Expondo-me novamente…

É, talvez eu nunca aprenda que essa história de escrever sobre a sua essência em um lugar público não é aconselhável, mas estou sufocada demais para cogitar a hipótese de não escrever a respeito disso.

Sempre fui um poço de crises existenciais e isso não é novidade para ninguém, mas a nova crise não é existencial, pelo menos não necessariamente. O fato é que em poucos meses eu terei terminado o meu Ensino Médio. Toda a minha experiência escolar terá sido esgotada e isso simplesmente me assusta.

Eu não gosto de ir para a escola, não gosto da minha escola, especificamente, não gosto da maioria das pessoas que sou obrigada a conviver e que finjo gostar. Não gosto. Sou uma tremenda falsa, hipócrita e ridícula e não me importo de ouvir dizer que sou essas coisas, pois as sou consciente do fato de sê-las. A questão é que mesmo abominando aquele ambiente com todas as minhas forças, a simples ideia de perdê-lo para sempre me é completamente assustadora.

Tenho passado por dias tenebrosos e tristes na minha vida, em que eu fico naquele lugar a maior parte dos meus dias, sem aproveitá-lo, esquecendo-me que em breve ele será tirado de mim para sempre. Hoje pode ser que aquela escola só me traga desgosto, mas ela ambientou os melhores momentos da minha vida. Nela eu conheci algumas das pessoas mais importantes da minha vida. Foi naquele lugar, daquele jeito, com aqueles corredores brancos, as janelas pequenas e a sensação de estar numa prisão de segurança máxima que eu desenvolvi meu intelecto por anos. Foi ali que eu me formei como pessoa, que decidi como seria. Se sou o que sou hoje, devo muito àquela escola.

Tenho chorado ao pensar que daqui alguns meses eu nunca mais vou usar o meu uniforme, meu crachá, não vou poder reclamar da minha turma para o acessor pedagógico e nem das pessoas irritantes para as minhas amigas. Os almoços costumeiros pelos restaurantes do Centro terão terminado, assim como as já habituais aulas de Top Fera.

Sinto-me jogada num mar de incertezas, sem saber que rumo minha vida tomará a partir de agora. Com um medo enfadonho de ter falhado em minhas escolhas e de me arrepender no futuro, com um medo ainda superior de falhar e decepcionar a minha família inteira.

Tenho sido um turbilhão de emoções, incertezas e medo. Acordo e ponho-me a pensar no objetivo que pretendo alcançar com aquele dia e nunca alcanço nada. Acho que se eu não fizer nada relacionado a escola quando estiver fora dela não serei obrigada a pensar nesse tenebroso fim.

Minha vida nunca foi homogênea, tudo sempre mudou, mas eu sempre sabia que passaria a metade dos meus dias na escola, mesmo que não gostasse dela. Sempre soube que seria obrigada a aprender matérias terríveis e a aguentar pessoas detestáveis. Agora já não sei de mais nada! Talvez daqui a uns meses eu seja apenas uma perdida na vida que acorda na hora do almoço todo o dia e não tem plano nenhum para o futuro. Serei capaz de sobreviver ao ócio? Duvido muito. Ócio demais cansa. É por isso que eu sempre quero ir para a escola depois do primeiro mês de férias.

Esse ano eu quis muito as férias. Aguardo por elas desde Agosto. Conto os dias para o dia 09/12, para ficar livre daquela escola demoníaca para sempre! Então pus-me a pensar em como será ficar longe daquele lugar e eu não consigo imaginar minha vida longe daquele lugar. Sou um objeto do Estado, feita para desenvolver o intelecto ao máximo possível, para ficar dentro de um casulo microscópico e sofrer quando ele se rompe. Fui feita para ser largada nesse mundo infinito sozinha, testando tudo que já aprendi. Daqui alguns meses eu serei mais responsável por mim mesma e o fato é que não me considero preparada para tal. Não me considero preparada para nada.

O que torna as coisas um pouco piores, porém, é o fato de além de estar tão fora de mim ultimamente, com esse nível de estresse aguçadíssimo e essa falta de vontade de tirar a bunda da cadeira para fazer algo útil, tenho me sentido sozinha. Completamente abandonada. Não adianta saber que tenho um monte de amigos. Já não sinto vontade de falar com eles. Rodear pelos mesmos assuntos já discutidos, falar mal dos outros ou ficar planejando um futuro que nem somos capazes de realmente imaginar. Sinto falta de pessoas que simplesmente sorriem, falem de coisas levianas e deixem a vida um pouco mais leve, ao mesmo tempo que tratam de assuntos sérios as vezes. Sinto falta de longas discussões acerca de assuntos polêmicos e de conversas completamente banais. Sinto falta da convivência que nos unia no início do ano e que, talvez por ter sido tão explorada, acabou se degradando. Sinto falta de muitas coisas. Sinto que vivo uma rotina que não é minha, que estou lá, mas não estou. Está faltando algo e eu não sei o que é. Talvez sejam os abraços, sorrisos, canções ou zoações que aconteciam antes, talvez seja a infantilidade que fomos obrigados a deixar de lado com o tempo… Realmente não sei, mas tenho me irritado com isso.

Meus melhores momentos são os do teatro e aqui fico imaginando o que seria de mim se eu não pudesse ir às aulas de teatro nesse semestre. Acho que eu ficaria mais chata ainda, se é que é possível.

O fato é que o ano está acabando e mesmo eu tendo amado aquela escola por tantos anos da minha vida, agora não vejo a hora de me ver livre dela, mesmo morrendo de medo do que isso possa acarretar para a minha vida. O ano está acabando e eu vou sentir falta dos meus colegas de classe, mesmo dos que me tiraram do sério. Está acabando e não há nada que eu possa fazer para impedir que isso aconteça. Está acabando e eu estou ficando sozinha de novo, sendo obrigada a tomar conta de mim mesma. Está acabando e se eu não achar um jeito de aproveitar os últimos momentos terá acabado antes mesmo de eu notar e só restará o arrependimento. Está acabando e eu gostaria de ter os meus bons amigos ao meu lado de novo.

Está acabando e quando isso ocorrer prevejo uma crise existencial enfadonha, porque é o meu jeito de lidar com as coisas. Retraindo-me e refletindo, mesmo que não chegue à conclusão alguma.

Está acabando, ainda bem! Que venha o Natal.

Such a lonely day, shouldn’t exist. It’s a day that I’ll never miss. Such a lonely day, and it’s mine. The most loneliest day in my life.

0 thoughts on “Expondo-me novamente…

  1. Ei bonitinha. Espero que eu seja dessas que tem conversas leves, com sorrisos, e ao mesmo tempo, saiba discutir coisas sérias. May, terminar o colégio é esquisito. Você chega do último dia de aula, senta, e pensa em como será. Porque desde SEMPRE foi aquilo, e de repente, não será! É esquisito, mas aí você vai entrar na faculdade e se acostumar com as diferenças e também com as semelhanças.. O fato é que, estando nós preparados ou não, a vida vai girar, e a gente vai ter que aprender a girar junto.
    E você já sabe o que vai fazer da vida, minha pequena Anita. E como sabe. ;**
    Beijos!

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