Todos nós nascemos pelados. Cobertos de sangue, sebo e outras coisas, mas pelados. No entanto, somos levados às nossas mães já com roupas. Nascemos, tomamos banho, colocamos roupas e só então conhecemos nossas mães. Nossas mães não os conhecem da maneira em que nos puseram no mundo, nos conhecem com roupas. Não todas, tendo em vista que muitas delas utilizam de seu poder persuasivo para fazer com que seu médico permita que o recém nascido deite em seu colo assim que sai de seu ventre, mas partiremos aqui do pressuposto de que sua mãe te conhece já com roupas. Quando crianças são elas quem escolhem nossas roupas, fazem as combinações que dignam “bonitas” e nos coagem a usá-las. Usamos sem questionar, primeiro porque somos crianças e segundo porque são roupas e todos as usam. Porém quando um menino chega e pede para experimentar uma saia, só para ver como é, é julgado. O mesmo acontece com uma menina que resolva usar um terno aos oito anos de idade.

De certa forma, as roupas nos limitam. Pessoas são julgadas pela maneira que se vestem, a moda está aí para provar isso. O que são os desfiles de moda se não uma maneira de massificar as pessoas? Claro que vários estilistas as fazem com intuito artístico, o que é muito bonito, porém vários deles fazem roupas comuns, para que mais gente goste delas, mais gente use e assim ele fique mais rico.

Quando nos tornamos adolescentes, passamos a escolher nosso próprio “estilo” e a partir de nossas roupas somos rotulados. Há os que são nerds porque usam calça de moletom e nunca tiram o casaco, os que são emos porque se vestem de preto e calças justas, os que são metaleiros e assim sucessivamente. Quem disse que um punk não pode usar uma roupa rosa, por exemplo? Quem delimitou tais conceitos? Não seria a roupa algo superficial demais para julgar a personalidade inteira de alguém? Será que realmente a roupa diz tudo? Eu acredito que não.

Se voltarmos no tempo percebemos que a noção de vestimenta surgiu a partir da era glacial, onde os antecedentes dos humanos já estavam sem pêlos e precisando se aquecer, então eles matavam os animais, ingeriam sua carne e utilizavam seu couro para a fabricação de capas, que eram as roupas da época. A Era do Gelo acabou, mas o conceito de vestimenta não, ele se expandiu.

Agora, pense em uma sociedade sem roupas. Não parece muito mais livre? Menos preconceituosa, mais liberal e mais “fresca”? Talvez se não tívessemos sido coagidos a nos vestir desde que saímos do ventre de nossas mães seríamos muito menos toscos e fechados em nós e nos sentiríamos a vontade para sermos sinceros com as pessoas e as aceitaríamos com mais facilidade. Não digo que o problema do mundo está nas roupas, mas a meu ver se elas não existissem estaríamos muito melhor agora.

0 thoughts on “E se não existissem as roupas?

  1. Realmente… Mas, estou tão acostumada com a ideia de usar roupas, que sinceramente é difícil me imaginar por aí peladona, nua e com a mão no bolso ahuahua. Me sinto mal. Mas, sim, concordo. Esses esteriotipos que as roupas criam são tensos. Aliás, não só as roupas, como basicamente tudo. Outro dia imaginei uma sociedade sem dinheiro… seria tudo mais humanitário, creio eu.

    Beijo.

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