Deixando de ser Reacionários

Desde a época da ditadura militar, onde os jovens pintaram as caras e saíram às ruas exigindo a redemocratização do país, em movimentos como o das Diretas Já, os jovens tornaram-se passivos em relação à política do país.

Há anos não se houve falar de passeatas, movimentos, marchas, é como se com o passar do tempo os jovens tivessem apenas perdido seus ideais e achassem muito mais fácil aceitar o mundo do jeito que é ao invés de tentar mudá-lo.

Um dia desses tive que fazer uma redação na escola e o texto base era uma entrevista com um cara que dizia que os jovens de hoje não têm mais nada para lutar por e que atualmente o mais próximo de “sagrado” que existe é família, pois muitos até deixaram de acreditar em Deus, que há alguns anos era verdade absoluta.

Ontem ouvi uma frase de Gandhi muito interessante, em que dizia “Tudo que você fizer será insignificante, mas é muito importante que você o faça.”

Com essa frase apresento a vocês a Marcha das Vadias

Lembram do meu último post, sobre a minha indignação perante às atitudes masculinas? Então, essa marcha é mais ou menos com o mesmo propósito. Essa marcha surgiu em Toronto, no Canadá. Em uma universidade teve uma palestra sobre segurança em que o palestrante pedia às meninas para não se vestirem como “vagabundas” para evitar estupros. O termo original é “Slut Walk”, ou seja, “Marcha das Vadias”. O intuito é conscientizar os homens que as mulheres são livres e podem se vestir com quem quiserem, transar com quem quiserem, fazer o que quiserem. Conscientizá-los de que não é porque elas usam minissaias que querem transar com eles e de que elas não se vestem somente para impressioná-los, mas para se sentirem confortáveis e seguirem seus ideais de moda. O objetivo é mostrar que as mulheres são vítimas em casos de estupro e não as causadoras de tal ato. Nenhuma mulher quer ser estuprada. O problema é com os homens que cometem tais atos. Depois de vários protestos ao redor do mundo, chegou a vez do Brasil. Ontem em Belo Horizonte milhares de mulheres se reuniram em prol dessa causa, com cartazes muito bons.

 E comprovam mais uma vez o que eu disse no post anterior, as mulheres não ficam caladas perante a injustiças, elas vão a luta, correm atrás de seus direitos e não deixam passar oportunidades. Isso é apenas mais uma tentativa de garantir o respeito que os homens já deveriam nos dar há um bom tempo. Estamos no século XXI e a ainda temos que fazer coisas desse naipe para podermos nos sentir um pouquinho mais “gente”. Eu teria vergonha de ser homem, meus caros.

Mas a Marcha em Belo Horizonte não foi a única coisa que fez do dia 18/06/2011 um dia histórico. Ocorreu também a Marcha pela Liberdade, essa com proporções muito maiores e em várias cidades brasileiras.

A Primeira Marcha pela Liberdade ocorreu em São Paulo, no dia 28/05/2011 e foi uma reação da população sobre o ocorrido na Marcha pela Maconha, ocorrida dias antes, onde a polícia agiu de forma repressiva sobre os manifestantes, utilizando-se de bombas de efeito e balas de borracha para tentar impedir que aquela manifestação tivesse proporções maiores. A Marcha pela Maconha era apenas uma forma de expressar a vontade do povo, manifestações do tipo não são proíbidas no país e a repressão da polícia foi desnecessária, além de absurda. A Marcha da Liberdade, portanto, surge com o intuito de tornar o cidadão de fato livre para expressar-se sobre o que quer que tenha vontade.

No site oficial do manifesto, há um convite para a sociedade participar do movimento, lá ficam bem claros os ideais pregados e o que se espera dos manifestantes. Segundo o site, eles querem uma sociedade igualitária, com amor e respeito. Convocam todos os tipos de pessoas, de todos os grupos, classes sociais e possíveis “rótulos” para lutar em prol de um bem comum, a liberdade de expressão. O objetivo principal da Marcha é conseguir uma regulamentação que proíba o uso de armamentos pela polícia em manifestações sociais. Eles ainda afirmam ser contra o conservadorismo presente no Estado e no judiciário. Querem realmente ser livres, como nos é de direito.

Essa manifestação passou pela minha rua ontem. Eu até pensei em descer para participar, mas não sabia do que se tratava, foi por isso que resolvi pesquisar e foi isso que motivou esse post. Foi uma manifestação muito linda de ser vista. Muitas pessoas de bicicleta, as mesmas que participam do movimento que me faz acordar cedo em vários domingos, aquele que eu nunca soube do que se tratava, mas sempre me faz ir para a janela e gritar junto um pouco de “Menos carro! Mais bicicleta!”, muitas pessoas com cartazes sobre vários movimentos, bandeiras de arco-íris, bandeiras do PSTU, pessoas entoando a cada minuto um hino diferente, em unissono. Vários ideais sendo propagados, com certeza ideais que não atingiam todo aquele grupo, mas nem por isso eram considerados menos importantes.

Em meio a toda aquela gente o que mais me chamou atenção foi o rapaz que carregava um violão. Sou dessas que se encanta com as coisas mais simples e para mim aquele cara com o violão, parando nos semáforos e indo até os carros tocar algo, provavelmente lindo e significativo, me mostrou que é possível fazer a revolução pacificamente, tornando cada pequena coisa um pouco mais bela. Além do cara do violão, havia também algumas mulheres segurando corações de cartolina, aquele típico clima de “rosas entre guerras”, sabem? Bom, eu sempre vejo imagens do tipo na internet, uma guerra f*dida acontecendo e uma pessoa com uma rosa na mão, algo assim. Essa moça do girassol também é da Marcha da Liberdade, só não sei de qual cidade.

O fato é que foi uma manifestação que simplesmente me encantou, pela simplicidade, organização e depois que eu conheci um pouco melhor o movimento em sí, me encantou pelos ideais e objetivos. Senti um arrependimento amargo por não ter saído da minha zona de conforto e ido junto com eles nessa marcha pela liberdade.

E, bem… Depois de ter convivido apenas com dois tipos de manifestação ao longo da minha vida, um deles sendo a Parada Gay e o outro sendo a tal marcha das bicicletas, citada àcima, do qual pouco sei sobre, senti-me orgulhosa pela minha geração estar tomando jeito e criando coragem de sair às ruas em prol de alguma coisa. É bom saber que os ideais ainda existem, que o cheiro de Revolução ainda encanta algumas pessoas. Dá uma esperança a mais, me faz pensar que realmente o mundo pode tomar jeito algum dia.

Lembrei-me agora da Passeata contra o novo código florestal, que ocorreu aqui em Curitiba há algum tempo, onde os estudantes pintaram a cara de branco e foram à luta em prol de alguma coisa.

Neste exato momento minha rua foi interditada pela polícia, porque hoje é o dia mundial do skate e está tendo uma passeata de skatistas. Eu nunca tinha visto tantos skatistas junto, muito legal! Tirei algumas fotos  para vocês terem uma noção:

 

Eu sei que isso não é bem uma manifestação e que não representa a diminuição da passividade dos jovens, mas achei muito legal e tive que compartilhar.

 

 

 

Mais um pouco da “Marcha da Liberdade”

 

Fico extasiada com coisas assim, talvez tenha nascido para ser militante. Serei eu a futura “Lula” do país ou meus ideais morrerão com o tempo e tornarei-me apenas mais uma, reacionária, como tantas outras? Só o tempo dirá.

Estamos aqui para mostrar que temos vez e voz e não vamos ficar calados perante a injustiça. Estamos deixando de ser reacionários aos poucos, nos aguardem.

Parafraseando Gandhi, talvez meus posts, comentários, pensamentos e atitudes sejam completamente insignificantes, mas é muito importante que eu os faça, porque jamais saberei o resultado de algo se não tentar realizá-lo.

Pra finalizar, uma musiquinha para vocês: 

Mais informações sobre a Marcha das Vadias aqui e sobre a Marcha da Liberdade aqui.

0 thoughts on “Deixando de ser Reacionários

  1. Ai, confesso. Sou bem acomodada. Acho bem legal que façam isso, mas seria uma das últimas a levantar a bunda do sofá. Ridículo, eu sei. Só faria se fosse uma coisa que mexesse MUITO comigo, tipo, que tenha a ver com crianças ou.. teatro (monotemática que só), HAHAHHA.
    Beijos

  2. Eu discordo um pouco da “slut walk” não pelo movimento em si, mas por saber que tem muita menininha que só entra nessas pra sair por aí com roupa mais provocante que o habitual e pagar de revolucionário quando na verdade não faz ideia do que está acontecendo realmente. Mas essas coisas são bem legais. É importante pra nossa geração se mexer um pouco mesmo, né? Beijos :*

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