Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui… além…
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!…
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há cerca de um ano ouvi o nome dessa nobre moça pela primeira vez. Confesso com pesar que nunca li um livro dela, porém já passei madrugadas inteiras lendo-a e relendo-a na internet. Ela tem o nome mais poético do mundo, um nome paradoxal que ao mesmo tempo é bom e ruim, porque ela é flor, ela é bela e ela espanca. E eu gosto de gente assim, paradoxal, de lua, que cada dia pensa e faz uma coisa diferente, sem medo de ser feliz, sem vergonha alguma de ser apenas o que se é.

Meu poema preferido dela chama-se “Amar” e é ele que está sendo recitado ao longo deste texto. A questão é que eu jamais havia encontrado um texto sobre amor que dissesse tanto do que eu penso. Porque tem dias que eu acordo e tudo que gostaria de fazer era amar. Eu acordo à procura de algo para amar, de algo que me transmita amor, que me dê borboletas no estômago e, infelizmente, são raras as vezes que concretizo a minha busca. As vezes sinto que nada sente necessidade de ser amado, nada nem ninguém, pelo menos nada nem ninguém dentre as pessoas que me cercam e isso é muito triste.

Eu queria amar alguém profundamente e queria ter vontade de fazer coisas motivada por essa pessoa. Queria não ter vergonha e simplesmente amá-la, independente do que isso viesse a significar. Queria viver todas aquelas coisas que pessoas apaixonadas dizem sentir e queria que essas coisas fizessem parte da minha vida cotidiana. Queria amar porque tenho o sonho infantil que me faz crer que somente isso me faria feliz. Porque nada sou além de uma garota que foi e é diariamente completamente enfeitiçada  pelos contos de fada, tanto os clássicos quanto pelos modernos. Porque passo os dias assistindo a programas que me mostram pessoas que se completam amando, mesmo que seja amando um animal de estimação. Resolvo ler um livro e sempre, absolutamente sempre, envolve amor. Para abster-me deste mundo, só vivendo no universo acadêmico o tempo todo, porque lá sim, lá não há amor. Pelo menos não explicitamente. A questão é que não consigo, sou humana e gosto de suspirar com a história alheia.

Mas eu queria ter a minha história. Queria suspirar com ela. Queria suspirar pelos meus feitos, minhas alegrias, pela minha vida, que vista de fora é brilhantemente perfeita, mas se é tão perfeita, porque continuo tão triste, tão alheia, desmotivada e ansiosa por um amor? Por que vivo tão necessitada de um belo espancamento só para recordar-me de que eu fui sim criada para sentir algo? Por quê? Perguntas e mais perguntas, que mais uma vez encontram-se se resposta alguma, jogadas ao infinito, num infindável buraco negro que insiste em sugar não só a minha alegria, mas todo o sentido que eu achava ter encontrado para a minha vida.

Falavam-me que estudando eu obteria mais conhecimento e assim entenderia melhor as coisas, mas a verdade é que quanto mais estudo, mais alheia ao resto eu fico, mais boba. Menos humana, menos gente. Porque pensar o mundo como uma incógnita certamente não me é mais apreciável, agora eu quero saber as respostas, quero buscá-las e encontrá-las e em meio a tantas procuras, acabo por me perder. Será isso bom, será que não é, será o certo ou será errado? São só mais perguntas, daquelas que talvez fiquem sem resposta. Que posso eu fazer? Nada.

Resta-me suportar as pancadas, quedas e deficiências que a vida prova ter. Resta-me submeter-me ao espancamento constante, que talvez, quem sabe, porventura, um dia ele chegue a valer a pena. Talvez um dia eu finalmente encontre o meu amor. E se não o fizer, dignar-me-ei a apenas ler. É a única fonte de felicidade que gera decepções não muito dolorosas.

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder… pra me encontrar…

Florbela Espanca

(Daqui)

Que eu saiba me perder para me encontrar.

0 thoughts on “Espanca-me

  1. Florbela Espanca é a melhor do mundo. Você sabe que eu acho isso, então nem vou entrar no mérito. Amar também é o meu poema preferido. E eu fico feliz de ter sido, ao menos parcialmente, percursora da Flor em sua vida!
    E eu poderia assinar em baixo desse post.. Vivo me derretendo com as histórias de amor dos outros, e vivo precisando da minha.. e é tão urgente o que eu digo.

  2. Ai, que texto mais lindo, May. E eu, assim como a Analu, poderia assinar em baixo desse post.
    “(…) Eu queria amar alguém profundamente e queria ter vontade de fazer coisas motivada por essa pessoa”, tava ontem mesmo comentando com uma amiga como a minha vida anda sem graça, meio paradinha, meio bunda, justamente por eu não ter alguém na minha mente. É uma DROGA! Tudo passa devagar, quase parando. Argh! 🙁

  3. Que bonito, May. Tenho minhas desconfianças com textos que falam de amor, mas do seu é impossível desconfiar. Tanta intensidade. Entre querer amar e viver feitos que são só meus, acho que fico com a segunda opção. Mas só porque ainda não encontrei uma forma de unir os dois e insisto nessa visão limitada do OU um OU outro. Acho.

  4. O MAYZINHA!
    Que lindeza desse texto, mas ó, posso dizer? De uma romantica que ja foi espancada até demais, amor assim só é bom quando é retribuido! Claro que tem toda aquela aura do amor não correspondido de ser tragicamente viciante e tal, mas ao mesmo tempo que ele nos provoca todas aquelas sensações que voce anseia em sentir ele tambem machuca, e machuca TANTO que as vezes a gente nem sabe lidar com isso, mas espero, sinceramente, que um dia tu possa ser vitima dessa paixão arrebatadora que muitos ja provaram..

    Beijo!

Comentários: