Dear Friend,

Eu tenho crises existenciais frequentes e acredito que se você lê este blog com uma razoável frequencia sabe disto. Tento resolver minhas crises pensando, porque eu tento resolver a minha vida inteira pensando, porque a única coisa que eu sei fazer é pensar. Só que para que os pensamentos fluam alguns estímulos são necessários. Determinadas vezes eu leio um livro reflexível, em outras escuto a uma música que me lembre algo que me faça pensar com clareza, em muitos casos leio blogs das minhas amigas, que fazem os melhores textos do universo, em outras ainda eu assisto a alguma das minhas séries favoritas, que sempre me iluminam na vida, mas em suma maioria das vezes, eu assisto a filmes. Geralmente aos mesmos, tenho uma lista e fico reassistindo-os infinitamente, porque só consigo pensar com estímulos. Acho que todos são assim e os que não são deveriam, porque estímulos clareiam nossa mente um bocado.

Eu não era assim, de ter crises existenciais e ficar pensando, tornei-me graças à Mia Thermopolis e seu infinito diário repleto de sua sede por auto atualização e auto conhecimento, eu achava legal tudo que ela conseguia descobrir sobre ela mesma de formas tão inimagináveis e queria conseguir fazer o mesmo, então eu comecei a pensar sobre o mundo e, principalmente, sobre o meu papel nele e comecei a me angustiar mais que o normal com isso e dei o nome de “crise existencial” para este pequeno emaranhado de coisas.

Há dois anos eu comecei a ler um blog sensacional e muitas de minhas crises foram solucionadas graças a seus belíssimos textos. Um dia tive coragem de comentar no blog e não parei mais. Eis que conheci a autora através de um grupo no facebook e ela comentou em meu blog pela primeira vez e eu sorri e pulei pela casa e pouco tempo depois nós viramos amigas e nos encontramos pessoalmente e hoje sei que há uma grande possibilidade de até sermos parentes de verdade! A questão é que esta pessoa é absurdamente incrível e todas as vezes que me via com crises existencias insistia em dizer “assista a Elizabethtown!” e eu ficava grilada porque nunca tinha visto o filme e achava que os da minha lista já eram suficientes e os melhores no serviço de resoluções pessoais, mas todas as vezes que ia a uma locadora procurava pelo tal filme. Nunca encontrei. Um dia estava caminhando pela minha livraria preferida e decidi que compraria três dvd’s, agarrei dois dos que sempre quis e lembrei-me do tal “Elizabethtown”, encontrei, nem vi o preço e já comprei. Ele tinha que ser bom. Nada que minha amiga gosta é ruim. Comprei e assisti na mesma noite e quando terminei contei pra ela e ela disse que eu precisava fazer um texto sobre. Só que eu não conseguia. Eu nunca consigo fazer textos sobre os filmes que me são realmente úteis, é por isso que nunca falei detalhadamente dos meus preferidos e é por isso que quando me perguntam porque eu gosto deles vem tanta coisa na minha cabeça que eu só consigo responder “porque é genial!” e eu não sei o que escrever sobre “Elizabethtown”. Só que minha amiga é fantástica, hiper ultra mega fantástica e eu ainda acho esquisito saber que posso chamá-la de amiga, porque pra mim ela sempre será um ícone mor de genialidade existente no planeta. Ontem ela inaugurou o novo layout do blog dela e escreveu um belíssimo texto sobre o filme mais importante da vida dela. E eu morri de inveja porque sempre quis escrever um texto genial sobre algum dos meus filmes preferidos, só que, bem, eu não consigo.

Após ler e reler o texto dela incontáveis vezes decidi que deveria reassistir ao filme, então me dei ao trabalho de pedir para o meu irmão ligar o PS3 e colocar meu dvd lá, sentei no sofá, compenetrei-me e comecei a assistir. É claro que o interfone tocou, depois o telefone, depois minha mãe chegou em casa e atrapalhou para ficar conversando, depois foi o meu irmão, depois ela reclamou que queria ver a novela e eu não deixava, depois ela começou a assistir a novela em uma altura terrível na televisão da cozinha, mas eu queria tanto ver o filme que nada disso me impediu e eu vi. Aprendi a mexer no controle remoto e prestei o máximo de atenção possível e senti tudo aquilo de novo.

“Elizabethtown” não é o meu filme preferido e está longe de ser o melhor para minhas resoluções existenciais, mas eu consigo sentir o filme, a essência dele e isso é quase tão mágico quanto resolver suas questões existenciais com uma simples obra cinematográfica. A coisa mais importante que este filme me ensinou foi que a tristeza é mais fácil, mas não é o melhor caminho. O filme é fantástico porque pega a história de um completo fracassado e nos mostra que mesmo com todos os fracassos possíveis, a vida ainda tem salvação, basta que a gente mergulhe profundamente nela e não deixe se abater demasiadamente pela tristeza que facilmente chega e dificilmente vai embora. E tem toda a história de um mapa personalizado e de uma viagem de carro com trilha sonora que é completamente encantadora. E eu fiquei com uma tremenda inveja dessa viagem porque pareceu tão maravilhosa e resolutiva que acho que todos deveriam fazer algo do tipo algum dia na vida.

Eu ainda não sei como resolver minhas crises existenciais, mas acho que sempre vou continuar a tentar completar essa empreitada. Descobri que ainda não encontrei todos os filmes resolutivos que existem e continuo buscando por mais títulos. Confirmei meu pensamento de que eu posso absolutamente confiar em todas as coisas que a minha amiga me indica, porque de fato ela não erra e, principalmente, eu decidi começar este ano tentando deixar a tristeza e a melancolia alojarem-se com menor intensidade e frequência neste pequeno coraçãozinho sonhador e descobri que a chave para isso encontra-se simplesmente em mim. Basta que eu feche as portas para a tristeza e lembre-me de sempre levantar a cabeça, engolir as lágrimas e armar um sorriso, mesmo que forçado. Eu sei que fingir ser forte não é eficaz e eu não quero fingir que sou forte, eu quero realmente ser e quero ser capaz de reconhecer que não consegui. Quero ser capaz de chorar em algum lugar que não seja o meu quarto escuro ou trancada em um banheiro qualquer. Eu quero aprender a ser mais sincera comigo e com os meus sentimentos e a levar a vida mais levemente, acreditando que eu consigo, mesmo que ninguém acredite. Porque sim, eu consigo. Eu sei que consigo. E só posso agradecer aos filmes, livros, seriados, músicas, palavras amigas e à minha querida amiga.

Lema do ano.

0 thoughts on “Dear Friend,

  1. Sintonia pura nossas aventuras cinematográficas de hoje, hein? Amei essa quote que você colocou no fim, porque não dei tanto valor a ela no momento em que foi dita, percebi direito agora. Mas minha quote favorita do filme foi a que me arrepiou quando aconteceu. E ela é tão simples que talvez as pessoas nem reparem. É: “Eu vejo seus faróis”, quando eles estão na estrada. Pra mim isso disse tanta coisa, achei maravilhoso.. <3

  2. Tô emocionada.
    Sério.
    Muita honra ser sua amiga, Mayrinha, receber esse carinho enorme e saber que te ajudei a descobrir uma coisa boa pra você mesma. Espero que você consiga colburnizar seus dias e enchê-los de luz, porque elas combinam muito mais com seu sorriso e com seus cabelos coloridos do que qualquer tendência à melancolia extrema.
    Te amo <3

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