É hora de dar tchau

Era uma vez uma menina perdida no universo do ensino médio, tendo que lidar com um monte de coisas que não se sentia preparada, em um lugar que não tinha nada a ver com ela e que ela não via um sentido ou objetivo coerente com sua pessoa. Eis que ela se auto-intitulou alien e resolveu utilizar sua sensação de não pertencimento positivamente, criando um espaço no qual pudesse discorrer a cerca de todos os assuntos que as pessoas ao seu redor não estavam interessadas em ouvir.

Foram três anos, quase quinhentos textos e diversas opiniões disseminadas, sobre coisas que hoje nem fazem mais sentido e que foram contraditas em textos mais recentes. Foi uma viagem entre extremos, entre fases, lugares, pessoas, amores, situações, experiências, vida. Tudo para que pudéssemos chegar onde estamos agora.

O hoje e o agora me fizeram perceber que não me sinto mais uma alienígena largada na terra. Eu ainda me sinto largada e sozinha, mas devido a coisas que eu mesma construí ou deixei de construir. Chuck Palahniuk vivia gritando na minha cara que eu não sou um lindo, único e especial floco de neve, mas eu insistia em não acreditar. Insistia em acordar todos os dias e me achar linda, única e especial e em vir aqui contar cada micro detalhe da minha vida, como se eles fossem flocos de neve indispensáveis para as vidas alheias. Só que, se não fosse eu a escrever isso, jamais teria paciência para ler grande parte destes textos. Porque eles não são interessantes. E é super legal desabafar, mas não é legal desabafar pra um universo de gente que você não sabe quem é e que lê suas dores e comenta atrocidades – muito embora isso tenha ocorrido pouquíssimas vezes, porque meus leitores são super fofos.

O fato é que eu percebi que sou muito mais normal do que eu esperava. Tenho anseios tão comuns quanto qualquer outra pessoa da minha idade, cultura e classe social. Vivo uma vida muito semelhante à de quase todo mundo que eu conheço, com as mesmas frustrações e os mesmos anseios. Talvez eu enxergue as coisas diferentemente e tenha meu próprio jeito de lidar com elas, mas eu nào me sinto mais despertencente do mundo. Eu consigo ver que sou daqui. Consigo passar um dia inteiro conversando com uma amiga do ensino médio sem ficar entediada porque estamos falando de assuntos que não me interessam, porque eu consigo me interessar pelos mesmos assuntos que minhas amigas. Achei que jamais me sentiria assim novamente. Que isso tinha acabado na oitava série e eu estava fadada a ser incompreendida, mas quando a gente entra em um meio que todos foram incompreendidos durante seu ensino médio, é como se automaticamente nos tornássemos compreendidos e compreensíveis.

Tenho me sentido, em geral, bem. Confortável comigo mesma e com a minha posição. Mesmo encontrando diversos percalços, mesmo tendo mil e uma dificuldades em aceitar o fato de que eu tenho os mesmos anseios que o resto do mundo porque não sou um alien. Mesmo tendo percebido que sou normal e tão shopaholic quanto qualquer outro.

E por esses e outros motivos que estou com preguiça de elencar no momento, passei a considerar esse espaço aberto demais, intenso demais, tagarela demais. Eu disse tanto aqui, sobre tantas coisas, tantos momentos, situações e sentimentos. Tanta coisa. Reler os textos é como viajar a um passado distante e na maioria das vezes me assusto por ter sido capaz de escrever uma atrocidade dessas, porque a maioria dos textos é terrivelmente escrito e não fala nada de útil ou expressa uma opinião que eu nunca acreditei, mas me empolguei escrevendo sobre e acabei fingindo que acreditava. Na verdade, é assustadora a quantidade de textos que não condizem com a realidade, mas sim com a realidade que eu gostaria que fosse real. E isso me incomoda. E eu decidi parar.

Decidi repensar melhor as coisas que eu compartilho, decidi mudar minha perspectiva de vista sobre outras coisas, mudar meu jeito de bloggar, mudar o jeito de me enxergar e decidi que não posso fazer isso aqui.

Quero agradecer do fundo do coração a todos os meus leitores maravilhosos que sempre me deram atenção e fizeram comentários lindos e doces que sempre me ajudaram em meus percalços e quero dizer que já tenho outro blog e que estou trabalhando nele para ser um ambiente diferente e mais positivo, com menos reclamações e mais resoluções, e que eu não vou divulgar o endereço dele aqui, mas conforme for comentando nos blogs que comento acabo divulgando!

Como diria Madelaine, “até mais ver, em francês… au revoir”.

0 thoughts on “É hora de dar tchau

  1. Acho que tudo o que contribuir para nos fazer crescer e amadurecer é válido. Espero que sua nova jornada te traga mais histórias e mais aprendizado p/ vc compartilhar com a gente. Não fica longe por muito tempo, tá? Beijão!

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