Cientistas afirmam: Estudar demais causa danos ao cérebro.

Okay, nunca vi um cientista comprovar isso, mas acontece comigo.

Todas as vezes que resolvo estudar, quando paro estou em estado alfa, questiono tudo que vejo pela frente e piro legal na batatinha, nesse contexto, estava fazendo tarefa de Português há uma semana na biblioteca pública da cidade e tinha um exercício no qual estava escrito o seguinte poema:

” O Açúcar

O branco açúcar que adoçará meu café

nesta manhã de Ipanema

não foi produzido por mim

nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.

Vejo-o puro

e afável ao paladar

como beijo de moça, água

na pele, flor

que dissolve na boca. Mas este açúcar

não foi feito por mim.

Este açúcar veio

da mercearia da esquina e tampouco o fez o

Oliveira, dono da mercearia.

Este açúcar veio

de uma usina de açúcar em Pernambuco

ou no Estado do Rio

e tampouco o fez o dono da usina.

Este açúcar vem da cana

e veio dos canaviais extensos

que não nascem por acaso

no regaço do vale.

Em usinas escuras,

homens de vida amarga

e dura

produziram este açúcar

branco e puro

com que adoço meu café esta manhã em

Ipanema.”

Ferreira Gullar

Ok, li este poema e fiquei pensando “COMO ASSIM, O CARA VAI TOMAR CAFÉ E FAZ UM POEMA SOBRE O AÇÚCAR? QUE CARA MAIS PARANÓICO!” depois pensei “Se ele fez um poema sobre ~~açúcar~~ e eu estou tendo que estudar o tal poema agora, também posso fazer um poema sobre algo random e vai que estudam ele algum dia?” foi aí que eu fiquei encarando o nada a procura de uma inspiração para um poema, olhei para cada detalhe das paredes daquela biblioteca e então olhei para a mesa e vi minha borracha, pensei “Claro! Vou fazer um poema sobre minha borracha!”, só que criatividade não era o foco em questão, queria tentar fazer algo parecido, com mais ou menos o mesmo sentido que o tal poema do açúcar, então escrevi uma bagaça gigantesca e depois que li notei que não fazia o menor sentido, mas achei tão bizarra a minha ideia de fazer um poema sobre a minha ~~borracha~~ que resolvi postar aqui para vocês lerem e me dizerem, sinceramente, que não sou a reencarnação de Drummond e que deveria me aposentar da feitoria de poesias.

Então, com vocês…

“A Borracha

A borracha branquinha com que apago meus erros hoje

nem sempre apagou os erros de alguém,

tampouco foi feita para mim.

A borracha veio da celulose de uma árvore,

talvez da Amazônia,

talvez do Reflorestamento.

Celulose retirada por trabalhadores fortes e necessitados,

que nem são desse estado

e já me fizeram ver que

é muito melhor ter uma borracha, para apagar as graxas,

do que viver com os erros permantentes, rabiscados ou borrados.

A simples borracha com que apago meus rabiscos

possui uma missão talvez mais importante que a minha.

A borracha dá ao lápis a chance de reescrever a história e fingir que os erros não existem…

Quem dera eu ser esta borracha, toda cheia de graça,

para conseguir apagar você.”

Mayra Resende

E aí, está comprovado que sou uma lunática?

0 thoughts on “Cientistas afirmam: Estudar demais causa danos ao cérebro.

  1. hahaha, genial.
    Eu não consigo estudar mais do que duas horas por dia que já começo a viajar legal.

    E ah! Te admiro por nunca ter gostado de refrigerante, quisera eu… haha.
    Beijo.

  2. Adorei o poema da borracha! ficou muito legal e em particular gostei do trecho “…A borracha dá ao lápis a chance de reescrever a história e fingir que os erros não existem…”

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