu também”, posso ficar chateada por não ter um nome engraçado tipo “potiguar” ou posso simplesmente achar divertido o fato de que só preciso usar duas palavras para dizer exatamente da onde sou e essas palavras podem ser “capital federal” ou “brasiliense brasileira”, tudo dependerá do contexto.

0 thoughts on “Cadê minha Identidade?

  1. HAHAHAHA ai May, tu e essas suas divagações que só você mesmo pra pensar nisso. E me por pra pensar também, pq tou aqui matutando que não sei o que sou, pq não sei o que é a pessoa que nasce na cidade que nasci – São Domingos do Maranhão… Quer dizer, né? Mas sei que quem nasce em São Luís é ludovicense e acho isso lindo. E como não me considero parte da cidade que nasci (assim como você, não tenho nenhum afeto por ela), sempre que me perguntam, digo logo que sou ludovicense. Responda que é curitibana também, uai!
    Beijo.

  2. HAHAHA
    Fiquei feliz por ter feito parte da sua saga em busca da identidade de estado, mesmo que não tenha acrescentado nada na busca. Super acho que você deveria responder a pergunta da sua origem com a música da Marisa Monte, porque é sua cara. Não é você que já morou em um milhão de lugares?
    Eu sou mineira com muito orgulho e com muito amor, e sou fã do meu estado o suficiente pra achar que aqui é o melhor lugar pra se nascer. A gente serve o melhor almoço e o melhor café da tarde, e no fim das contas é isso que importa, né? hahhaa
    beijos

  3. Brasiliano?? Caracaa! Eu imaginaria qualquer coisa menos isso, várias vezes já li sobre essas dúvidas a cerca do Distrito Federal, não sabia que vc nasceu lá, que diferente! Beijos

  4. AHAHAHAHAHA
    Ai, Mayra, morri rindo aqui. Que peninha de você. Mas amei o texto, porque agora já tô informada. Jurava de pés juntos que quem nascia em Brasília era brasiliense, como você disse aí. Tô chateada. Preciso refletir.
    HAHAHAH Beijos!

  5. Caramba, “brasiliano” não soa bem. Certeza que “brasiliense” é mais legal. Não sabia dessas complicações. Ah, seu post me fez retomar uma das minha irritações: quando chamam de carioca todo mundo que nasceu no estado do Rio de Janeiro. Carioca é só quem nasceu na cidade do Rio. Qual a dificuldade de entender que quem nasce no estado é fluminense??

  6. “Brasiliano” é péssimo, HAHAHAHA! Se fosse “distritense”, “distrito-federalense” (louca) eu acharia menos arcaico. Brasiliano me faz pensar em Brasil colônia O_O
    De qualquer forma, você é brasileira, BRASILEIRA, pensando nisso, dá para esquecer um pouquinho a frustração de ser brasiliana e não brasiliense, hoho.
    Beijo.

  7. Olha eu mostrando a língua pra Vanes ali em cima: sou carioca E fluminense!

    Também ri da sua divagação, May. Baita crise de identidade! Acho muito triste o fato de Brasília ser uma cidade órfã (não que eu simpatize com ela, foi mal). Morria sem saber que você nasceu lá, eu acho. Mas também, acho que a “nossa cidade” é a cidade do nosso coração, e se a sua é onde você mora, então está muito bom assim.

    Beijos

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