Deuses de Dois Mundos

          A trilogia de PJ Pereira foi escrita em 2001, editada em 2011 e lançada em 2014, pela Editora Boa Prosa. Tanto o box completo como os livros separados estão disponíveis para venda em diversas livrarias do Brasil, além de que há como baixar a história em pdf ou ler em ebook, basta procurar por aí. Há duas versões do livro físico, uma de capa dura e outra de capa normal, porém a edição e a história de ambas é a mesma. O livro é composto por um mapa da região em que se passa a história de Orunmilá (região mitológica Yorubá) e um glossário com as palavras de matrizes africanas. O livro ganhou um trailer e fez com que muitos fãs torcessem para uma adaptação cinematográfica da história – algo que eu apoio e aplaudiria de pé caso ocorresse.

          Há duas histórias paralelas em desenvolvimento. A primeira é sobre um jovem jornalista paulistano, chamado Newton Fernandes, que tenta a todo custo se dar bem na vida, até que recebe uma missão irrefutável, que diz respeito ao Orum. O jovem é apaixonado por sua amiga de infância, Duda, com quem mantém um relacionamento aberto e contínuo. Em seu passado, participou de uma pequena seita religiosa, coordenada por Pilar, que no decorrer da história se mostra uma personagem importante. Em “O Livro do Silêncio“, Newton fica famoso por resolver um grande mistério jornalístico, conseguindo a promoção almejada e gozando de sucesso.

          Já a outra história, nos apresenta Orunmilá, o principal babalaô (adivinho) da região, que ajudava as pessoas através de mensagens recebidas do Orum através dos búzios. No entanto, um dia ele percebe que seus búzios estão em silêncio, não mais conseguindo receber mensagem alguma. Eis que ele envia seu mensageiro (Exu) pessoalmente para saber o que estava acontecendo e descobre que os Odus, príncipes que regem o destino, foram sequestrados pelas feiticeiras mais poderosas que existem (Iá Mi Oxorongá) que objetivam, elas próprias, regerem o destino. Ele recebe pois a missão de recuperar os príncipes perdidos, mas para isso precisaria de um exército de sete pessoas. A história de “O Livro do Silêncio” é basicamente a busca por esses guerreiros e em seguida por alguns dos príncipes perdidos. Os ditos guerreiros são, coincidentemente (ou não) as pessoas que nós conhecemos como Orixás, vulgo, Oxum, Iansã, Xangô, Oxóssi e Ogum. A história se desenrola, portanto, neste universo mítico onde diversos personagens novos são apresentados conforme a progressão narrativa.

          Apenas no final do segundo livro (“O Livro da Traição“) é que as duas histórias se cruzam, pois até então a menção que Newton fazia por sobre sua missão no Orum era obtusa. Acaba que toda a história tem uma relação surpreendente com o ataque às Torres Gêmeas, nos EUA, em 11/09/2001.

          Ainda não li o terceiro livro da saga (“O Livro da Morte“), mas acredito que nele a intersecção entre as histórias seja mais desenrolada, assim como o efeito do universo mítico por sobre o nosso e vice-e-versa. Segundo a explicação fornecida pelo próprio autor ao final do segundo livro, a trilogia possibilita o conhecimento da mitologia yorubá sem relação necessária com religião. No entanto, para quem professa alguma fé que se relaciona com a África, esse conhecimento é ainda mais rico e interessante, visto que a cultura Yorubá é mãe de religiões importantes para o Brasil, como o Candomblé e a Umbanda.

          Muito bem escrito, desenhado, desenvolvido e trabalhado, a trilogia é uma boa pedida para os fãs de histórias mitológicas, fantasia ou conhecimento étnico/cultural em geral. Saber que a história é brasileira, de qualidade e inovadora, nos enche ainda mais de orgulho. Por isso, parabenizamos tanto o autor quanto a editora e esperamos que cada vez mais pessoas tomem conhecimento da história.

          Fiz um vídeo falando sobre a experiência literária do segundo livro da trilogia, “O Livro da Traição“.

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