A Fuga (15/30)

Alice desmaiada. Helena com o pé torcido. Alex morrendo em uma sala em um prédio sinistro e eu parada em um corredor pouco iluminado frente a frente a uma menina que surgiu do além dizendo que nos ajudaria. Em qualquer outra situação eu simplesmente sairia correndo dali e depois pediria perdão a todas as pessoas que abandonei, mas naquele momento estava tão desesperada que antes de pensar em qualquer coisa disse, assustada.

– Pelo amor de Deus! De onde você surgiu menina? Como você sabe que sairemos daqui? Tem passagens secretas? Por que você vai nos ajudar? Não. Não explique. Apenas nos ajude. Nos tire daqui. Dr. Oliver acordará em breve e meu Alex… Meu Alex será desligado. – E comecei a chorar, estava demorando para isso acontecer…

– Em primeiro lugar, ajude-me a acordar sua amiga desmaiada. Dê uns tapinhas na cara dela e assopre ar em sua boca. – Camila disse, gentil, realmente querendo ajudar.

Fiz exatamente o que ela disse e então Alice acordou, ainda assustada e com uma cara de quem tinha visto um monstro terrível. Helena tratou de acalmá-la e juntas prestamos atenção no que Camila tinha para nos dizer:

– Infelizmente, Dr. Oliver é meu pai. Não pai como ele é de Alex, mas meu pai de verdade. Mamãe morreu no parto e ele ficou ainda mais feliz com o fato de eu ser inteiramente dele. Os órgãos, DNA e sangue iniciais de Alex vieram de mim. Desde que me entendo por gente moro nesse lugar e desde que me entendo por gente passo por procedimentos horríveis. Alex foi meu único irmão e amigo durante a vida inteira, pois papai não me deixava entrar em contato com mais ninguém. E quando Alex foi viver lá fora resolveu que viria me buscar, então todas as noites ele aparecia por aqui. Eu não sabia de onde ele vinha, mas pegava em sua mão e o seguia até a noite lá de fora. Íamos ao cinema, teatro ou simplesmente passeávamos pela rua. Papai nunca descobriu. Então Alex conheceu você, Diana, e deixou de vir me buscar todas as noites. Eu achava que um dia ele apareceria, mas nunca mais veio. E eu sentia falta de comer comida de verdade, de ver a Lua e as estrelas e de simplesmente ver pessoas, então decidi que daria um jeito de sair sozinha. Todas as noites então colocava uma dose de sonífero no chá da noite do papai e vasculhava o prédio inteiro em busca de uma saída – Alex me vendava – e um dia encontrei! E agora que Alex está prestes a ser desligado – por sua causa, claro – e nem que eu doasse todo o meu sangue pra ele o salvaria, resta a mim aliar-me a você para salvá-lo do meu pai. Veja bem, papai não é uma má pessoa, ele só quer descobrir um meio dos humanos viverem para sempre. Ele nunca se conformou com a morte da minha mãe. Eu não concordo com o que ele faz, mas, juro que ele não é uma má pessoa. Não tentem nada de mal com ele. É a minha única família.

Eu, Alice e Helena estávamos transtornadas com toda aquela história. Então Alex tinha uma “irmã”. Então Dr. Oliver inventou tudo aquilo porque estava de coração partido? Ele usou e maltratou a própria filha e ela ainda tinha coragem de nos pedir para não ser malvadas com ele? Sinceramente, comecei a repensar toda a minha relação com o Alex. Eu devo ter sido uma péssima criança para que Deus resolvesse fazer toda essa palhaçada comigo, justo com o meu primeiro, único e eterno amor. Respirei fundo e disse, mais para acalmá-la do que sendo verdadeira.

– Ok, ok , não faremos nada com o Dr. Oliver, mas por favor, nos ajude a sair daqui com o Alex vivo.

– Não faremos nada com o Dr. Oliver? Você viu o que ele fez com essa garota? Com o Alex? Com o universo? Ele deveria ser preso, isso sim. – Explodiu Alice.

– Nós juramos que não faremos nada com seu pai. – Helena disse tentando convencer Alice a ser gentil.

– Por favor, acredite na gente. Precisamos de você.

E então ela começou.

– Primeiramente, preciso que você acorde o Alex. Só você conseguirá. Vá até ele, diga aquelas cosias melosas que namorados dizem um para o outro e beije-o como se fosse o último beijo que você dará a ele.

Corri até o Alex. Segurei firme em sua mão e disse, com os olhos brilhando das lágrimas recém secas, que eu precisava dele acordado. Precisávamos ir pra casa. Precisávamos nos livrar do tornado e voltar pra casa. Porque não há nenhum lugar como a nossa casa. Porque a minha casa não seria a mesma sem ele. Porque ele é o amor da minha vida, mesmo sem seu cabelo à lá Heath Ledger. E chorei. E pedi desculpas por nunca ter prestado atenção quando ele começava a falar sobre robótica, seria tão útil agora. E disse que faria o que fosse necessário para tê-lo ao meu lado novamente. Disse que agora eu tinha certeza de que deveria tomar a tal injeção que ele tentava me fazer tomar desde que disse pela primeira vez que me amava, com o buquê na mão. E o beijei. Beijei com todas as minhas forças, como se fosse a última coisa que eu pudesse fazer. Beijei-o melhor do que em todas as outras vezes, imaginando todas as outras vezes, com a premissa de que aquela poderia ser a última. E ele correspondeu. Suas mãos enroscaram-se em minha cintura e estávamos deitados nos beijando e nos abraçando. Sabia que precisava parar com aquilo, mas estava bom demais para que eu simplesmente dissesse para ele parar e então Helena chega e fala que não gosta de atrapalhar casais, mas que precisávamos ir salvar nossas vidas. A gente para de se beijar e sorri. Eu vejo o sorriso dele. Os dentes ainda brancos. E me apaixono novamente. Nunca amei-o tanto quanto naquele momento. Ajudo-o a levantar, levo-o até as outras meninas. Camila corre para abraçá-lo, Alice dá um oi de longe enquanto Helena comenta que não queríamos nos separar nunca mais e em meio ao deslumbramento, Camila retoma a ação.

– Certo, agora as coisas ficaram bem mais fáceis. Guiá-las-ei pelo meu novo atalho.

Enquanto andávamos contamos para Alex tudo que estava acontecendo, sobre as sapatadas que Helena dera em Dr. Oliver, sobre como Dona Elisa tinha me colocado a par de tudo, sobre a ideia de que eu me transformasse em Zumbot e ele ouviu tudo com uma cara de pensativo, como se estivesse bolando um plano para salvar tanto a vida dele quanto a nossa. Camila perguntou como voltaríamos para casa, as meninas disseram que vieram de skate, ela disse que não considerava seguro e sugeriu que procurássemos outro meio de transporte. Ninguém nos ajudaria àquela hora da madrugada. Ninguém além de Clarice. Helena ligou para ela, passou o endereço e pediu para que ela nos esperasse na porta em cinco minutos, que era questão de vida ou morte. Passamos por lugares que eu jamais havia estado e Camila explicou que era uma saída subterrânea que ela encontrou por acaso, mas era altamente segura.

Chegamos à saída, Clarice estava na porta esperando. Helena e Alice – que estavam ajudando Alex a andar – entraram no carro, seguidas por ele. Eu abracei Camila muito forte, disse para ela aguentar um pouco mais lá que um dia conseguiríamos salvá-la, sem prejudicar ao pai dela – uma promessa para a lista das que jamais será cumprida – e, como forma de agradecimento, disse que ela poderia ficar com os dois skates que estavam na Recepção. Eles seriam úteis para seus passeios noturnos. Ela ficou feliz, me abraçou bem forte e sumiu dentro do prédio cinza.

No carro, enquanto Helena e Alice explicavam para Clarice tudo que tinha acabado de acontecer, Alex olhou para mim, com um sorriso de orelha a orelha e disse:

– Peço desculpas por nunca ter contado da minha real situação, só queria preservar a sua vida. Mas não por isso deixei de pesquisar maneiras de podermos viver apaixonados eternamente sem que nenhum morra por isso. Faço faculdade de Mecatrônica justamente para encontrar um meio, Diana. Porque eu te amo demais. Não quero morrer por isso, pelo contrário, quero viver com isso. E em todas as minhas pesquisas malucas – que você nunca quis prestar atenção – acabei descobrindo uma maneira, só não tive tempo de colocá-la em prática antes do acidente. Te chamei na minha casa àquele dia para isso. A injeção está pronta. Eu só preciso que você aceite tomá-la.

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Esta é a décima quinta parte de um conto mafioso que está sendo escrito por todas as integrantes do grupo para comemorar seu primeiro aniversário! O começo do meu texto é um link para o texto anterior, escrito pela Renata, a primeira a escrever foi a Rafaella e amanhã vocês podem conferir a continuação do conto no blog da Char. Que injeção é essa? Como eles sobreviverão? Será que conseguirão salvar Camila? Como acabar com o Dr. Oliver? Isso e muito mais esse mês, nos blogs mafiosos!

Fora descoberto que o aniversário exato da Máfia é hoje, quinze de Setembro, assim sendo, faz um ano que eu faço parte do melhor grupo blogueiro que já existiu e nesse ano nossa amizade se solidificou e tomou proporções que eu jamais havia imaginado. No quesito blogueiro, devo dizer que sem a Máfia eu seria uma escritora muito pior, pois muitas vezes é lá que encontro ideias, memes incríveis e vontade de ser cada vez melhor no ato de escrever. Ainda bem que o grupo não se resume a só isso, mas é uma parte muito importante também! Só queria deixar registrado que amo demais o grupo e estou muito feliz com a data de hoje!

0 thoughts on “A Fuga (15/30)

  1. LINDO LINDO LINDO! May, você escreve MUITO e a sua parte ficou linda demais! Consegui sentir cada palavra da Di quando foi acordar o lindo do Alex!
    Amei amei amei amei demaaaaais!
    E VIVA NÓISSS!!
    Te amo, coisa linda!

    Beijos

  2. Arrasou também, May, ai gente, que meme delicioso, quero brincar disso pra sempre! HAHAHAHA!!!!
    E FELIZ MÁFIA DAY PRA NÓS! MORRO DE ORGULHO DA GENTE! <3

  3. Ufa, juro que pensei que a Camila fosse maligna hahaha Fiquei com pena dela agora. E que bom que deu ao Alex a chance de um resgate! Amei essa cena romântica 😀

  4. Graças aos céus alguém tirou os coitados daquele lugar horroroso! Eu pensava que a Camila ia ser um monstro e mais um problema para nossos queridinhos, mas adorei o sentido que você deu a ela. Vamo que vamo <33
    Super beijo s2

  5. Eu achei que a Camila iria impedir as meninas de saírem do prédio e não ajudá-las… mas gosto mais assim!

    Feliz 1 ano, Máfia!
    beijos, May <3

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