Em falta.

Sou sentimentalmente frágil desde sempre. Eu custo a me importar com as pessoas, mas quando começo não consigo parar e cada coisa que acontece com quem eu me importo começa a me afetar diretamente e eu sou capaz de passar dias chorando porque minha amiga levou um pé na bunda daquele cara que era perfeito pra ela ou qualquer outra bobeira assim. Eu choro muito fácil, toda vez que vou ao cinema com minha amiga, quando entramos no carro o pai dela pergunta se a gente chorou no filme e diz “a Mayra nem precisa responder, ela chora em tudo” e é verdade. E eu morro de vergonha disso e por isso quando sei que alguém está sofrendo demais e que eu vou chorar tanto quanto a pessoa ao invés de ser seu porto seguro, prefiro manter-me afastada. É certo que em alguns casos acabo por conseguir manter a sanidade e ser a fortaleza de que necessitam, mas só faço isso porque sei que vou poder chorar no meu travesseiro antes de dormir. Aliás, quase sempre que tenho insônia é justamente por falta de chorar. Ou por falta de exercício, claro, mas chorar é mais fácil que fazer exercício. Aí eu fico que nem uma maluca procurando pela internet coisas que me façam chorar. Não choro com qualquer coisa, essencialmente falando, precisa ser tocante de verdade e quando eu já vi muitas vezes não consigo chorar, só fico angustiada. É o que acontece com vários dos meus filmes preferidos, que deixo de assistir porque sei que deles herdarei dias e dias de reflexão e culpabilidade e dores no coração acentuadas.

Aí eu leio. E minha mãe sempre vem me perguntar por que raios eu sempre leio livros tristes e eu nunca sei responder, mas a verdade é que há uns mil livros felizes não lidos na minha estante, que não me dão a menor vontade de ler, enquanto basta me dizerem que é deprimente e chorável e eu estou lendo. Quando eu não choro com um livro é como se de alguma forma ele tivesse me decepcionado. Exceto quando é um livro não chorável por absoluto. Eu chorei lendo “Lolita”, por exemplo e me debulhei em lágrimas em “Precisamos Falar sobre o Kevin”, “A Culpa é das Estrelas” e “A Menina que Roubava Livros” e nunca consegui terminar de ler “O Hobbit”, porque não tem nenhum personagem que me cative a ponto de me fazer chorar por ele. E nenhum livro é legal quando não tem um personagem que te faça chorar por ele.

Hoje eu tive um dia péssimo. Fui desabafar com as minhas amigas e todas elas também tiveram dias péssimos. É como se o dia de hoje tivesse sido concebido para ser péssimo para todos os humanos que me cercam. Então eu fui tentar relaxar pra ver se dormia e sonhei com um massacre na minha faculdade, aí eu acordei e resolvi que ia assistir algum filme ou qualquer coisa assim e não consegui terminar um episódio sequer de “Doctor Who” porque eu parava em pedaços aleatórios pra dar umas soluçadas de choro. Aí eu resolvi terminar de ler o livro que estou lendo “O Apanhador no Campo de Centeio” e as coisas pioraram a um nível em que eu estava enfiada nas minhas cobertas, soluçando de tanto chorar, com o coração super apertado, a pior sensação de solidão possível e nenhuma salvação à vista. E tudo que eu conseguia ouvir na minha mente era minha mãe falando “Por que você escolhe livros tristes quando está triste? Por que você se entristece mais com os livros do que com a realidade?”. Queria muito saber a resposta para essas perguntas, querida mãe. Mas desde que vi os últimos episódios de “Skins”, comecei a ler esse livro e percebi que não há nada que me conecte à universidade não tenho conseguido ficar feliz. Até sorrio esporadicamente, porque sorrir é o que eu faço. Mas já não sei o que é sentir-se leve e minimamente conformado com a exitência que levo. Quiçá saber o que é felicidade. Vai ver a música estava certa e “felicidade é brinquedo que não tem”.

0 thoughts on “Em falta.

  1. May do céu, eu juro que me sinto exatamente da mesma forma que você. E ai que dor </3.
    Ultimamente venho tentando mudar a minha perspectiva pra ver se mudo esse negócio de sorrir sem estar feliz de verdade. Meu professor de fenômenos falou que eu vivo sorrindo, mas que nunca pareço estar feliz e isso me assustou bastante porque a) nossa relação é total aluno-professor b) eu nunca havia percebido isso c) eu não quero viver mentiras.

    Quanto a esse negócio dos personagens, gosto demais de livros que me fazem chorar e que fazem eu me apegar, mas também sou fã de livros que me fazer gargalhar. O problema vem quando eu odeio todos os personagens (ex: O morro dos ventos uivantes ou O bosque das ilusões perdidas) e aí é só um Deus nos acuda para terminar a leitura.

    Espero que a gente reencontre a felicidade pura e simples, amiga. ♥

    Beijos!

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