Das alegrias nada pequenas

Estava prestes a fazer cinco anos e minha tia me perguntou o que eu queria de presente. Mesmo sendo uma pergunta difícil e que hoje em dia gera respostas clichês do tipo “nem precisa”, mesmo que eu esteja precisando desesperadamente de determinada coisa, na época eu simplesmente respondi. Eu queria um colchão. É que só parei de usar berço com 3 anos e até essa época dormia em um colchonete fino que provavelmente me incomodava em alguma coisa.

Minha tia achou bonitinho que uma criancinha pedisse um colchão ao invés de todos os brinquedos do mundo ou semelhantes e resolveu atender meu pedido. Lembro de o interfone tocar e minha mãe dizer que “ele” tinha chegado. Sem fazer ideia de quem era esse “ele” fui até a porta receber.

Estava envolto em um plástico, com uma enorme fita rosa e um cartão da minha tia que dizia que era meu presente. Fiquei extremamente feliz. Muito mesmo. E nunca me esqueci daquilo.

Só que o tempo passa, as coisas mudam, as pessoas crescem (mesmo que não muito) e os colchões acabam.

Há algum tempo venho pedindo pra trocar de colchão e meus pais insistem em dizer que aquele ainda está bom e não preciso de um novo. E eu nunca insisti muito. Até que há uns dois meses resolvi invertê-lo e ao levantar percebi que havia rasgos, manchas de mofo e afins. Disse que estava na hora de trocar e decidimos fazer isso. As reclamações da cama rangendo eram constantes também, ao que era insistido que bastava apertar os parafusos.

Eu, por outro lado, queria um box. Maior do que o tamanho de solteiro. Os motivos eram simples: se demorei 15 anos pra ganhar um colchão novo, não dava pra ser um normal. Vai saber quando eu ia ganhar outro!

Vários dias de idas à lojas de colchões, orçamentos, metragens do quarto, argumentação e concordância depois, encontramos o que eu procurava. E trouxemos pra casa – quer dizer, o moço da loja trouxe.

Hoje eu embalei meu colchão velho com todas as minhas lembranças, as 6 casas que passamos juntos e os 15 anos de história e guardei num cantinho pra decidir se fica ou se vai pra doação. O quarto agora é ocupado por uma alta cama confortável e grande o suficiente para caber duas pessoas confortavelmente deitadas. E para eu dormir em x e com os braços abertos do jeito que sempre quis.

É, hoje foi um dia feliz.

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A felicidade permanece.

2 thoughts on “Das alegrias nada pequenas

  1. Eu lembro do dia que eu fui comprar o meu colchão antigo. Escolhi por causa do desenho, uns lírios. Quando chegou em casa, era horrível de duro. Mas como eu sou teimosa desde os cinco anos, eu disse que era do jeito que eu queria. E aí me acostumei com colchões mais duros. Aí mudei pra cama box há quatro anos, mas pra um colchão de solteiro bem pequeninho… E agora tá todo côncavo. Fico muito tempo deitada, haha.

    Gosto das tuas pequenas imensas alegrias.

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