Nunca havia visto o silêncio falar tão alto. Ultimamente venho notado que o ser humano tem uma necessidade incessável de falar e ser ouvido, precisa de atenção, as vezes muito mais do que realmente consegue obter, a verdade é que todos nós gostamos de ter alguém por perto que esteja ali simplesmente por querer estar ali, sem se importar com rótulos e afins.

O silêncio grita porque ele não existe. São poucas as pessoas que se sentem confortáveis em ambientes silenciosos, poucas sentem-se confortáveis consigo mesmas, poucas tentam entender seus pensamentos, poucas tentam realmente ser algo, enquanto a maioria está preocupada em ter coisas.

Vivemos acostumados a submeter as nossas vidas a tudo e todos que tentam mandar em nós, não digo isso apenas por experiência própria, é o que tenho visto. Poucos são os que são autênticos o suficiente para chutar tudo aquilo que fazem por obrigação e fazem somente aquilo que realmente lhes fornece prazer. Certo é que a maioria diz que nem tudo são flores, que para se chegar ao céu é preciso passar pelo inferno, no fim, precisamos do desequilíbrio para que valorizemos o equilíbrio.

Tenho sentido inveja dos animais considerados “irracionais”, porque eles sim valorizam a vida, fazem tudo instintivamente, sem grandes intenções por trás, sem esperar grandes coisas, sem se decepcionar, fazem tudo que é necessário como é necessário, não sentem essa insatisfação que não nos abandona nunca, não, para eles está tudo bom, tudo sempre bem, é uma vida fácil e boa. Queria ser um pássaro, deve ser legal sair voando por aí, sem lenço nem documento.

Mas eu sou humana e vivo num mundo cheio de gente que finge que ser o que não é e tem vergonha de quem gostaria ser. O humano almeija a perfeição e quanto mais próximo chega dela, mais ele almeija, estando assim eternamente insatisfeito. Testam seus limites, mesmo que ninguém os peça para fazer isso, estão sempre em alguma competição, mesmo que seja contra eles mesmos.

Enquanto isso o silêncio está apenas lá, sozinho, esperando que nos aproximemos dele e sintamos seu sabor.

Certamente sou insatisfeita, nada nunca me satisfaz, porque não sei o que eu busco. Felicidade é algo extremamente lindo e necessário, mas fútil demais para ser o ideal máximo de vida. Amor é maravilhoso, mas difícil de ser encontrado em meio a tanto ódio e tanta superficialidade. A arte é o que me prende aqui, o que ainda consegue me surpreender um pouco e me fazer respirar, sentir algo. As vezes eu só queria sentir algo.

Realmente espero que todas as pessoas que conheço atinjam seus ideais de vida, quanto a mim, continuarei a pensar e escrever sobre isso, dinheiro não é assim tão necessário, pelo menos não em grandes quantidades e enquanto eu não achar algo pelo qual valha a pena lutar, continuarei sem lutar por nada, vivendo passivamente e banalmente. Chata, como sempre fui. Fútil, ridícula e mimada. Super-protegida e insatisfeita, eternamente.

Se algum dia algo muito bom acontecer por aqui, bom o suficiente para me fazer levantar da cama com um sorriso no rosto e vontade de lutar, a vida perderá seu sentido, porque ela só faz sentido enquanto não descobrimos o nosso real ideal, depois que fizermos isso, de nada mais adiantará continuar aqui.

Eu amo muita coisa, meu coração acelera a cada vez que presencio muitas coisas, muitas coisas despertam bons sentimentos em mim, mas a felicidade só é real quando compartilhada e enquanto estiver aqui sozinha, somente o silêncio poderá me compreender – se algum dia eu conseguir ouví-lo – a verdade é que sem a minha mãe por perto (o único e supremo referencial de amor que possuo) fico assim, abobada e desesperada por algo que seja ao menos real.

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