Quem Canta seus Males Espanta

Dos seis aos oito anos tudo que conseguia me imaginar fazendo era cantando. Acreditava que essa seria minha profissão e que com menos de quinze anos eu teria um cd muito legal gravado por uma gravadora super famosa. Eu realmente amava cantar. Tinha um gravador com um microfone rosa e eu pegava letras de músicas, ou inventava as minhas próprias, e ficava cantando desesperadamente, durante dias e dias a fio, como se nada pudesse me deter. Cantar é maravilhoso.

Então minha escola fez um coral e eu fui uma das primeiras a me inscrever por lá, era a mais empolgada com essa história de coral e eu participei até os dez anos do mesmo, era super legal. Com sete anos eu queria fazer uma dupla com a minha melhor amiga da época, porque cantar era nossa paixão e realmente achávamos ser boas naquilo. Mamãe sempre dizia que minha voz era linda e eu tinha muito jeito pra coisa, ela me apoiava horrores e assim eu não perdia uma oportunidade sequer de expor minha “linda” voz por aí.

Nos mudamos para Curitiba e isso estragou meu modo de vida das mais diversas maneiras possíveis, pelo menos no primeiro ano, depois me reacostumei e agora vivo muito bem, obrigada. O fato é que depois que nos mudamos para cá eu me esqueci de que gostava de cantar, parei de praticar, parei de ouvir músicas, só ouvia aquelas que o meu irmão ouvia no volume máximo enquanto gritava horrores.

Recentemente, porém, voltei a ouvir músicas abundantemente e a cantá-las também. Sou dessas que sai gritando letras pelas ruas enquanto anda e não tem a menor vergonha disso. Minha voz não é bonita nem de longe, sou muito mal afinada e sinceramente bateria em mim mesma se tivesse que me ouvir cantar, mas não existe sensação melhor do que ouvir uma música que diz tudo aquilo que você gostaria de dizer em determinado momento e poder gritá-la por aí sem medo algum. É simplesmente maravilhoso. Recomendo.

A questão é que eu quero ser atriz e isso significa que devo aprimorar minhas outras habilidades artísticas, que seriam o canto e a dança e isso significa que no próximo ano eu finalmente vou fazer aula de canto, pela primeira vez na vida e por mais que eu pense que meu tempo já passou e que não vai mais ter jeito de ter uma voz decente, a ideia de conseguir manter o ritmo e a afinação me encanta completamente, espero que funcione!

Mas bem, o canto não é a minha única forma de paixão pela música.

Mamãe tocava violão, então desde sempre tem um violão na minha casa, mas o dela estava meio quebrado e com algumas cordas faltando, isso nunca me impediu de pegá-lo e ficar tocando notas sem sentido enquanto cantava uma das músicas de minha autoria. Meu irmão, porém, resolveu realmente aprender a tocar violão quando ele tinha 12 anos, daí compraram um violão decente para a minha casa, mas ele não deixava que eu encostasse, porque acreditava que eu ia quebrar. Tanto faz. Ele tocava no certo e eu naquele quebrado, fazíamos uma dupla e cantávamos tudo que nos vinha à cabeça, era maravilhoso. Alguns anos depois meu irmão começou a tocar contrabaixo, ele terminou o curso e eu simplesmente adorava ver suas apresentações. Quando eu tinha 12 anos fizemos uma aposta e eu ganhei, meu prêmio seria uma guitarra rosa. Nunca acreditei que algum dia na vida ele fosse pagar a aposta, mas no meu aniversário de 15 anos ele pagou! Ganhei uma guitarra rosa! Foi a surpresa mais wtf da minha vida, porque eu já tinha me esquecido disso e, depois dos 13 anos até parei de cogitar a hipótese de tocar guitarra. O fato é que agora tenho uma guitarra rosa linda no meu quarto, que não faço ideia de como usar e por isso deixo encostada ali para usar em todos os momentos rock’n roll da minha vida, quando a pego e fico tocando loucamente enquanto canto algumas músicas de heavy metal. Não que eu saiba a letra certa das músicas ou algum acorde na guitarra, mas ok. Outro dia resolvi aprender a tocar violão, então peguei ele lá, peguei uma música, uma video aula e comecei a treinar, o detalhe é que a cada vez que eu aprendia uma nota e ia pra próxima, não conseguia tocá-las consecutivamente. É expressamente impossível. Daí eu me irritei e desisti. Concluí portanto que não nasci para decifrar os mistérios dos instrumentos musicais com corda e é por isso que devo aprender a tocar teclado. Sim, quanto eu tinha 10 anos e fui passar as férias com as minhas tias, minha prima me levou na casa da sogra dela e as sobrinhas do noivo dela tocavam teclado e resolveram me ensinar. Elas me doaram a primeira apostila delas, que tinha um nível fácil e me ensinaram (mais ou menos) a ler partituras e desenhar notas musicais. Antes de eu ir embora elas me deram um teclado de brinquedo, que usavam para treinar antes de poderem comprar um de verdade. Tenho esse teclado desde então, sei tocar três músicas até hoje e acho simplesmente maravilhoso. A meta agora é convencer minha màe a me dar um teclado e pagar aulas para mim.

No final das contas, enquanto todos estão desesperados com a possibilidade de não passarem no vestibular, eu estou pensando no meu TCC e pensando aqui que caso algo terrível aconteça (como um meteoro cair, algum parente falecer ou eu desmaiar durante a prova, ou quebrar um braço, sofrer o acidente, algo do tipo) e eu não passe no vestibular, não vai ter problema nenhum porque a quantidade de aulas que pretendo fazer no próximo ano é suficiente para ocupar todo o meu tempo “livre”.

No fim das contas, sou completamente viciada em artes e serei uma adulta muito frustrada caso descubra um dia que não sou boa em nenhuma.

Caso algum dia eu grave um cd, aviso a vocês, para que passem reto por ele nas lojas e jamais o comprem. rs

Comentários: