Estava voltando para casa a pé, como faço na maioria dos dias e descobri que realmente gosto de andar. Dá uma sensação de liberdade imensa, é amazing. Pensei em como seria sair andando por aí sem destino, simplesmente pegar uma garrafa de água, um pote com comida e sair andando pela cidade, descobrindo novos lugares e observando o mundo sob outros aspectos, parece-me tão emocionante!

Lembrei-me portanto de uma pequena historieta. Estávamos na sétima ou oitava série, era última semana de aula e concluímos que precisávamos fazer uma coisa “louca”, uma grande aventura, daquelas típicas “histórias para se contar aos netos”, não me recordo das ideias das minhas amigas, lembro que no final acabamos não fazendo nada, mas a minha ideia foi a mais legal de todas. Éramos um grupo de oito pessoas e a ideia consistia em separarmos em quatro duplas, cada uma com apenas 10 reais e um celular com créditos suficientes para apenas uma ligação. Deveríamos sair da escola e entrar num ônibus na qual nunca tívessemos entrado e não fizéssemos a menor ideia do destino. A ideia era pegar o ônibus e descer somente no ponto final e então achar um jeito de voltar para o ponto inicial, sem usar a mesma linha e sem usar táxi.  O problema é que o espírito aventureiro limitava-se apenas à minha pessoa e as outras ficaram com medo de serem sequestradas e afins.

Então nós não fizemos nada.

Mas, bem, não gosto dessa vida limitada que a urbanização nos impõe. Há tantas maneiras de nos arriscarmos, não faz sentido ficarmos simplesmente sentados esperando as coisas acontecerem. A adrenalina é uma das coisas mais legais da vida! Quer dizer, como é que as pessoas sobrevivem sem montanhas russas e barcos vikings? Tem coisa melhor do que achar que vai morrer? Eu acho que não.

Ontem estava eu andando na rua, despreocupadamente, como sempre faço. Simplesmente andando, levemente, enquanto cantava alguma coisa. Andando e observando o céu, os prédios, as pessoas, as árvores. Andando e observando, como sempre faço. Estava acompanhada de uma amiga e em meio a um de meus devaneios escuto apenas ela gritando o meu nome, viro para olhá-la e percebo que se ao invés de olhá-la eu tivesse dado mais um passo, um carro teria me atropelado. Eu adoro essa sensação de “quase morte”. É tão mais legal voltar à vida depois que elas acontecem. Talvez por isso eu tenha ficado naquela besteira de tentativa de suicídio por tanto tempo, porque a melhor maneira de valorizar a minha vida é imaginando como seria acabar com ela. Talvez por isso eu goste de aventuras.

Em uma dessas minhas andanças, porém, cheguei à conclusão de que preciso ser mendiga em algum momento da vida. Nem que seja por um dia. Sair com apenas a roupa do corpo, sem rumo e em um lugar completamente desconhecido e tentar sobreviver. Lutar pela sobrevivência da maneira mais selvagem possível. Hoje eu vi um mendigo falando em inglês. Ele estava falando sozinho no meio da rua, em inglês. Me deu uma vontade ENORME de ir lá perguntar a história do cara, quer dizer, vai que ele é super “estudado” e virou mendigo por opção? Se esse fosse o caso, seria admirável. Sei que muitos devem achar tal ideia uma completa loucura, mas eu admiro muito os mendigos! Não aqueles bêbados ou os drogados, desses eu tenho pena, mas os mendigos que não atrapalham ninguém e conseguem se sustentar com a “bondade” alheia, os admiro muito. Lembro que em uma das minhas aulas de “Formação Humana” (sim, tinha uma matéria com esse nome. Aprendíamos “virtudes” como humildade etc e também sexologia e drogadição, era uma aula interessante e muito mais útil do que aprender a “fórmula trigonométrica dos números complexos”) o professor estava contando que foi tentar ajudar uma ONG que recuperava os mendigos e encontrou ali no meio um ex-empresário que desistiu da vida luxuosa porque não via sentido nela e resolveu morar nas ruas e viver a essência da vida. Nossa, se eu encontrasse um cara desses pedia autógrafo e tirava foto. Um cara assim deveria ser mostrado às outras pessoas, deveria ter sua história em um livro e ser muito divulgado. São histórias assim que tornam o mundo mais interessante. Sério.

Eu me empolgo demais quando começo a pensar em aventuras. Não sirvo para ficar presa à terra. Não sirvo para ficar presa à nada, na verdade. Por isso tenho minhas crises de “odeio a escola”. Em uma das minhas primeiras aulas de sociologia do segundo ano o professor estava falando sobre a teoria dele de que a escola é uma prisão, ele falou coisas que faziam MUITO sentido. Passei a analisar e concluí que a escola é uma mistura de prisão com hospício, porquê os corredores e as portas são muito semelhantes aos de hospitais, a hierarquia é semelhante à da prisão e a maneira como nos impõem as coisas é um tanto quanto totalitária.

Ontem mesmo tive que fazer um simulado de vestibular, cheguei a conclusão de que aquilo não tem o menor intuito de avaliar nossa capacidade de memória ou de aprendizado, é muito mais parecido com uma prova de resistência, isso sim. Fazer aquilo é tão cansativo quanto se esforçar para a corrida de São Silvestre e isso não é um exagero, é como eu me sinto. Eu terminei aquela prova morrendo, estava cansada, exausta, achei que já era umas 19h e que eu ia chegar em casa e a janta já ia ter acabado. Estava realmente agoniada e desepserada, porque era tanta coisa, tanta coisa, que parecia que queriam sugar o meu cérebro. Sentia minha massa encefálica derretendo aos poucos, ainda bem que estava frio o suficiente para que ela se solidificasse rápido. O fato é que eu olhei no relógio e eram 15:50 ainda. Juro que pareceu MUITO mais tempo. Não entendo como é que tem gente que faz aquelas provas tranquilamente e não se cansa, para mim uma prova daquelas requer 14 horas de sono para me recompor perfeitamente.

Mas, bem, acreditem ou não eu vim aqui escrever que estou pensando em mudar de curso e fazer Filosofia, é pois é. Filosofia, a faculdade que tem aula de Lógica, em que meu irmão foi muito mau. Para o meu irmão ir mau em algo tem que ser realmente difícil. Por isso tenho medo. Na verdade, eu nunca pensei em fazer Filosofia só por causa dessa tal aula de Lógica, mas daí eu estava fazendo um teste de personalidade e o resultado disse que sou “Idealista”. Repensei a minha vida e cheguei à conclusão de que isso é uma tremenda verdade. O que a Mayra já fez na vida? Nada. O que ela já imaginou que poderia ser feito? Muitas coisas. Concluí que eu vivo no mundo das ideias, aquele que Platão “inventou”. Não sou parte do mundo Real, não há nada de real em mim, nas minhas atitudes e ideias e nem no meu modo de ser/agir. Sou toda feita de ideias e se retirassem meu poder de pensar e imaginar as coisas não sobraria nada. Estava no Tumblr e deparei-me com a imagem àcima e me identifiquei completamente. Nunca consegui me imaginar fazendo algo, mas já consegui me imaginar criando algo. Acho que nasci para ficar nos bastidores, atrás dos holofotes e não sob eles. Não gosto que as pessoas apreciem-me por algo que eu fiz, gosto que elas apreciem o que eu faço, não a mim. Não me vejo como o objeto principal de nenhuma ação, não sou a obra final, sou apenas uma pedreira. Me imagino construindo várias coisas, consertando várias mentes, tendo várias ideias brilhantes e várias teorias bizarras, mas não me imagino colocando-as em prática. Acho que a Filosofia permite que você viva no mundo das ideias, que você pense e reflita à respeito de tudo, enquanto a Sociologia requer uma ação sobre as coisas. Quer dizer, não quero ser um Marx da vida, que inventa uma coisa super legal mas que ninguém consegue colocar em prática, só que também não quero ser a pessoa que vai lá, estuda as ideias do Marx e as coloca em prática. Eu quero poder desenvolver minhas ideias de maneiras que tornem a prática delas possível, é um tanto inútil ter boas ideias se ninguém jamais conseguirá usá-las. Mas, tá. Fazer faculdade de Filosofia… Pra quê? Quer dizer, nenhum bom filósofo fez faculdade de filosofia primeiro, eles estudaram seus antecessores por conta própria e tiveram suas ideias autônomas, as publicaram e ficaram milionários depois que morreram.

Acredito que minha real felicidade estaria em um trailler, com um marido tão excêntrico quanto eu, viajando por aí, espalhando cultura e ensinamentos importantes para as pessoas, educando meus filhos em casa e vivendo sem toda essa prisão à vida urbana. Eu seria muito mais feliz se tivesse uma família parecida com a dos “Thornberrys“, um dos meus desenhos preferidos do qual não me lembrava o nome… Eles parecem tão felizes e têm uma vida tão divertida, aventureira, mágica e legal *-*

Vou virar cigana, ou hippie, ou nômade.

0 thoughts on “Espírito Aventureiro!

  1. Ei Flor. Você fala de tanta coisa diferente em um post, que temos que comentar por etapas. Pra começar, eu vivo reclamando que não vou ter histórias para contar para os meus netos. Mas só de pensar em pegar um ônibus desconhecido e ir até o ponto final eu morro de preguiça e desisto. Agora, tentar se matar? Sua pirada. Que bom que mudou de ideia. Mas essa adrenalina de correr perigo é quase um estímulo de vida né? Eu sou desligada, e meus amigos contam que já me salvaram algumas vezes de morrer atropelada. Uma delas foi por um caminhão, eu lembro que estava com 2 amigos, e um deles me puxou desesperado, enquanto o outro gritava, e depois eles ficaram 20 minutos tremendo enquanto eu ria, porque não tinha entendido nada, nem sequer visto o caminhão. Minha mãe que não leia isso, ou ela me proibe de sair na rua.. Hahaha. Agora, montanhas russas são um MUST. Morro de medo, e enfrento as que me dão vontade. E a sensação de sair viva delas é realmente fantástica. Deixa eu lembrar do que mais você falou. Ah sim. Filosofia. Nem vou te contar o que eu penso e digo a respeito desse curso, hahahaha. Eu acho que meu professor de filosofia foi criado a danoninho na frente do sofá, então só consigo relacionar filosofia a sofá e danoninho, sério. Acho que deve ser um SACO, e que não presta pra nada, assumo, posso estar falando a maior besteira do mundo, mas enfim, é o que penso! hahaha. Quanto ao final, rachei de rir ao lembrar desse desenho! Era legal mesmo!
    Beijos lindinha!

  2. Eu não acho nada engraçada essa coisa de quase morte, porque morro de medo de morrer e pensar nas possibilidades não é legal pra mim.
    Acho que se um dia tua passar por algo grave que coloque mesmo a tua vida em risco, tu meio que vai perder essa vontade de querer valorizar a vida se quase a perder.
    Fiquei pensando nisso muito tempo depois que li teu post, porque eu acho que para valorizarmos a vida basta vivermos e não quase morrer entende?
    Agora viver com adrenalina eu acho muito legal. Montanhas russas, paraquedismo, e todas essas aventuras. E pra mim nada tem a ver com o “perigo de quase morrer”, e sim de viver bastante aquele momento.
    Não sei se fui clara no que quis dizer, mas é isso. haha
    Beijo.

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