Dia de São Marx

Há um bom tempo venho prorrogado a escrita de um texto sobre Karl Marx e há um bom tempo minha criatividade resolveu me abandonar. Achei que tinha desistido, mas encontrei o “The Daily Post”, blog feito pelo WordPress que propõe temas diários para textos. Um desses temas consistia em inventar um feriado e explicar os motivos para que as pessoas o comemorassem, então, juntei uma ideia com a outra e resolvi fazer esse texto!

Meu feriado seria no dia 05 de Maio e dar-se-ia em todo o mundo!

Karl Marx veio de uma família judaica alemã abastada financeiramente. Desde seu ensino médio tinha pensamentos diferentes dos tradicionais, afirmando que deveria trabalhar pelo bem dos semelhantes e somente para isso. Sempre foi apaixonado por sua vizinha de infância, Jenny e a ela escrevia lindos poemas que não eram simplesmente bobos e românticos, mas já constavam mitos e histórias que muito tinham a ver com suas inclinações de pensamento.

“Jenny! Se pudermos fundir nossas almas, então com desprezo hei de jogar a luva no rosto do mundo, hei de caminhar entre as ruínas como criador!”.

 Foi mandado à faculdade e lá se envolveu em brigas e com todo o tipo de coisas ruins, o que o fez ser transferido por seu pai para uma universidade mais séria, nesta ele estudou direito e apaixonou-se por filosofia, dedicando grande parte de seu tempo a ela. Deixou de ter amigos para ficar em seu quarto lendo e pensando e só fazia amizades quando auxiliavam seus interesses intelectuais. Na faculdade enviava cartas poéticas para Jenny e raramente respondia à de seus pais, enquanto esses insistiam em mandá-las frequentemente. Após formar-se se casou com Jenny.

Gostava muito das teorias de Hegel, o principal filósofo alemão da época, mas não demorou muito para começar a criticá-lo e, junto com ele, a religião, que era o foco dos escritos do filósofo. Pesquisou sobre vários críticos da religião, da bíblia e do evangelho e a todos chamava de “santo”, fato que pode ser visto em seu livro “A Ideologia Alemã” que tem como títulos de capítulos os nomes desses “santos”.

Começou a fazer artigos e escrever para jornais alemães. Conceituou várias coisas e explicou vários conceitos. Resolveu que deveria mudar o mundo e, como seu pai já tinha morrido, nem sequer pensou em seguir a carreira de advogado. Queria ser diferente dos filósofos que só interpretavam o mundo de maneiras distintas, percebeu que deveria transformá-lo.

Consolidou suas teorias ao lado do parceiro Friderich Engels, filho de industriais ingleses que cuidava das indústrias da família. Engels ajudou a sustentar Marx quando este já tinha vendido todos os seus pertences para sobreviver e mostrou a ele como era a vida nas fábricas inglesas, princípio que gerou toda a discussão de uma nova organização social, posteriormente consolidada como comunismo. Um ajudava o outro a melhorar sua visão de mundo e sua parceria literária foi fantástica, pois enquanto Marx escrevia com convicção, metáforas e sentimentos, Engels polia as coisas, tentando facilitá-las e explicá-las melhor. A ideia de comunismo deles não era nem um pouco maléfica, eles jamais escreveram sobre como a revolução deveria ser feita e jamais aconselharam que países subdesenvolvidos a fizessem. A ideia deles era de que o comunismo surgiria após a crise do capitalismo, pois a Revolução Industrial fez com que o capitalismo se desenvolvesse tanto na Inglaterra que não haveria mais o que fazer, então transformar-se-ia em Comunismo, algo em que tudo seria de todos, não haveria concorrência, nem lucro, nem governante, pois tudo já teria sido previamente consolidado e as pessoas não precisariam desses artifícios para consolidar suas vidas. Eles previram um Comunismo na Inglaterra da época e, mesmo que tenham dito para os proletários de todo o mundo unirem-se, eles imaginaram que se uniriam apenas após que as condições prévias tivessem sido atingidas.

Marx nunca matou ninguém nem escreveu que alguém deveria matar, ele pode ter insinuado, mas nunca afirmou com todas as letras. Ele era uma pessoa boa e fantástica, um gênio que nunca desistiu de formular teorias capazes de consolidar seu sonho de um mundo melhor. Ele escreveu coisas que pessoas de várias profissões têm que ler até hoje, ele influenciou pessoas que fizeram barbaridades e, enfim, ele deveria ter um feriado só dele porque sem ele a história do século XX inteira seria diferente e sabe-se lá onde nós nos encontraríamos hoje. Ele merece um feriado porque, antes de ser uma pessoa polêmica, ele foi uma pessoa. Uma pessoa capaz de escrever textos que eu jamais imaginei ler e que li pensando que odiaria, mas que acabei embarcando neles e em toda a história que propiciou sua escrita e agradecendo a esse bom velhinho por tê-los escrito algum dia. Porque independentemente de acreditarmos ou não em suas teorias, elas são sensacionais e enquanto lemos e interpretamos seus escritos elas fazem completo sentido. Escolhi Maio justamente porque a intenção não é comemorar suas teorias, mas sim celebrar o fato de ele ter existido algum dia.

Porque se eu tivesse que escolher um teórico para ser dono de seu próprio feriado, desculpem-me os outros, mas eu escolheria o meu São Marx. E como escolheria.

E vale lembrar que eu não sou marxista, que eu não concordo com todas as ideias dele e que eu não acredito que elas dariam certo no mundo de hoje, mas ainda assim o considero um grande homem, principalmente por nunca ter desistido de seus sonhos e de ser quem ele era independente do que falavam. Por isso creio que ele é um homem digno de um feriado mundial, para que pelo menos de alguma forma todos os proletários do mundo sentirem-se unidos.

R.I.P Karl Marx.

0 thoughts on “Dia de São Marx

  1. HAHAHAHAHAHA Você é sensacional!
    Eu tenho um carinho enorme pelo Marx, mesmo tendo perdido bastante a fé nas ideias dele quando fui estudar pra valer na faculdade. Lembro quando fui apresentada a ele na sétima série, pelo melhor professor que já tive na vida, um marxista roxo, apaixonado, e não tem como não curtir o cara quando ele é apresentado pra você sob essa ótica cheia de amor.
    Concordo, acho que seria lindo ter um dia dedicado a ele. Você foi certíssima ao dizer que o século XX não teria sido o mesmo sem ele. Não teria mesmo.
    Long live Karl Marx!
    beijos

  2. Caralho, que texto!
    Desculpa o palavrão.

    Eu sempre fui curiosa pra ler algo do tio Marx, mas confesso, com muita vergonha, que sinto preguiça e não ainda não estou interessada o suficiente pra cair de cabeça. Entende? Acho que esse tipo de conhecimento exige grande atenção do leitor e eu jamais desperdiçaria um Marx assim. Mas conforme vou amadurecendo, cada vez mais me aproximo do dia em que finalmente conhecerei esse homem importantíssimo pra história (:

  3. Eu apoio a criação desse feriado.
    Confesso que nunca li nada de Marx, por preguiça mesmo. Eu sei, que feio e tal.
    Mas com teu texto [maravilhoso, by the way] fiquei com MUITA vontade de entrar a fundo nesse mundo.
    Beijo.

  4. Adorei a ideia do post, e curti quem você escolheu para homenagear.. Confesso nunca ter lido nada escrito por ele, e só o conheço pelo que estudei no ensino Médio, mas acredito que ele tinha boas ideias, mas não são fáceis de serem empregadas na sociedade!

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