Como vai você?

Bom dia caro amigo, como vai você?

Há muito tempo que não lhe pergunto isso com a real intenção de saber a resposta.

É engraçado… Construímos relações e acreditamos nelas, mas com o passar do tempo nos acostumamos, perdemos o prazer inicial e acabamos caindo numa terrível rotina de normalidades.

Perdoe-me.

Acontecimentos recentes fizeram-me perceber que me importo com sua resposta e é por isso que lhe escrevo, nessa cinzenta manhã de terça-feira.

Uma vez lhe disse que por gostar de escrever acabo fazendo isso com uma frequência incrível, espero somente que não se importe em ler o que lhe é escrito.

Fui impulsionada a pegar uma caneta e um papel simplesmente porque senti extrema necessidade de pedir-lhe perdão por agir impulsiva e insanamente em diversos momentos. Gosto de ser sua amiga. Gosto de você. Arrependo-me por ter deixado tais sentimentos abandonados por tanto tempo.

Espero que a pressão exercida pela caneta sobre o papel não te assuste muito, estou nervosa.

Se por diversas vezes fostes capaz de me tirar do sério (mesmo sem diretamente ter feito nada), várias vezes eu estava fora do sério, com uma terrível sensação de que só você me compreenderia. Coisas como essa me fizeram perceber que és importante para mim e por isso achei necessário pedir desculpas, caso tenha lhe ofendido de alguma maneira.

Erramos. Nós dois. Mas não acho que seja razão o suficiente para que deixemos de ser amigos.

Quero apenas ter a certeza de que estás falando a verdade quando me respondes que estás bem. Cansei dessa impessoalidade.

Acho engraçado pensar que conseguimos nos distanciar com a mesma rapidez que nos unimos um dia. 

Não digo que machuca ou que dói, é simplesmente frustrante e decepcionante. 

Parece que toda a intimidade e liberdade que construímos findou-se.

Frustrante é ver seu sorriso e não saber se ele foi sincero ou apenas mais um rótulo.

Já sou digna das mesmas atitudes que todas as outras pessoas?

Estás bem? Juro que gostaria de saber.

Amália Borba – Para um amigo já não tão próximo

*Amália Borba é um personagem fictício. Qualquer semelhança com alguém é mera coecidência.

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