Eu Vim de Outro Planeta, mas ela não.

Não, ela é ainda mais legal e nasceu aqui mesmo, no Planeta Azul. Mas a questão é que esse Planeta Azul nunca é suficiente para as pessoas fantásticas, na verdade, creio que ele não seja suficiente para nada fantástico, a não ser quando as fantasticidades ocorrem em universos paralelos. De qualquer jeito, ela nasceu aqui mesmo, na Terra. Não em um lugar qualquer, as pessoas fantásticas nunca nascem em um lugar qualquer, ela nasceu na cidade mais bonita do Brasil, ou pelo menos na mais famosa pela sua beleza, isso mesmo, estou falando de uma carioca. E devo avisar a vocês que não, cariocas não são pessoas marrentas insuportáveis, cariocas não tem um sotaque horrível e não vão para todos os lugares do mundo de chinelo, bem, pelo menos não todos os cariocas. Pelo menos não ela.

O fato é que enquanto Lucas Silva e Silva ia ao mundo da Lua para se divertir, ela decidiu morar lá. Passear não era suficiente. Pessoas fantásticas merecem seus lugares fantásticos. Ela mora na Lua conotativamente dizendo, na verdade o fato ocorre pois ela nunca está com a cabeça no mundo real, é daquele tipo – fantástico – de pessoa que quando você está dizendo que dois mais dois são quatro ela solta uma coisa aleatória que pode ser divertida ou pode ser simplesmente interessante. Porque ela só presta atenção nas coisas quando elas de fato são importantes, o que não é o caso do dois mais dois.

Estamos falando de uma pessoa que tem uma parede de fotografias e não é uma parede qualquer, é uma parede feita por ela. Uma pessoa que gosta de música boa de verdade e música boa de verdade não só internacional, mas brasileira também. Uma pessoa que se acha giganta, mas que de grande tem mesmo é o coração, ah sim, porque esse é enorme. Uma pessoa que usa sua gigantisse beneficamente, ou seja, abraçando o mundo inteiro e que quando abraça de coração, meus caros, dá um dos melhores abraços que o mundo já viu. Uma pessoa que, enfim, é uma pessoa fantástica.

Eu a conheci antes de ela saber quem eu era, porque eu lia o blog dela embora muito provavelmente não comentasse. Então de repente participávamos do mesmo grupo facebookiano e teve um amigo secreto no fim do ano e eu ganhei uma camiseta de woodstock que chegou em casa por fedex após um grande rolo para o pagamento do frete e eu descobri que quem havia dado a mim era ninguém mais ninguém menos do que ela. Uma pessoa que me mandou uma carta cujo remetente dizia ser “Anita” que morava na “Cidade do Sol” e que falava coisas lindas para a minha pessoa. A gente nunca havia conversado mas eu senti algo tão bom e tão puro com aquilo tudo que gostei dela logo de cara. Então teve outro amigo secreto, mas dessa vez eu deveria escrever um texto como se fosse outra pessoa e eis que eu a tiro. O detalhe é que o blog dela sempre foi um dos que eu mais admirei, pois mesmo com palavras simples ela sempre foi capaz de descrever o mundo inteiro e de falar coisas tão intensas que sempre mexeram muito com o meu coraçãozinho frágil. É lógico que eu não consegui escrever um texto à altura dos dela, mas eu tentei e para isso utilizei uma banda que nós duas gostamos muito, afinal, descobri aí, temos algumas semelhanças.

Trocamos mais algumas cartas, foi dela que eu tirei coragem para ir ao primeiro dia de aula universitário e a ela que eu mandei uma carta dizendo “eu quase te amo, desculpa, mas levo o amor muito a sério” e que, mesmo assim, ela me respondeu e ainda concordando dizendo que pensava a mesma coisa. E então começamos a conversar de verdade, não tanto quanto poderíamos, mas ainda assim, conversamos. E foi tudo absolutamente maravilhoso, não tem como ser diferente quando se trata de uma pessoa fantástica.

Eis que tivemos a oportunidade de nos conhecer e marcamos para 10h, mas ela só chegou 11h, correndo desesperada sem saber onde eu me encontrava. E eu corri até ela e a gente se abraçou pela primeira vez na vida real. A gente se abraçou e foi tão mágico que eu nem tive a capacidade de chorar – na hora – fomos ao museu, mas nem prestamos atenção em quase nada, estava tudo fantástico demais para que prestássemos atenção em qualquer coisa além do fato de que estávamos finalmente juntas. E fomos em outro museu e ela esqueceu a bolsa no primeiro e voltamos lá pra pegar e filmamos coisas aleatórias e fomos na King’s Cross brasileira e almoçamos num lugar que eu jamais teria ido se estivesse sozinha e ela pediu uma comida imensa que não conseguiu terminar e guardou metade na mochila enquanto corríamos até a estação de metrô pois não podíamos chegar atrasadas, caso contrário nos matariam. E a gente chegou primeiro. E eu gritei afoita no meio da estação, morrendo de ansiedade. E ela me filmou e riu da minha cara e começou a passar mal, dor de cabeça e tontura e eu não sabia o que fazer e fiquei desepserada torcendo pras outras chegarem logo. E as outras chegaram e saíram correndo para abraçar primeiro a ela, mas eu nem me importei, sei que se eu estivesse com elas faria a mesma coisa, afinal, pessoas fantásticas merecem isso. E a gente riu e conversou e ouvimos o lindo sotaque dela por um dia inteiro e depois ouvimos ela cantar com aquele lindo sotaque e a vimos comprando um óculos de sol, morrendo de alegria ao ver que todas havíamos comprado um de seus livros preferidos e eu me debrucei sobre seus braços pra chorar como um neném quando a primeira de nós foi embora e ela fez cafuné na minha cabeça e disse que ia passar. Isso porque horas antes tínhamos decidido que ela também seria filha da minha mãe e eu seria a mais velha. Eu, a mais velha, sendo consolada pela mais nova. Inversão de valores a gente vê por aqui. E quando me despedi dela eu a abracei como se fosse a coisa mais importante do mundo, de fato era. Foi. E eu chorei. E eu continuei chorando por muitas horas. E eu despenquei pela rua errada no centro de são paulo no domingo a noite. E eu continuei chorando quando continuei meu caminho corretamente. Porque eu não consegui e ainda hoje persisto com esse sentimento, não consegui acreditar na ideia de que existe no mundo uma pessoa tão fantástica assim, mas ela mora a milhas e milhas de distância e eu nem sei se verei novamente. E eu ainda choro quando lembro de tudo isso, porque duvido que eu vá sentir tudo de novo.

E depois desse  dia minha vontade de manter contato foi ainda maior e todas as coisas que eu posso falar com ela eu vou lá falar e eu morro de ciúmes quando vejo que outras pessoas falam mais com ela do que eu e de inveja daqueles que podem abraçá-la todos os dias. Eu sempre sonho que um dia moraremos mais perto e poderemos nos ver mais vezes e que mesmo quando formos adultas de verdade a gente ainda vai se abraçar como se fosse a primeira vez. Eu ainda sonho que um dia a gente possa ao menos amenizar nosso tempo perdido, porque eu pra sempre acreditarei que nossos destinos foram traçados na maternidade e eu posso dizer com a mais pura certeza que enquanto eu respirar lembrar-me-ei dessa pessoa. É impossível esquecê-la. E eu absolutamente jamais admitirei que alguém lhe faça infeliz de algum modo e que alguém lhe convença que não vale apena acreditar no sonho que se tem, ou que ela nunca vai ser alguém. Ela é alguém. Desde que ela nasceu ela é e a cada dia que passa ela constrói ainda mais coisas sobre essa pessoa que ela nasceu sendo e ela não precisa chegar a lugar nenhum, afinal, ela faz parte dos melhores lugares desde que ela nasceu.

Hoje é aniversário de uma dessas pessoas que você aplaude em pé ao mundo por ter feito nascer e ser do jeito que é, que você tem vontade de ter uma metralhadora para usar em quem pensa o contrário e que você agradece aos céus ao destino e a sorte por poder chamar, com todas as letras e com a mais pura certeza de amiga. E eu nem preciso comentar que uma pessoa assim tinha que nascer em Outubro, pois acho que isso já é óbvio.

Eu só queria dizer que, bem, são 19 anos até agora, mas com certeza eles se transformarão em 70, porém o farão com bastante vagarosidade, pois com seu jeitinho fantástico você será capaz de sobreviver a todos os seus anos maravilhosamente bem, afinal, é isso que você faz. Eu queria dizer que hoje e em grande parte dos dias eu gostaria de estar aí do seu lado te abraçando fortemente e que eu me recuso a mandar um abraço virtual porque ele não significaria nem um terço do que eu gostaria que significasse. E que eu estou realmente frustrada por não ter conseguido tempo para fazer o seu presente, ele será lindo e eu enviarei algum dia, prometo! E, bem, é o seu dia e o de mais ninguém, aproveite-o da maneira que considerar melhor, sempre com esse seu lindo sorriso no rosto, porque você não sorri só com a boca, mas sim com o rosto inteiro e deve aproveitar isso. E gostaria de dizer que estarei aqui pra tudo que você precisar e que possa ser resolvido a distância e, acima de tudo, porque eu te amo e poderia ficar o dia inteiro escrevendo que ainda me faltariam palavras para descrever o quão fantástica você é.

Porque eu vim de outro Planeta e você apenas deu uma passadinha ali no nosso satélite natural.

Okay <3

0 thoughts on “Eu Vim de Outro Planeta, mas ela não.

  1. Mayroca, como você é linda! Ler esses detalhes do nosso encontro – que eu nem participei, btw – só me fez ficar mais dolorida de saudades. Juro por Deus que ouvi sua vozinha enquanto lia o post inteiro, principalmente na hora do quase te amo. Vocês são duas garotas fantásticas e eu sou a pessoa mais feliz do mundo por ter vocês na minha vida.
    Amo demais. As duas.
    E eu também levo amor muito a sério, tá?

  2. Meu Deus, que coisa maravilhosa de se ler! Incrível, morro de orgulho das minhas filhotas! Queria apertar as duas, estou com uma saudade igual das duas! Sorte que a de cabelos coloridos eu posso ver mais depressa! Precisamos marcar nossa tarde de filme, May! Amo demais vocês duas, minhas pequeninas! <3

  3. Pensei “ferrou, vou chorar de novo”. Aí comecei a rir. RIR! Porque só mesmo pessoas muito especiais conseguem fazer um texto lindo desse pra alguém que não sabe prestar atenção em dois mais dois. E EU TE FIZ COMER NUM BATE=ENTOPE! Que tipo de irmã mais nova eu sou? Tava tentando destruir seu estômago frágil, só pode.
    Aí me resta agradecer. Porque olha só quanto amor. E olha só, você comeu lá mesmo sendo um lugar deveras pé sujo. E você me lembrou que eu podia pegar a bolsa na saída, não precisava sair correndo. E VOCÊ COMEÇOU A GRITAR NA ESTAÇÃO DO TIETÊ! E eu pude de proteger quando o cara falou que você era a Katy Perry.
    Ai, May, você é a melhor irmã do mundo! Muito obrigada por gostar de mim de graça. Por me ouvir, refletir sobre as coisas que eu falo, mesmo que elas sejam bobeiras. Muito obrigada por “quase me amar” e depois me amar! Eu quase te amei. Mas agora eu te amo. E muito!

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