De mentirinha.

Realmente odeio fazer posts de tão baixo nível, odeio parecer triste e louca. Odeio transmitir uma imagem antônima à do meu dia-a-dia em cada um dos meus textos. Odeio parecer tão insegura e idiota, mas… Não estou conseguindo ser diferente.

Cada dia é uma imensa tortura. Tenho os sonhos mais loucos do mundo, onde sou todas as coisas possíveis e estou em todos os lugares imagináveis. Enquanto sonho penso “relaxa, é só um sonho” e então eu acordo, mas ainda estou sonhando. Pra quem já viu “Inception”, pode-se dizer que tenho sonhos com várias camadas. Sempre estou sonhando. Então eu acordo, visto meu uniforme e dou início à minha rotina tremendamente chata. Chego na escola e ao olhar para os professores continuo pensando “relaxa, é só um sonho”, mas bem… Não é só um sonho. Pelo menos fui levada a crer desde sempre que essa é a realidade, que por eu sentir meus beliscões estou acordada. Só não sei até que ponto as coisas são reais.

Acordo e tudo que quero fazer é voltar a dormir, voltar para a minha zona de conforto, sem risco algum. Dormir porque levantar e fazer algo é inútil e trabalhoso demais. Porque se não é possível que se faça exatamente aquilo que se quer fazer, é melhor que não se faça nada. Mas eu não posso voltar a dormir. Acordo e tenho que sair da minha zona de conforto, correr riscos. Passar mais 24 horas com minhas vontades suprimidas e olhando para coisas que não me interessam nem um pouco. Não sinto que pertenço a lugar nenhum e então começo a fingir. Finjo que estou feliz, que tive uma boa noite, que minha vida é maravilhosa e estou super satisfeita com ela. Finjo que gosto das minhas atitudes, que acho inútil estudar, que concordo com o fato de passar os dias inteiros coexistindo com o nada. Finjo que estou satisfeita. Sorrio e finjo. Tem sido assim desde que me entendo por gente. Afinal, de que adianta tentar deixar de fingir? Ninguém vai realmente se importar. Se eu resolver acordar um dia e ser apenas quem sou, com todos os meus defeitos e gostos, se eu resolver ser realmente excêntrica, fico sozinha. Ninguém quer ficar sozinho. Então eu como chocolate. Como chocolate para esquecer todos os meus medos e decepções. Como desesperadamente, para que aquilo me complete. Como porque o chocolate não vai me decepcionar ou dizer algo que me magoe, vai simplesmente estar ali o tempo todo, pronto para me satisfazer. Como abundantemente, como se nada mais importasse. Então tenho alguns minutos de felicidade. Consigo olhar ao redor e sorrir de verdade. Consigo ver beleza nas coisas, nas diferenças. Diferenças, pft. Tudo sempre foi tão diferente de mim. Nunca encontrei algo semelhante a mim. Algumas pessoas têm alguns traços semelhantes, mas nenhuma é realmente parecida. Nunca encontrei alguém que compartilhasse da maioria dos meus gostos e que eu pudesse conversar sobre qualquer coisa que quisesse que a pessoa entenderia e se não entendesse, discutiria a respeito. Não. Todos são essencialmente diferentes. Pego então os meus amigos, cada um deles. Serão eles realmente meus amigos? Se meus pais morressem, eles realmente se importariam? Eles se importam com algo? Ou apenas coexistem comigo? Aproveitam meus momentos felizes e me abandonariam nos tristes? São raras as coisas em comum perante eu e meus amigos e é por isso que não conversamos tanto. Se for expor qualquer uma das minhas ideias, serei rechaçada. Então, como não consigo ficar calada, falo merda. Falo muita merda. O dia inteiro. Falo mau dos outros, falo sobre coisas que vi na televisão ou na internet, falo sobre desconhecidos porque tenho certeza absoluta que se fosse falar sobre mim ninguém estaria interessado. Mas, porra. Eu cansei. Cansei de ter que estampar um sorriso no rosto quando tudo que queria era chorar. Cansei de fingir que não me importo, quando estou desesperadamente preocupada. Cansei de desejar abraços e carinhos e ficar parada, esperando-os porque correr atrás poderia ser mau interpretado. Cansei de viver dentro de tantas regras e limitações. Cansei da escola, de tudo aquilo que ela representa. Cansei das aulas, dos professores e até das pessoas. Não de todas, claro, porque mesmo que elas me façam viver inertemente e ser alguém completamente diferente daquilo que eu gostaria, imagino que tudo seria muito mais doloroso sem elas ao meu redor. Mas eu cansei da maioria das pessoas. Cansei do cheiro daquele lugar, da cor feia daquelas paredes, daquelas janelas que não deixam a luz passar completamente, daquele sistema de som que nunca funciona direito, dos materiais didáticos repletos de erros e da necessidade incessável de competição que reina aquele lugar. Ir para a escola é a maior tortura que se pode impor à mim. Mais torturante do que fazerem eu comer banana e olha que eu odiaria se me fizessem comer banana. Só que eu continuo indo lá. Continuo sorrindo. Continuo fingindo que concordo com toda aquela besteira, que quero passar no vestibular, me importo com ele. Finjo que sonho com a universidade e com os amigos que farei por lá. Amigos, humpf. Meu irmão tem apenas quatro amigos. De toda a sua vida só sobraram quatro. Sempre me pergunto quantos sobrarão para mim. Porque eu não sou nem um terço do que ele era. Sou um centésimo, mas com o dobro da idiotice. O que vai sobrar? Acho que nada. Viverei no vazio. Sozinha. Então me verei obrigada a constituir uma família convencional, só para que a sensação de vazio diminua, mas ela NÃO VAI DIMINUIR!!!

Preciso gritar. Preciso chorar. Sinto que vou explodir em breve. Não sei mais quanto tempo aguentarei aqui. Tomara que eu resista até o fim do ano, porque realmente acho que talvez as coisas melhorem um pouco na faculdade, nào vou conhecer ninguém, vai ter todo o tipo de gente e eu terei livros legais e matérias super interessantes para estudar, não precisando me preocupar com relacionamentos e pessoas. Eu me cansei de me preocupar com as pessoas. Passar os dias calculando milimetricamente como devo agir para que elas se sintam confortáveis com a minha presença enquanto nenhuma pessoa se importa com a minha presença em algum lugar. Então eu resolvo escrever a respeito disso, porque já não tenho com quem conversar sobre nada. Escrevo inutilmente achando que de algum modo conseguirei ver as coisas com mais clareza e “retornar à sanidade”, escrevo inutilmente achando que alguém vai ler e conversar comigo de verdade, deixar eu desabafar a respeito de tudo e continuar ao meu lado quando as lágrimas aparecerem e eu estiver precisando de um abraço. Mas eu sei que o máximo que receberei aqui é um pouco do que sempre recebo. Pessoas dizendo para eu parar de ser fresca, que não é bem assim, que se importam comigo e que estarão ao meu lado para sempre. Pessoas que não têm coragem de comentar aqui e jogam na minha cara depois que eu estava desmerecendo a amizade deles. Amizade? Se ela fosse real não seria necessária toda essa falsidade. Haverá ainda alguns idiotas que dirão “você precisa de um namorado!”, não, não preciso de um namorado. Preciso de alguém que me ame e saiba demonstrar isso. Mais uma vez estou aqui tentando tirar todas as minhas máscaras, vulnerabilizando-me em busca de algo real em meio a esse mundo de sonhos. Algo sólido e que demore bastante para se desmanchar no ar. Só quero alguém com quem eu possa conversar sobre qualquer coisa sem precisar escrever sobre elas, falando enquanto olho nos olhos e vejo a reação perante a cada coisa insana que sai da minha mente deturpada. Mas só encontro gente que também está fingindo. Fingindo ser alguém que pareça bom e feliz, para ser mais aceito, para pertencer a mais grupos e mais lugares, porque isso é o que as pessoas consideram “feliz”, alguém rodeado de pessoas e sorrindo. Mau sabem eles que um sorriso pode esconder muitas coisas.

No fim somos apenas parasitas. Corpos habitados por almas que resolveram encarnar-se para tentar evoluir um pouco. Em vão. A cada vez que trocamos o rosto amigo de alguém e a voz sábia dessa pessoa por um caderno ou um blog estamos nos distanciando um pouco mais dessa tal “evolução”. Ao invés de melhorarmos nossos laços afetivos com as máquinas ou com nossos vícios, deveríamos correr atrás das pessoas, mas cadê a força para isso?

Sou apenas uma boneca que respira e veste uma máscara diferente para cada ocasião.

0 thoughts on “De mentirinha.

    1. não é desistir de TUDO, só da atual realidade que me frustra a cada dia mais e engrandece minha sensação de “despertence”, sendo que quero pertencer a algo.

      1. É complicado esse sentimento…Você sente a necessidade de fazer parte de algo, mas ao mesmo tempo não acha nada que realmente te dê vontade de fazer parte… Entendi certo?

        Se for, não a nada que eu possa dizer… A sua vida é sua, e é possível que realmente exista um lugar onde você se encaixe (ou não)… Mas mesmo existindo, não há garantias de que você irá encontrar… E também existe a possibilidade de você criar o seu próprio mundo, mas não a garantias de que alguém vá querer fazer parte dele… E caso abra mão e aceite outro mundo, você abrirá mão de um pouco de você, daquilo que quer e que pensa, deixando de ser quem é, o que não fará diferença, já que a antiga sempre esterá dentro de você, e isso poderá ser como um veneno (ou não)…

        Você é nova, e o mundo é realmente um lugar muito grande, apesar de muitas vezes ele parecer acabar na esquina… Viva o seu dia, pense sobre o futuro, mas que ele não seja tudo… Um dia por vez as vezes já dá bastante trabalho…

        E eu sempre sou ruim com palavras, quase nunca sei o que dizer XD

        1. Você entendeu super certo!
          Ao contrário do que se possa parecer, não fico planejando muito o futuro, mas quando resolvo fazer isso escrevo aqui, daí parece que vivo planejando as coisas, grande mentira… Passo os dias tentando aproveitar ao máximo cada uma das oportunidades criadas aqui, isso sim.
          Quanto a criar meu próprio mundo, é um dos poucos planos que pretendo concluir, só que só posso começar a trabalhar nele depois que tiver uma certa independência e por enquanto ainda sou menor de idade e moro com meus pais, tendo que me submeter às regras deles além daquelas já impostas pela sociedade. Isso me limita bastante, faz com que eu imagine muitas hipóteses e não tenha permissão nem de começar a tentar concretizá-las. Não quero abrir mão do meu novo mundo, não quero viver sem pertencer a nada, porque sei que acaberei me envenenando mesmo e não vai ser legal, tudo que posso fazer agora é tentar aproveitar os dias que se sucedem e aguardar ansiosamente pelo dia em que eu possa levantar da minha cama e fazer tudo aquilo que tenha vontade, sem ter que me preocupar com limites impostos pelos outros. Só que é muito chato ter que privar a sua mente, seus desejos e ideias, paralisá-los enquanto o tempo não passa. Tentarei.
          Você diz muito, mesmo com o seu pouco, obrigada!

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