As boas mulheres da China – Xinran

capa de as boas mulheres da China de Xinran

Quem escreveu o livro?

      Xinran é uma jornalista nascida em Pequim, no ano de 1958, que se mudou para a Inglaterra no ano de 1997, devido à impossibilidade de publicar seus relatos na China. Atualmente ela é colunista do jornal The Guardian e professora na School of Oriental and African Studies, da Universidade de Londres. Em 2004 ela fundou uma ONG, chamada “The Mother’s Bridge of Love“, que intenta auxiliar jovens chineses órfãos a entender as diferenças entre a China e o Ocidente. É mãe de Pan Pan e casou-se com um inglês, chamado Toby

A jornalista chinesa Xinran.
A jornalista chinesa Xinran.

O que é interessante saber antes de ler?

     A primeira coisa que deve-se ter em mente ao realizar a leitura desse livro é que a China é um país muito grande, um dos mais populosos do mundo e uma das civilizações mais antigas, que por muito tempo baseou sua ordem exclusivamente na tradição. Isso faz com que a história chinesa seja repleta de revoltas e contra-revoltas, com períodos de repressão e outros de liberdade. 

   A leitura não pode ser realizada sem uma contextualização sobre a China e sem o devido relativismo necessário para a compreensão de que a realidade chinesa é bastante diferente da nossa. Com essa noção, fica mais fácil de embarcar nas histórias sem comparar com o que elas seriam caso fossem passadas em países como o Brasil. O interessante é pensá-las enquanto produtos da cultura e sociedade chinesa e, portanto, cabíveis apenas nela. Paralelos dessas histórias são possíveis na nossa realidade, claramente, mas a intenção do livro é mostrar para o Ocidente uma face da mulher chinesa que costuma ser reprimida e apagada. Por essas razões, se a leitura for embebida de preconceito gratuito perante a cultura chinesa, não será produtiva.

    É interessante também ter em mente que os relatos que compõem o livro foram colhidos por cerca de dez anos, até por volta de 1997. Dessa forma, muito provavelmente a realidade atual da China já seja outra e as histórias das mulheres que vivem lá hoje sejam um tanto diferentes. Outro ponto importante é atentar-se para a contextualização que Xinran realiza em cada uma das histórias, para que a gente não caia na besteira de conhecer e pensar no passado com os olhos da atualidade.

      Se lido com curiosidade respeitosa e anseio por conhecer as entranhas de uma realidade chinesa, o livro mostra-se bastante produtivo e uma obra prima.

Ok, mas sobre o que é esse livro afinal?

      Na década de 80 a jornalista Xinran conseguiu convencer sua produtora de rádio a permitir que ela realizasse um programa noturno diário que contasse ao povo chinês sobre as mulheres do país. Sua intenção era conversar ao vivo com ouvintes e expor as histórias mais interessantes. Além disso, algumas ouvintes deixavam recados em sua secretária eletrônica ou enviavam cartas e ela passava seus dias pesquisando e conversando com mulheres de diversas realidades, a fim de trazer discussões coerentes para o seu programa de rádio, que se chamava “Palavras na brisa noturna“.

Xinran no estúdio de
Xinran no estúdio de “Palavras da brisa Noturna”.

     As boas mulheres da China é, portanto, um conjunto de relatos colhidos durante a produção desse programa de rádio. Xinran não poderia publicá-los estando na China, podendo ser presa caso tentasse, por essa razão, o fez na Inglaterra. O livro conta com quinze relatos, sobre mulheres jovens, adultas, idosas, solteiras, casadas, crianças, modernas, tradicionais, divorciadas, viúvas, encarceradas em cadeias ou hospitais, e finaliza com um relato incrível sobre um grupo de mulheres que vivia em um povoado minúsculo.

     Em cada um dos relatos Xinran aparece como narradora principal e as histórias são contadas como forma de entrevistas, com vários trechos entre aspas. Em um dos capítulos, a jornalista explora um pouco da história de sua própria família e também a dela. No decorrer dos relatos, o leitor é levado a conhecer a China em diversos momentos históricos diferentes, sendo obrigado a conhecer um pouco mais de sua história, principalmente no que diz respeito à revolução comunista liderada pelo presidente Mao Tse Tung e a abertura cultural, mais recente. 

      A realidade dessas mulheres é muito dura, fazendo com que o livro seja bastante denso, apesar de não ter tantas páginas. São 288 no total, a tradução é de Manuel Paulo Ferreira e a edição é da Companhia das Letras. Compre o livro aqui e ajude o Ancoragem a se manter.

E o que você achou do livro?

     Como futura antropóloga, considero muito interessante saber sobre o máximo de culturas e povos diferentes que me for possível. Tenho muita curiosidade sobre a China desde que vi a abertura das olimpíadas em 2008. As coisas aumentaram quando me tornei melhor amiga de uma brasileira, descendente de chineses e que morou lá durante a maior parte de sua vida. Nos meses em que estive no Paquistão, acabei morando com quatro chineses. Em todo esse meu contato com as pessoas desse país e com a curiosidade crescente, a certeza que eu tinha – e ainda tenho – é de que a China é um país muito diverso, muito próprio e completamente diferente de tudo que eu já vi. 

      Essa minha impressão inicial ficou ainda mais forte durante o curso Why we Post, onde dois antropólogos trabalharam em campos diferentes na China. Um estava em uma cidade industrial e outro em uma cidade camponesa. O curso era sobre a forma como as pessoas usavam tecnologia ao redor do mundo – e o quanto a tecnologia tinha transformado essas pessoas e povos. Foi incrível ver que dentro do mesmo país as variações eram tão grandes, não apenas por eles usarem softwares produzidos pelos chineses e que só existem e fazem sucesso por lá, mas por terem um uso próprio de acordo com o local e etnia que estavam/pertenciam. Eu acho o povo chinês absurdamente incrível.

      Deparei-me com esse livro por acaso em 2015, em um sebo de Curitiba. Tudo que sabia sobre ele é que havia pertencido a uma “Judith“, como diz a contracapa. Recentemente algo em mim disse que havia chegado a hora de realizar a leitura e eu embarquei. E não me arrependi. Demorei mais de um mês no livro, por falta de tempo e problemas com meu óculos, mas isso apenas intensificou a minha relação com ele. As histórias ali contadas mexeram comigo a ponto de aparecerem em alguns dos meus sonhos e a densidade dessas realidades fez com que eu me sentisse mais próxima delas e conseguisse entender um pouco melhor alguns hábitos dos chineses e descendentes com quem eu tenho contato.

      A delicadeza, riqueza nos detalhes e capacidade contextual de Xinran deixou a leitura ainda mais informativa, brilhante e interessante e o livro se tornou uma ótima companhia para os meus momentos livres. Terminei a leitura satisfeita e contente por ter aprendido um pouco mais sobre as mulheres chinesas. A vontade de visitar o país para conhecer e, talvez, estudar, cresceu e desapareceu inúmeras vezes durante a leitura. As impressões se misturaram com os relatos da minha amiga, que está na China nesse momento, e sofrendo um choque cultural que ela não imaginava ser possível e tudo que minha cabeça consegue pensar no momento é que a China é um lugar monumental e mágico, que merece mais atenção e conhecimento por parte de nós, ditos Ocidentais.

Stranger Things – Série de 2016 |Combo resenha + revisão

poster stranger things

Quem faz a série?

     Stranger Things é mais uma série original da rede de streaming de vídeos Netflix,  teve sua estreia mundial realizada no dia 16 de julho de 2016, contando com oito episódios de 50 minutos, em média, cada. A segunda temporada está prevista para estreia em 2017.

     Criada por Matt e Ross Duffer (conhecidos como The Duffer Brothers), a série conta com um grande elenco. Winona Ryder é Joyce Byers, David Harbour é o Chief Jim Hopper, Finn Wolfhard é Mike Wheeler, Millie Bobby Brown é Eleven, Gaten Matarazzo é Dustin Henderson, Caleb McLaughlin é Lucas Sinclair e Noah Schnapp é Will Byers.

Sobre o que se trata?

      A história se passa na pacata cidade de Hawkings, nos EUA, em algum ano da década de 80. Nessa época, as crianças se reuniam para brincar de jogos de tabuleiro, como Dungeons & Dragons. As músicas eram ouvidas em LPs ou fitas k7, nas quais eram realizadas diversas mixtapes. As câmeras fotográficas se utilizavam de filmes, que necessitavam ser revelados para serem vistos. As roupas e cabelos eram bastante diferentes dos nossos, assim como os carros, cinemas e outros espaços da cidade. A Netflix conseguiu captar muito bem todo o ar da década de 80 e transpor para essa série, que conta a história do desaparecimento de Will Byers e da busca de sua mãe Joyce, seu irmão Jonathan e seus três melhores amigos (Mike, Dustin e Lucas) por ele, sempre auxiliados pelo Xerife da cidade.

     O que poderia ser uma simples história de suspense e procura, acaba se misturando com artifícios fantásticos, a partir da inserção da personagem Eleven. Ela, uma garota estranha, de poucas palavras e um tanto deslocada, tem poderes telepáticos, sendo capaz de mover algumas coisas e destruir outras, fazendo uso da mente. Eleven é encontrada por Mike, que lhe dá abrigo e insere ela no grupo que buscava por Will. Surpreendentemente, ela demonstra ter informações privilegiadas sobre o desaparecimento do garoto e formas de encontrá-lo. 

       A série conta também com um núcleo adolescente, composto por Nancy, irmã de Mike, seu namorado e amigos. 

O que eu achei dela?

     A série cumpre muito bem sua proposta de homenagear os anos 80. Músicas populares na época, estilo de vestimenta, objetos bastante utilizados, mas, principalmente, referências. Filmes e livros são o mote da série, que homenageia diversas das grandes obras populares na década de 80, com foco para as de Stephen King. No decorrer da narrativa, diversas dessas referências aparecem e outras são mencionadas pelos personagens. O personagem com mais insights nesse aspecto é Dustin.

      Não achei a série revolucionária, inovadora ou transformadora de vidas, como li em algumas resenhas que seria. Acabei me decepcionando com ela, por causa da extrema expectativa que o hype me fez criar. No fim das contas, Stranger Things não é tudo isso. É legal, cumpre bem sua função, mas não gerou em mim um efeito catártico a ponto de fazer com que eu aguarde ansiosamente pela próxima temporada. Assistirei quando estrear, mas não vou contar os dias para tal. E não gostei dessa sensação, visto que morro de vontade de participar de todos os hypes possíveis. Esse não foi para mim.

      Apesar disso, gostei bastante do núcleo infantil da série. Acredito que ela poderia se resumir apenas a ele. O núcleo adolescente foi cansativo, chato e irritante para mim. Não consegui engolir a existência de Nancy e suas atitudes completamente sem noção. Não consegui digerir a existência do Steve e muito menos a forma positiva como sua história termina ao fim da temporada. Jonathan me encheu de dó e é o único que entendo a razão e importância para a série. Enquanto Nancy e Mike eram a dupla de irmãos chata que todos sabem que existe, Jonathan era o irmão mais velho mais legal do mundo e a dor em perder o irmão, não ter pai, a mãe estar “ficando maluca” e ele não ser socialmente aceito é grande e identificável demais. Ele está ali para representar, junto com a Eleven, todos os outsiders incompreendidos e acho que o ator fez um ótimo trabalho, começando pela caracterização. Porém, o núcleo segue sendo meu menos preferido. 

      Outra coisa muito ruim na série são os adultos. Com exceção de Joyce e Jim, todos os outros que aparecem são verdadeiros inúteis e que deveriam ter o certificado de pais confiscado. A gente vê que Karen, a mãe de Mike e Nancy, se esforça para estar próxima dos filhos. Porém, ela é bastante repressiva para com eles e tem o hábito de entrar no quarto deles sem eles permitirem. Ainda assim, ela não sabe sobre muita das coisas dos filhos e é incapaz de perceber que há uma criança extra morando em seu porão. O marido dela, Ted Wheeler, é ainda mais displicente. É provável que ele desconheça a data de aniversário dos próprios filhos, quanto mais saber outras coisas sobre eles. Nem Ted nem Karen se importam de verdade com o desaparecimento do Will. Não se oferecem para ajudar Joyce, apenas se preocupam com os próprios filhos e não querem que o mesmo ocorra com eles. Ou seja, além de péssimos pais, são péssimos amigos.

      O desenho da narrativa da série é muito bom. A construção do desenrolar do problema é bem elaborada. No entanto, fiquei irritada com a falta de comunicação entre os núcleos. Se as crianças e Jonathan tivessem conversado com Joyce e ela tivesse trabalhado em conjunto com Jim desde o começo, as coisas seriam potencialmente mais diferentes, fáceis e indolores. Não gostei desse senso de orgulho entre os personagens, que queriam resolver tudo sozinhos para proteger uns aos outros e acabavam se colocando em riscos ainda maiores. 

Eleven sendo lacradora
Eleven sendo lacradora

      Eleven acaba sendo o grande nome da série, a meu ver. A personagem é complexa, tem muito a ser explorada, é muito bem interpretada e tem um enorme potencial narrativo. Inocente, mas ao mesmo tempo conhecedora de coisas que os outros não têm acesso, leal, corajosa e determinada, Eleven é a grande heroína da série, sem nem mesmo conhecer Will Byers e apesar de estar sendo perseguida por órgãos governamentais. Junto com ela, a personagem que mais me chamou a atenção na temporada foi Joyce, que passa de maluca desacreditada para a primeira a ter percebido o que realmente estava acontecendo. A parceria Joyce e Eleven merece mais detalhes e eu torço para que elas ainda sejam grandes amigas.

      Afinal de eu não ter ficado com vontade de contar os dias para a próxima temporada, é possível delinear alguns traços narrativos que ainda necessitam ser abordados. Acredito que o foco da próxima temporada será no retorno de Will e Eleven e prevejo que mais elementos da literatura de horror e fantasia serão inseridos. Espero que a Netflix e os irmãos Duffer sigam com o bom trabalho.

Jane the Virgin – Série de 2014

Capa da série Jane the Virgin

Quem faz a série?

      Jennie Snyder Urman é a criadora da série, que já teve duas temporadas completas, somando 45 episódios, com uma média de uma hora cada. É produzida pela Poppy Productions, em parceria com a CBS e a CW, e passa nas televisões dos EUA, mas atualmente faz parte do catálogo da Netflix, que, por enquanto, disponibilizou apenas a primeira temporada. A terceira temporada tem previsão para estrear em outubro desse ano.

      O seriado ganhou em 2016 o prêmio Voice Arts Awards, pelo trabalho do ator Anthony Mendez. Em 2015, ganhou o prêmio Publicists Guild of America, na categoria Televisão; o People’s Choice Awards, na categoria Nova comédia de TV favorita; o Peabody Awards; o Online Film & Television Association, na categoria de Melhor atriz de série de comédia, com Rita Moreno; o Imagen Foudation Awards como Melhor atriz coadjuvante (Andrea Navedo) e Melhor atriz (Gina Rodriguez). Ganhou ainda o Gay and Lesbian Entertainment Critics Association, o AFI Awards e o Globo de Ouro, na categoria de Melhor performance para uma atriz em uma série de comédia ou musical, prêmio concedido a Gina Rodrigues.

      A série é estrelada por Gina Rodrigues (Jane Villanueva), Andrea Navedo (Xiomara Villanuevo), Ivonne Coll (Alba Villanuevo), Jaime Camil (Rogerio De La Vega), Brett Dier (Michael Cordero Jr.), Justin Baldoni (Rafael Solano), Yara Martinez (dra. Luiza Alver) e Yael Grobglas (Petra Solano).

Elenco Jane The Virgin
Elenco Jane The Virgin

Sobre o que se trata?

     Jane Gloriana Villanueva é uma jovem adulta filha de Xiomara Villanueva, que foi mãe aos 16 anos e que, por sua vez, é filha de Alba Villanueva, que migrou para os EUA quando jovem, vinda da Venezuela. Jane foi criada para não repetir os erros da mãe e isso significa que ela não iria perder a virgindade até estar casada. Até então isso não tinha sido um problema pois, apesar de ter um namorado bastante bonito, Michael é também paciente e atencioso e não faria ou forçaria ela a algo que ela não queria. O sonho de Jane é ser uma escritora de sucesso e para isso ela faz faculdade e trabalha como recepcionista em um grande hotel. 

      Um dia ela vai até a ginecologista, realizar exames de rotina e é artificialmente inseminada por engano. Ocorre que a médica que realizou a inseminação, dra. Luiza Alver, é irmã do dono dos sêmens, Rafael Solano. Sua esposa, Petra, havia ido até o consultório para realizar a inseminação e a amostra de sêmen acabou indo parar em Jane. Para piorar ainda mais a história, aquela era a última amostra de Rafael Solano, pois ele havia tido um câncer e ficado estéril. Além disso, ele é o chefe de Jane no hotel, por quem ela tinha sido apaixonada, cinco anos antes.

      Michael Cordero Jr., o namorado de Jane, é investigador na polícia local e está atrás de um criminoso muito perigoso, chamado Sin Rostro. Os indícios apontam ações do bandido na região do hotel que Jane trabalha e relacionado, justamente, com Rafael Solano e os demais donos do hotel.

       Essas são só algumas das tramas da série, que aborda a imigração para os EUA e a necessidade de novas leis para os imigrantes, fala sobre mulheres latinas, de diversas idades, vivendo nos EUA. Aborda a temática LGBT, com a personagem Luiza, que é lésbica. Trata, de maneira cômica, sobre as telenovelas mexicanas. Fala sobre família, amor paterno, maternidade, independência apesar da maternidade e, claro, muito drama típico de novela mexicana, sendo praticamente uma meta-história, onde as críticas às telenovelas se fazem presentes.

        A história conta ainda com um narrador, que está sempre recapitulando e lembrando as coisas.

O que eu achei dela?

       A série é fenomenal. Consegue agregar todo o drama típico de novelas mexicanas, com a sutileza e a boa qualidade de produção típicas das séries estados-unidense. É uma perfeita combinação de dois estilos, visivelmente feita para agradar a parcela latina da população dos EUA. A série ganha o nosso coração pelo fato de ter uma trama muito boa, que cada vez se complica um pouco mais. Os furos no roteiro existem, mas não são muitos e a série consegue manter uma narrativa excitante, em que é impossível assistir a apenas um episódio por vez.

   É perceptível a metalinguagem da série, pelo fato de que é um ator de telenovelas, a série é quase uma telenovela e as personagens assistem telenovelas. Então, ao mesmo tempo em que a narrativa típica desse tipo de produção é discutida e trabalhada, ela é posta em prática e funciona com os telespectadores.

     A ideia inicial da história é muito interessante, pois Jane é uma grávida virgem e isso desencadeia uma série de coisas bizarras em sua vida. É incrível acompanhar o crescimento dela e ver como ela amadurece com a gravidez e com o desafio de ser mãe. O final da segunda temporada é particularmente enraivecedor e agoniante e eu não vejo a hora de começar a terceira temporada, com os dedos cruzados para que não seja nada tão trágico.

    A série é bastante sincera e brinca bastante com a interatividade da era digital, lançando mão de diversas hashtags no decorrer dos episódios. Destaco um episódio em específico, onde é explicitamente levantada a bandeira “não votem em Trump” e eu achei fenomenal que tenha tido espaço na TV aberta dos EUA pra propagandas como essa. Sinceramente, essa série é totalmente anti-Trump, vide o elenco sumariamente latino. 

   Apesar de ainda estar no início, é o tipo de seriado que vejo tendo muitas temporadas, com bastante sucesso em todas elas. Recomendo fortemente, principalmente para quem gosta de ver coisas viciantes e que conseguem te deixar tão vidrado, a ponto de esquecer do resto da vida.

[REVIEW] Gilmore Girls – 3ª Temporada

     Esse texto contém muitos spoilers e é recomendável que você já tenha assistido a tericeira temporada de Gilmore girls antes de realizar a leitura. Você pode ver a review da Primeira e da Segunda temporada.

Temporalidade

      No final de julho tivemos a divulgação da data de estreia da oitava temporada de Gilmore Girls, chamada “A Year in Life“. As informações que nós já tínhamos, é de que seria uma temporada com apenas quatro episódios, de noventa minutos cada. Cada episódio será referente a uma estação do ano e a série se passará no ano corrente. O que nós não sabíamos é que a Netflix ia disponibilizar todos os episódios no mesmo dia (apesar dos protestos da criadora da série) e que esse tão aguardado dia seria o dia 25 de novembro! Para que as coisas ficassem ainda mais emocionantes, fora lançado o primeiro teaser da temporada. Deixo vocês com a apreciação dele.

     Agora, sobre a temporalidade da terceira temporada. Vimos um ano inteiro passar nessa temporada! Começamos nos preguiçosos dias de verão e terminamos com a formatura de Rory, que ocorre já no próximo verão. No meio tempo, passamos por dois memoráveis festivais da cidade, uma festa de aniversário bacana para Lorelai, impasses em relação ao jantar de sexta-feira, um dia de ação de graças bastante agitado, dois bebês e dois fins de relacionamento. Foi bastante coisa, mas a Netflix conseguiu resumir em um minuto – conforme está fazendo em todas as temporadas. 

Os casais

Rory e Dean

     Rory começa a temporada sacaneando Dean, pra variar. Ela está visivelmente apaixonada por Jess. O beijo do episódio final da temporada anterior ainda ressoa e o tempo em Washington não a fez esquecê-lo. Ela até tenta continuar com o Dean, mas o coração dela não está mais lá e ela segue sem coragem de dizer isso. Vários episódios dela tentando se convencer a continuar com o Dean são vistos. E, óbvio, Dean percebe tudo que está acontecendo, mas como ele gosta muito dela, não consegue “largar mão” do relacionamento. Os dois seguem se enganando. 

     Dean acaba sendo recriminado por muitos fãs por ter terminado o relacionamento em público, mas eu super entendo ele. O episódio do festival de dança foi apenas o estopim. Ele já estava saturado, Rory já estava saturada, o relacionamento estava saturado. Ele foi o mais honesto da história e apenas fez o que deveria ser feito: deixar ela tentar a sorte com o Jess. É claro que, na cabeça de Dean, ela iria se decepcionar e voltar a ficar com ele. Como isso não aconteceu, ele acabou partindo para outra e, já no final da temporada, anunciou seu noivado. É interessante que o relacionamento não ganha foco na série e a gente sabe quase nada sobre a Lindsay, o que nos faz achar que Dean realmente só se mete em relacionamentos sem conhecer direito as pessoas. 

     É curioso, porém, que o relacionamento de Rory e Jess não seja lá aquelas coisas e ela acabe sentindo ciúmes da Lindsay, mesmo sem admitir. Também é bastante interessante que, após o término, ela e Dean tenham a vontade de serem amigos, pois “sentem falta de conversar um com o outro”, sendo que em todo o relacionamento deles, era raro ser mostrado ao telespectador essas conversas. A impressão que a gente tinha era de um desentendimento constante, causado por falta de interesses comuns. Porém, basta o relacionamento terminar para que eles se tornem os melhores amigos que já tiveram e sintam saudades um do outro. Bizarro.

     Outro ponto bastante esquisito dessa história é que Dean se mete em uma briga destruidora com Jess, para que na próxima vez que encontra a Rory conte que está prestes a ficar noivo. Ele tinha acabado de brigar feio e destruir uma casa com o namorado dela, o que dava a impressão de que ele estava querendo reconquistá-la, e então anuncia que vai ser noivo de Lindsay. É de dar pena a confusão mental do pobre Dean. 

Rory e Jess

        Estava na cara que esse casal não ia vingar. Rory era acostumada com um namorado atencioso, que gostava de sua mãe e compartilhava os momentos com ela – por piores que eles parecessem. De bailes de gala à festas escolares e jantares de família. Quando ela se depara com alguém como o Jess, que não dá o braço a torcer e tem zero de esforço para conhecer e se adentrar no universo dela, fica um tanto perdida. O relacionamento deles, que enquanto amizade se demonstrava com um grande potencial de entendimento, acaba se tornando algo bastante estressante.

      Jess é o primeiro cara por quem Rory parece cogitar a hipótese de transar, mas para ele, sexo não parecia ser exatamente um problema. É bastante interessante, porque o assunto “sexo” nunca surgiu enquanto Rory estava com Dean, mas assim que ela começa a se envolver com Jess ele surge. Seria um sinal de moralismo na série? Essa hipótese é levantada pela seguinte situação: Rory é constantemente vigiada e lembrada por sua mãe de que ela não deveria transar e que deveria comunicar quando pretendesse fazer isso. O  medo de Lorelai é que ela engravide e “repita seus erros“. Rory, por sua vez, não parece ser uma adolescente normal e simplesmente não demonstra sentir tesão sexual por seu primeiro namorado – que é bem aceito pela mãe e considerado certinho. Já, quando ela começa a namorar o cara que a mãe não gosta, o “bad boy“, o assunto do sexo surge e vira uma possibilidade. “Ela era muito nova antes“, vocês podem me dizer, mas 16/17 anos não é cedo demais para transar se você é loucamente apaixonada por seu namorado fixo. Então, bom, a abordagem do sexo em relação à Rory começa problemática aí. Ela não parece se sentir confortável com a ideia ainda, o que é ok, mas a partir do momento que ela começa a se sentir confortável, tem a noção de que não é certo e não deveria fazer e não faz.

       Enfim, Jess acaba indo embora, por causa de conflitos familiares sérios. E não comunica isso com ela. Ele não comunica com ela nenhum de seus problemas e vive uma relação fútil, sem deixar que Rory penetre em sua vida e sem penetrar na vida dela. De um namoro, Rory vai para um relacionamento de “amigos que se beijam” e ela até tenta se contentar com isso, mas não consegue. Acredito que Jess seja a primeira grande decepção de sua vida.

Sookie e Jackson

     Nessa temporada, eles experimentam o início da vida em casados, que é bastante inovadora para ambos. Jackson se muda para a casa de Sookie e ela sente que precisa se esforçar para fazer com que ele sinta que a casa também é dele, embora ele diga que isso não é necessário. Isso gera um episódio muito legal, mas também mostra que nenhum relacionamento é perfeito e que é possível haver conflitos quando se tenta agradar o outro. Mas não é algo muito grande, é bem específico de fase de adaptação mesmo.

     O casamento deles acabou acontecendo de forma rápida e várias coisas em relação ao futuro não haviam sido discutidas. Por isso Sookie leva um susto quando Jackson aparece com a ideia de que queria ter quatro filhos em quatro anos. Da mesma forma, Jackson surta quando Sookie comunica estar grávida. Não havia preparação financeira e psicológica para os dois, que eram recém casados. E, na verdade, é meio chato que eles não possam ter curtido por mais tempo seu tempo juntos.

Lorelai e Christopher

       Christopher não apareceu muito nessa temporada, tendo inclusive faltado a formatura de Rory, o que nem foi tratado como uma grande coisa – fato muito estranho. Lorelai e ele começaram a temporada de forma conturbada, devido ao abandono gerado no último episódio da temporada anterior. As coisas complicaram bastante quando Emily tentou juntá-los, por não saber o que estava acontecendo. Eles passaram um longo tempo sem se falar, o que gerou estranhamentos em Lorelai quando ela foi convidada para o chá de bebê de Sherry e a deixou ainda mais desconfortável por ter tido que comparecer ao nascimento de G.G

     Christopher voltou ao seu padrão de pai ausente e, aparentemente, começou a aceitar a ideia de ficar com Sherry e cuidar de G.G. Mas, como não foram dados muitos detalhes sobre ele no decorrer da temporada, várias dúvidas surgem em relação à sua vida atual.

Emily e Richard

      Não há conflitos entre o casal no decorrer da temporada. O mais próximo disso ocorre quando Lorelai the First (ou Trixie) é pega em flagrante dando um beijo e Emily acaba contando isso para todos. Richard fica bastante enfurecido, mas como elas logo fazem as pazes, tudo fica em paz.

     Outro ponto de quase briga ocorre no dia em que Richard conseguiu levar Rory para conhecer Yale e marcou, às escondidas, uma entrevista com um de seus ex-colegas que tinha influência na seleção de lá. Emily ficou enfurecida, pois já sabia que Lorelai não estava gostando da ideia de levar Rory para conhecer Yale e ter uma surpresa dessas não ajudaria na relação das duas. Esse conflito também não foi levado adiante. Com Richard em sua própria empresa e bem relacionado, Emily não tinha razões para brigar com ele.

Luke e Nichole

       Mais um pra lista dos relacionamentos amorosos esquisitos da série. Nichole é advogada de Taylor e eles se conhecem por causa de um aluguel a uma das propriedades de Luke, requisitado por Taylor. O relacionamento começa por causa de Jess, que basicamente desafia Luke a chamá-la para sair. Ela aceita, eles se dão bem e começam um relacionamento.

     Não sabemos muito sobre Nichole, ao contrário de Rachel, não há cenas em que ela seja a protagonista. Tudo que sabemos é que sua existência aflora o ciúmes de Lorelai e faz com que ela comece a perceber que tem sentimentos por Luke, o que é evidenciado no momento em que ela toma coragem para parar de brincar e pedir para que ele não viaje com Nichole, pois seria muito romântico e sério. Luke não entende, mas a gente entendeu: ela não queria ele com outra mulher. Nesse momento, o shipp Lorelai e Luke ficou aflorado.

      A temporada acaba sem a gente saber se essa viagem aconteceu ou não, sem saber detalhes desse relacionamento e sem conhecer direito a Nichole.

Lane e Dave

      Aí está o casal mais fofo da temporada! Finalmente, Lane tem a vida que gostaria. Começa a tocar bateria, encontra um amor que a entende e não questiona as birras de sua mãe – pelo contrário, resolve tentar conquistá-la e depois enfrentá-la e tem o seu primeiro beijo.

      Lane desfruta de uma boa festa onde sua banda toca, várias festas realizadas em sua casa para o público da igreja de sua mãe e, claro, o baile de formatura. É bastante revoltante que esse baile não tenha sido mostrado, visto todo o esforço que ela e Dave tiveram para conseguir a autorização da senhora Kim. Acredito que, se Jess tivesse conseguido os convites para ele e Rory, esse baile teria aparecido. Mais uma pra cota de excesso de protagonismo das Gilmore!

     O que importa é que Lane e Dave são extremamente fofos e compreensivos. O episódio em que eles dão seu primeiro beijo é a coisa mais fofa do mundo e quando ele vira a noite lendo a bíblia para conseguir entender a senhora Kim, é outro momento de explosão de fofura! 

Dave Rigalsky appreciation picture

Paris e Jamie

         É muito emocionante o fato de Paris ter encontrado alguém que goste dela. A coisa ruim disso, é que nunca vemos os dois juntos e não fazemos ideia de como é o relacionamento deles. Parece bom, mas não tem como ter certeza. Nessa temporada, em específico, Paris fica distante e um tanto apagada e isso é penoso, porque é justamente a temporada onde as grandes reviravoltas de sua vida ocorrem.

      O fato de ela ter transado antes de Rory é bastante marcante, porque seria inimaginável aos olhos de um terceiro. É realmente uma pena que nós, telespectadores, não tenhamos tido oportunidade de ter detalhes sobre essa relação e o desenrolar dessas coisas. Mais uma vez, culpo o excesso de protagonismo das Gilmore.

      Mais uma vez, o sexo é visto de forma errada e ruim. Paris culpa o fato de ter estado em um relacionamento e feito sexo por não ter passado em Harvard, o que passa a impressão de que relacionamentos são distrativos e que quando você é adolescente e faz sexo alguma coisa errada vai acontecer com a sua vida. Não gosto dessa mensagem implícita na série.

As amizades

Lorelai e Rory

      A amizade das duas ficou ainda mais aflorada nessa temporada. Lorelai continuou indo onde Rory precisava dela e vice-e-versa. As duas não brigaram de forma exponencial e conseguiram entrar em consenso sobre todos os problemas que apareceram. Rory, inclusive, deixou de falar com o próprio pai em solidariedade a Lorelai. E, ao ver que a mãe precisaria desistir do sonho de ter o próprio hotel, para pagar sua faculdade, pediu, por conta própria, um empréstimo aos avós. Provavelmente o ato de maior responsabilidade de Rory até então. A parceria das duas segue ótima.

Lane e Rory

     Rory não entendeu a mensagem que Lane mandou contando do beijo e não retornou perguntando sobre. Aquilo me magoou bastante, porque Lane sempre dá bola pros perrengues de Rory e foi abandonada em uma hora linda e emocionante. 

       Rory se redimiu quando aceitou ceder espaço na garagem de sua casa para que a banda da amiga treinasse. Isso permitiu que Lane prosseguisse com seus sonhos e seu relacionamento, ponto pra Rory! 

         Já no começo da temporada, temos a saga de Lane buscando independência e querendo pintar seu cabelo para isso. Rory demonstra ser uma boa amiga nessa ocasião, pintando de roxo e, depois, de preto, o cabelo da amiga. 

Lorelai e Sookie

      A amizade das duas tem seus abalos quando diz respeito ao futuro do Independence Inn. O sonho conjunto de ter o próprio hotel persiste, mas quando o Independence sofre o incêndio e passa pela reconstrução, elas começam a se estranhar. Felizmente, tudo se ajeita, a dona do Dragonfly morre e elas conseguem dinheiro suficiente para comprá-lo. Boas coisas provavelmente vêm daí.

      Sookie segue sendo a amiga de todas as horas para Lorelai. E, mesmo com Jackson em casa, mantém o programa de ser o “backup” de café da manhã, para os momentos em que Lorelai briga com Luke.

Rory e Paris

          As duas começam a temporada muito bem, com uma experiência positiva em Washington. Mas dividir a presidência do corpo estudantil não ajudou a amizade de ambas, infelizmente.

      Paris, inexperiente em relações amorosas, acaba sem saber elencar prioridades e ficando perdida. Rory se vê no meio de uma briga, sofrendo ameaças por parte de Frankie e fazendo com que Paris entendesse as coisas de forma equivocada e se voltasse contra ela. As duas passam a maior parte da temporada brigando e a experiência de dividir a presidência, que poderia ter sido positiva, se torna caótica.

           Felizmente, ambas acabam tendo que dividir a autoria do discurso de bicentenário de Chilton, fazendo com que Paris fosse até Stars Hollow e desse um update a Rory sobre sua vida, de forma que as duas acabaram se reconciliando. Isso fica ainda mais visível quando Paris não é aceita em Harvard e entra em depressão, mas recebe o apoio de Rory, que a visita em casa e tenta colocá-la para cima.

Lorelai e Luke

      Mais uma temporada repleta de altos e baixos na relação dos dois. Apesar de ser visível para o público que eles se gostam, eles ainda não descobriram ou admitiram isso, dificultando bastante as coisas. Lorelai segue sendo a melhor conselheira possível para ele e ele sendo o amigo mais fiel possível.

      O episódio em que ele se dispõe a ajudar Lorelai a aprender a pescar, para que ela pudesse sair com outro cara, é o auge dessa temporada. Pela primeira vez, ele tem a oportunidade de mostrar algo que é importante para ele e compartilhar isso com ela – mesmo que o interesse por trás da história fosse ela sair com outro cara. Eles acabam se aproximando ainda mais. 

      Porém, um distanciamento começa a ocorrer com o aparecimento de Nichole que, como Rachel, tem ciúmes de Lorelai. Isso fica evidente no episódio da conferência sobre Poe, onde ela acaba tendo que ir dormir na casa de Luke e ele prefere não contar para Nichole. Esse distanciamento pode ou não ser nocivo, dependendo de como as coisas forem retratadas daqui para frente. 

    Luke ter emprestado sua lanchonete para que servisse de restaurante enquanto a cozinha do Independence Inn não tinha sido consertada é outro ponto alto de sua narrativa.

Luke e Jess

      Jess começa a se dar melhor com Luke. Eles conversam mais, inclusive sobre mulheres. Luke consegue impor limites e ordens em relação ao relacionamento de Rory e Jess – apesar de sua preocupação maior ser com o bem estar de Rory e não do sobrinho. Porém, as desconfianças continuam a perseguir  a relação. Primeiro com o aparecimento do carro de Jess, seguido pela descoberta de que ele estava trabalhando no Wall Mart. O orgulho por Jess ter sido eleito o funcionário do mês no supermercado se converte a estresse, quando Luke descobre que ele tinha deixado de frequentar a escola para realizar horas extras e estava prestes a reprovar.

       O pai de Jess apareceu na cidade, Luke não contou para ele, mas ele acabou descobrindo. Isso fez com que Jess se revoltasse ainda mais perante Luke, a escola e a cidade. E, de repente, era como se Rory não existisse ou fosse importante, porque Jess, após um desentendimento com Luke, simplesmente fez as malas e foi até a cidade de seu pai. Um final bem triste para o personagem e para as relações por ele estabelecidas. Espero que ele retorne nas próximas temporadas.

Lorelai, Rory, Emily e Richard

      A relação familiar ia bem – tirando o episódio de Christopher no jantar – até que Richard inventou a viagem para Yale. Esse foi um momento de grande crise na relação, fazendo até Rory ficar contra ele. Tudo vai ficando mais ameno no decorrer da temporada e a explosão de felicidade e união é quando a própria Rory, após ser aceita em Princeton, Yale e Harvard, decide pela ex-universidade de Richard. Não havia como fazê-lo mais feliz.

      Os jantares de sexta-feira ficam ameaçados por alguns episódios, porque Lorelai conseguiu dinheiro para pagar o que devia pela escola de Rory. Mas isso faz com que ela seja rejeitada da lista de bolsistas de Yale e fique sem dinheiro para pagar a universidade. Rory vê como oportunidade de conversar com os avós e reestabelecer os janters de sexta-feira, porém, sem prometer a presença de Lorelai. Como isso se desenrolará na próxima temporada? Eu acredito que Lorelai acabará cedendo. Veremos.

Curiosidades e pontos importantes da temporada

  1. Quem vai na formatura de Rory é Luke e não Christopher
  2. Senhora Kim realmente superou e esqueceu a ligação que Lane deu na festa? Ou isso vai desembocar em mais problemas para a próxima temporada?
  3. O que aconteceu com o Alex? Ele e Lorelai tiveram alguns encontros, um final de semana romântico em Nova York e uma ida para pesca e, aleatoriamente, ele desapareceu da temporada! Será que ainda volta? 
  4. O aparecimento de Max Medina pode influenciar nas próximas temporadas, agora que ele não será mais professor de Rory? Será que ele e Lorelai vão voltar a ficar juntos? Querendo ou não, ele foi o mais legal dos namorados que ela teve desde o início da série.
  5. Não é novidade para ninguém, mas Adam Brody, que faz o Dave Rigalsky, acaba se tornando o Seth Cohen de The O.C no ano seguinte.
  6. Acredito que um ponto bem importante e que vai ter influências futuras é toda essa história de sexo.
  7. É muito difícil para mim escolher um episódio favorito dessa temporada, porque descobri que é a minha temporada favorita. Mas, se fosse pra escolher um só, ficaria com o Dia de Ação de Graças, no episódio 9.

[RESENHA] Mad Max (1979)

Características Técnicas

      Mad Max é uma produção australiana, de 1979. Com direção e roteiro de George Miller, produção de Byron Kennedy e música de Brian May, o filme tem 88 minutos e foi distribuído pela Village Roadshow Pictures. Custou cerca de 400 mil dólares australianos para ser produzido e rendeu cerca de 100 milhões de dólares americanos. Foi continuado por mais dois filmes, formando uma trilogia. Em 2015, um quarto filme da saga foi lançado, dessa vez sendo estrelado por uma mulher.

      O primeiro filme contou com Mel Gibson como protagonista, acompanhado por Joanne Samuel, David Cameron, Hugh Keays-Byrne. Ganhou o prêmio Australian Film Institute nas categorias de edição, som e trilha sonora.

Enredo

      A história se passa num futuro não muito distante, pós-apocalíptico e onde as leis australianas estão um caos. Max Rockatansky (Mel Gibson) é patrulheiro da Polícia Central e, junto com seu parceiro, Goose, tentam derrotar a gangue de motocicletas Nightrider, liderada por Bubba Zanetti e Toecutter. Max é casado com Jessie e eles têm um filho pequeno.

      Goose acaba sofrendo um grave acidente e sendo fortemente queimado, após uma tentativa de parar a gangue. Isso faz com que Max fique bastante abalado e peça para ficar um tempo fora da polícia. Nesse tempo longe, ele e sua família aproveitam para viajar e visitar parentes. No entanto, a viagem não é tão tranquila quanto esperavam.

      O grande estopim da história acontece e faz com que Max fique ainda mais revoltado e bravo com os motociclistas, incorporando o “Mad” que antecede seu nome no título do filme. Ele volta para a polícia e, auxiliado de armamentos e um carro inovador, volta-se para uma perseguição assídua da referida gangue.

O que eu achei do filme

     O filme acaba sendo engraçado de ser assistido atualmente. Os efeitos, roupas, fala e trilha sonora remontam a uma outra época. O mesmo ocorre com a ambientação e os automóveis utilizados. É um tanto cômico ver um filme que pretensamente se passaria no futuro, utilizando artifícios de faroeste e coisas muito próximas das que realmente existiam em 1979. Mel Gibson na flor da idade é um caso à parte.

        Fui levada a ver o filme porque tenho curiosidade em assistir ao que foi lançado no ano passado e não vejo sentido em ver o 4º filme de uma série sem ter visto os três primeiros – mesmo que me digam ser possível entender o quarto sem isso. Porém, com toda a repercussão que o último filme teve, eu esperava mais do primeiro. Não tanto da história, mas da composição do universo. Várias coisas são passadas de forma confusa, enquanto grande parte ocorre de forma absurdamente óbvia. Há cenas muito emblemáticas e bacanas, não há como negar. É possível sentir um tanto do sofrimento dos personagens e torcer pela vitória da polícia.

       Há um momento de bastante empoderamento no filme, mas ele logo é suprimido e o que ganha foco é a revolta de Max. Só que isso só ocorre mais próximo do final do filme. Acredito que o estopim poderia ter sido antes e o desfecho poderia ter sido melhor trabalhado. Da forma como foi colocado, Max acaba sendo um bunda mole fujão até perto do final. E o estopim para toda essa revolta acaba sendo mais cruel do que seria necessário. 

      Terminando o filme, fiquei mais curiosa ainda para saber o que ocorre nos filmes que o sucedem, pois a história ali foi bem fechada – apesar dos pesares. Pretendo assistir aos outros filmes em breve e venho relatar minhas opiniões assim que isso ocorrer.