É o que acontece quando você tenta ser honesto.

Essa frase entrou na minha vida dias atrás, assim que terminei de assistir ao filme “Era Uma Vez…”. Desde então comecei a refletir sobre ela e a conclusão chegada é simples: é mais difícil ser honesto do que ser desonesto.

Minha família é enorme e isso significa que é repleta de problemas, os principais dele são o tabagismo e o alcoolismo, tendo casos de drogadição e mendigagem como consequências dos mesmos. Não tenho vergonha de falar isso, porque é verdade. Tendo em vista tais problemas dentro de minha própria família, é de se imaginar que procuro distância de quem os possui e não faz parte dela. É assim que me distancio de várias pessoas, não pelo fato de fazer dezenas de discursos moralistas, anti-tabagismo, anti-álcool ou anti-drogas, a questão é que como eu não concordo com tais atitudes, as pessoas acabam me excluindo de seu círculo de convívio assim que iniciam-se no uso de tais substâncias.

O que pode-se observar, porém, é que mesmo em meio a tanta “perdição“, continuo sendo honesta, por mais difícil que isso seja às vezes. Não digo que nunca tive vontade de fumar ou beber, porque estaria mentindo. Ter vontade é natural e humano, ceder-se a essa vontade é o que te torna honesto ou não. No caso, uso a palavra honestidade pelo fato de eu ser menor de idade, o que torna o uso de qualquer uma dessas substâncias automaticamente ilegal, tendo em vista que mesmo as legalizadas pelo Estado são proibidas para menores de dezoito anos. Talvez eu beba algum dia, quando for mais velha e estiver numa festa de casamento por exemplo, ou talvez eu passe a ver sentido na coisa e vire uma bêbada perdida da vida, digna de pena dos meus familiares e causadora de mais sofrimento para eles, realmente espero que não, mas não posso prometer nada, não mando no futuro. Tudo que posso dizer é que até hoje eu nunca fiz nenhuma dessas coisas, simplesmente porque as considero erradas e bobas. Não entendo quem necessita de tais substâncias para ter momentos de alegria, felicidade ou êxtase. Não somente porque consigo tais momentos ingerindo um bom pedaço de chocolate, mas porque não vejo como possa valer a pena fazer uso de tais dejetos.

Sou completamente convicta de minha honestidade, nunca tendo roubado ou feito qualquer coisa considerada ilegal.

Respeito a liberdade individual de cada um, portanto não tento interferir nas escolhas feitas por meus conhecidos. Cada um age conforme suas crenças e eu nada posso fazer além de respeitar as decisões e opiniões de todas as pessoas, mesmo que discorde da maioria delas.

Depois de muitos anos tentando impedir que algumas das pessoas que eu amo perdessem suas vidas para os malditos vícios, resolvi fingir que não me importo, deixar para lá, liberar-me de tal peso e fazer com que cada um tenha consciência de sua própria escolha.

Tenho dezessete anos e nunca coloquei uma gota de refrigerante na minha boca. Há uns cinco anos todas as pessoas que me conhecem e sabem de tal fato perdem vários dias tentando me convencer a tomar aquela coisa gasosa e fétida, eu recuso a cada uma das ofertas. As vezes educadamente, as vezes rudemente, depende da quantidade de vezes que ela já foi feita pela mesma pessoa. Nunca cedi e nem pretendo. Não deixo de fazer o que acho coerente, certo e o que me é natural apenas para agradar terceiros. Enquanto não beber refrigerante me fizer feliz, não beberei. Se algum dia sentir vontade de beber, porém, beberei. Sou dona de minha própria vontade e tenho consciência dela. Não cedo fácil, em nenhum sentido.

Acho que de todas as coisas que eu sou a que eu menos sou é “influenciável“. Eu sou influenciadora, manipuladora, dissipadora de ideias, mas são pouquíssimas as pessoas que já conseguiram me influenciar, manipular ou que me fizessem acatar suas ideias (não que eu tenha absoluta consciência de todas as vezes que já fui levada a crer em algo e das vezes que o fiz por livre e espontânea vontade). A questão é que eu influencio, manipulo e dissipo ideias boas, construtivas, reflexivas e renovadoras. A pior coisa que eu posso fazer é levar alguém a crer que o chocolate é a melhor coisa que existe. No resto tudo que eu faço é recomendar boas músicas, filmes, livros, pensamentos, ideias etc e tal. Não consigo me imaginar tentando influenciar alguém para algo ilegal, mesmo porque a maior ilegalidade que eu já cometi foi sentar fora do lugar do ensalamento.

Então deparo-me com gente que diz que eu estraguei algumas pessoas. Gente que diz que pelo fato de eu querer fazer faculdade de Ciências Sociais sou automaticamente uma má influência. Gente que acha que assim que eu pisar na reitoria me transformarei numa bicho grilo que veste saia longa, usa dread e fuma maconha para conseguir resolver provas. Gente que pensa que outras pessoas começaram a usar substâncias nocivas a elas sob a minha influência. Não admito essas coisas. Sou a pessoa que espera o sinal ficar verde para atravessar a rua, mesmo que tenha como atravessá-la enquanto ele está vermelho. Sou a pessoa que devolve o troco quando recebe a mais e que abomina gente que fica bêbado o tempo todo. No dia em que alguém começar a fumar, beber ou se drogar sob a minha influência, o mundo estará realmente perdido.

Porque eu posso confiar em pouquíssimas pessoas, mas confio em mim mesma e sei que jamais faria isso.

Então se alguém ao seu redor começou a agir de uma maneira que você não concorda, não saia colocando a culpa nos últimos que ele conheceu. Não coloque a culpa em ninguém, a não ser nele mesmo. Quem é bem resolvido consigo mesmo não cai nesses papos furados de “amigos”. E lembre sempre que se seu amigo passa a agir de uma forma que você não concorda, cabe a você tentar alertá-lo dos males que está causando para si próprio, expondo os fatos da maneira que ocorrem. Sem tentar influenciá-lo a “voltar ao caminho da luz

E se você me conhece e realmente acredita que eu seja capaz de influenciar alguém a alguma coisa errada, saiba que não é porque as pessoas ao meu redor agem de certo jeito que eu concordo com isso, mas não é porque discordo que devo me afastar. Cada um escolhe ser o que quer, eu só posso respeitar as diferenças que nos cercam e continuar seguindo minhas crenças, da maneira que acho coerente.

0 thoughts on “É o que acontece quando você tenta ser honesto.

  1. Ai bebê, você é tão fofinha e corretinha, hahaha. Eu também não vejo graça em sair cometendo ilegalidades, tanto que não sai experimentando bebidas antes de fazer 18, e não tinha vontade nenhuma disso. Quando diz 18 comecei a bebericar aqui e ali, mas no fim das contas, quando insisto em pedir caipirinha “pra ficar bonito”, acabo deixando metade no copo e pedindo meu velho e bom suco de maracujá. Verdade, você nunca tomou refrigerante, acho isso fantástico. Eu, infelizmente, não dispenso a minha também boa e velha, coca-cola..
    E sua atitude é invejável, continue sendo essa coisinha fofa que você é, sem seguir o que os outros dizem, e confiando nas suas opiniões. Beijos!

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