Características Técnicas

         O nome original do filme é Steel Mongolias e foi produzido nos Estados Unidos, em 1989. O filme é colorido e tem duração de 117 minutos. O roteiro é de Robert Harling e a direção é de Herbert Ross. O elenco principal é formado por Sally Field, Dolly Parton, Shirley MacLane, Daryl Hannah, Olympia Dukakis e Julia Roberts

          Julia Roberts foi indicada ao Oscar de 1990 como melhor atriz coadjuvante por seu papel em Flores de Aço. A atriz ganhou o prêmio da mesma categoria, no Globo de Ouro. Sally Field, por sua vez, recebeu a indicação de melhor atriz no Globo de Ouro de 1990, mas não ganhou a estatueta. Shirley MacLaine foi indicada como melhor atriz coadjuvante em 1991, no prêmio britânico BAFTA. Flores de Aço ganhou o People’s Choice Awards de 1990, na categoria Filme Dramático Favorito.

           Em 2012 o filme ganhou um remake com elenco principal composto por mulheres negras, estrelado por Queen Latifah.

Enredo

          M’Lynn (Sally Field) é casada com Drum Eatenton (Tom Skerritt) e tem três filhos, sendo dois homens e uma menina, Shelby (Julia Roberts). A família habita uma cidade do interior do Sul dos EUA e é bem quista pela cidade. Shelby está prestes a se casar com Jackson Latcherie (Dylan McDermott), um rico advogado – que mora em uma cidade diferente. O casamento da filha é um grande evento para a família de M’Lynn, que vai se preparar para a festa no salão de Truvy Jones (Dolly Parton). Para dar conta do serviço, a cabeleireira, contrata Annelle Dupuy (Daryl Hannah) como ajudante. 

        Clairee Belcher (Olympia Dukakis) e Ouiser Boudreaux (Shirley MacLaine) também frequentam o salão de Truvy  e M’Lynn, Shelby, Annelle, Truvy, Clairee e Ouiser começam a nutrir uma forte amizade, que permeia todo o enredo do filme. Elas são as “flores de aço” que dão título à história. 

          Shelby sofre de diabetes e é alertada, antes do casamento, por seu médico, a não ter filhos. Por essa razão, quando ela anuncia a gravidez, sua mãe fica bastante apreensiva e chateada. Apesar do risco, Shelby decide que precisa desse filho para ser feliz e resolve persistir. De fato, a gravidez traz complicações para sua vida e é graças à união feminina  advinda da amizade que a família de M’Lynn lida com os problemas.

O que eu achei do filme

          Assisti o filme em um canal de televisão fechada, contendo intervalos e possíveis cortes. Por essa razão, talvez minha percepção da história seja diferente daquela de quem assistiu ao filme completo e sem intervalos. Espero realmente que não tenha havido cortes.

          O filme me chamou atenção por diversos aspectos. A atuação de Sally Field é extraordinária e me ganhou. A caracterização dos personagens é maravilhosa. Uma das coisas positivas de entrar em contato com filmes um tanto antigos é poder observar diferenças culturais e estéticas marcantes da época. Uma das coisas que me chama sempre a atenção, para além dos cabelos e roupas, são os locais onde se é socialmente aceito fumar. E, nesse filme isso também aparece. 

       Comecei a assistir o filme imaginando que seria uma história vazia e sem sal, onde após o casamento Shelby teria complicações no relacionamento e seria sobre isso o desenrolar da história. Mas não foi o que eu vi. O filme é brilhante na arte de mostrar apenas as coisas que importam para o desenrolar da história. Por essa razão, há muitos cortes secos entre as cenas. Se você está vendo uma cena que se passa no natal, assim que a parte relevante sobre a comemoração acontece, o corte seco aparece e somos remetidos para um outro momento e outra história relevante. Não há aquela sensação de continuidade e acompanhamento excessivo do espectador perante a família mostrada na narrativa. Não é o tipo de filme que encanta pelo excesso de detalhes, pelo contrário, a narrativa é prática e bem performada

           O que mais me chama a atenção na história é o viés narrativo dela, que é o feminino. Em uma época onde os filmes famosos são aqueles em que as mulheres são bibelôs ou têm vidas fúteis, Flores de Aço surge para mostrar que é nas mulheres que a força da sociedade reside. O filme mostra os percalços da vida das mulheres do subúrbio e a forma magistral com a qual elas lidam com seus problemas. É evidente pela narrativa que os homens são muito mais dependentes das mulheres do que elas deles. É evidente que elas têm uma vida, anseios, sonhos e uma narrativa própria e os homens surgem como “fim natural“, claro, pois é essa a marca cultural da época. 

          Para as mulheres do subúrbio estados-unidense da década de 80, o fim natural era casar-se e ter filhos. Não era algo que passava pela cabeça delas questionar. No entanto, não era por isso que elas deixavam de ser protagonistas de sua própria história.

           Flores de Aço é um filme de força e resistência feminina, que mostra, através de uma narrativa com as doses certas de drama e comédia, o quanto mesmo as mulheres que parecem frágeis e fúteis sabem lidar com as adversidades da vida de forma proveitosa e benéfica. E a frase mais marcante é a de M’Lynn, quando fala que os homens são considerados de aço, mas são as mulheres que passam pelas coisas mais difíceis.

         Quem gosta do ar suburbano de séries como Desperate Housewives vai se encantar com essa narrativa, brilhantemente produzida.

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