Devaneios de um Domingo qualquer.

Hoje eu acordei revoltada.

Não sei se foi o novo corte de cabelo, o cansaço da festa, minha mãe gritando pra eu levantar ou os primos pré-adolescentes que se acham, mas tive vontade de matar cada uma das lindas pessoas em que olhei na cara.

Até eu ver a Sofia… Minha priminha de 5 anos, super fofa que ficava o tempo todo vindo me dar beijinhos e me abraçar e me dizer coisas como “você sabia que é linda?” ou “te amo, tá?” e me oferecia comida, afeto, tudo que eu poderia pedir no momento.

Tem tantas coisas que eu gostaria de fazer e não fiz, tantos lugares que gostaria de ter ido e não fui, tantos sonhos que gostaria de realizar e agora são apenas lembranças de sonhos… Não costumava acreditar que as pessoas têm poder de mudar a sí mesmas, até ver essa mudança acontecendo comigo.

Não sei se é coisa da adolescência, aliás, nem sei se já fui adolescente algum dia, porque a vida inteira me chamam de criança.

E hoje quando me perguntaram para que ano da escola eu estava indo e eu respondi “Terceiro” e falaram “COMO ASSIIM??? Vc vai fazer faculdade em 2012 já?” e eu disse “Sim” e ficaram me olhando como se fosse a coisa mais impossível do mundo, percebi que na verdade não importa o que eu pense sobre o mundo em sí, não importam todas as coisas que gostaria de fazer para melhorar essa joça, não importa nada do que eu sempre sonhei, pensei, pesquisei e lutei, no fim das contas nunca serei levada a sério, sempre vão olhar pra minha cara e achar que sou apenas mais uma que pretende algo a mais do que poderia ganhar.

Querem saber como me vejo daqui a 10 anos?

Trabalhando em um emprego que eu não gosto, obedecendo pessoas que acho ridículas, em uma casa toda linda e perfeita, mas vazia, sem nenhum namorado, apenas minha família feliz e sorridente porque tem uma garota bem-sucedida na família. Deitarei na minha cama e não terei Juan Pablo para sonhar com, não terei nada nem ninguém. Serei mais vazia do que um pacote de ruffles, mas as pessoas olharão para a minha cara e dirão “Que bom que você desistiu de ser atriz, socióloga, sei lá o que.” e “Ainda bem que você tomou jeito na vida” e daqui a 70 anos, velhinha, visitarei minhas sobrinhas, encherei o saco das filhas delas tanto quanto minhas tias enchem o nosso saco, brigarei, serei birrenta e quando elas se cansarem da velha Mayra, vão me mandar pra um asilo.

É assim que eu me vejo.

Porque não importa quem você gostaria que você fosse, se você não tiver forças para lutar para ser essa pessoa, você vai se olhar no espelho e perceber que continua sendo apenas você.

Não quero ser apenas mais uma no mundo.

Quero ser alguém, pelo menos para uma pessoa.

Se alguma pessoa no mundo, algum dia, me ver como se eu fosse alguém que presta, minha vida valeria a pena.

No momento, só consigo pensar em pintar minhas unhas de preto, rasgar minhas camisetas, aprender a tocar guitarra, montar uma banda de heavy metal, viver a base de sex, drugs and rock&roll e nunca mais voltar pra essa maldita casa.

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