Fui Enganada!!!

Todos que leem meu blog há um tempo sabem que, em linhas gerais,  eu odiei o meu tempo no ensino médio e o ódio piorou ainda mais quando cheguei no dito terceiro ano. “O terceiro ano é o mais legal!” só se você achar cair dentro dum vulcão ou levar uma rajada de ácido sulfúrico na cara legais. Não digo que aprender é ruim, que as matérias sejam desnecessárias (embora algumas realmente sejam) e que eu preferiria ter passado o meu tempo integralmente em casa porque isso é uma tremenda mentira. O irritante de verdade do tal terceiro ano está muito além do fato de quererem que você decore o mundo ou toda a pressão que colocam, dizendo que se você não souber que a redondeta da parafuseta não é redonda, mas octagonal, você passará mais um ano da sua vida sofrendo a mesma tortura para conseguir entrar na universidade. Não. O pior é a maneira como eles retratam o paraíso que é a universidade. Como se todos os seus anos de estudo desembocassem naquilo, o seu futuro. O local onde você aprende a profissão que exercerá pelo resto de sua vida. Bullshit. Mas ninguém conta isso pra gente na hora. Eu, que nunca sonhei em ir pra universidade, sim, porque na minha cabeça as coisas migravam automaticamente do ensino médio para Hollywood, sem nada pelo meio do caminho, senti-me O alien naquele universo. Porque aquilo não tinha nada a ver comigo. Porque eu não ia me obrigar a lembrar que a redondeta da parafuseta é octagonal. Eu sabia que era inútil. E enquanto todos perderam um ano estudando absurdamente pra passar pela dita prova, eu via quatro filmes por semana (no mínimo), acompanhava todas as séries que queria, lia todos os livros que tinha paciência para ler, dedicava-me exaustivamente ao teatro e ia pra escola só pra não reprovar por falta e pra ver se aprendia pelo menos o básico de física (o que não ocorreu). Terminei o ano me achando fodástica. Altamente superior. A sensação aumentou quando eu descobri que passei no vestibular e um monte das pessoas que perderam o ano inteiro estudando não haviam passado e precisariam passar por todo o processo de novo, enquanto eu estaria no paraíso. Porque a universidade seria o paraíso. Os professores sempre falavam isso! “Comam cebolas para depois comerem mel” e “Esse ano vocês estudam, ano que vem é só festa” e “Faculdade só é complicada no fim do semestre” e “Ciências Sociais? Pff… Tranquilo“. Eu sabia que não seria tranquilo, sabia que ia ser exaustivo e que só falavam isso porque nem sabiam direito do que se tratava o curso, sabia que nõa ia participar das festas, mas eu realmente achava que ia comer mel. Achava que ia me empanturrar de mel, que ia continuar tendo a minha vida amazing de ver cinco filmes por semana e acompanhar todos os meu seriados enquanto tirava notas boas em todas as matérias interessantes. Agora eu só teria matérias interessantes, tinha tudo pra ir fantasticamente bem em todas elas. Aham, claro. Termino esse texto dizendo que embora o meu material do terceiro ano pese cerca de 50kg e eu não tenha preenchido sequer uma apostila completa, em uma semana de faculdade eu tive que ler 200 e poucas páginas, isso sem contar que no fim de semana – em que eu esperava poder pelo menos dormir – acabarei tendo que ler mais um texto de 120 páginas, um livro de 60 e pelo menos metade de outro de 200. Isso sem contar todas as outras coisas que eu preciso fazer. Ou seja, meu projeto de leitura desse ano provavelmente será ultrapassado, mas somente com livros técnicos e teóricos que, embora sejam super legais, não são alienantes e eu queria muito ter tempo para me alienar um pouco (acho que é isso que estou fazendo agora, no tal computador). Se ano passado eu não consegui terminar nem 10 livros, nem quero pensar em quantos lerei esse ano. E eu nunca estudei na minha vida. E eu achava que ia ter um emaranhado infinito de matérias legais e não ia precisar fazer nada além de ir na escola. E eu não conheci nem um paraíso ainda. E eu agradeço a mim mesma todos os dias por ter aproveitado ao máximo o ano passado, porque se eu tivesse perdido ele inteirinho estudando e de repente soubesse que teria que estudar o triplo, por quatro anos (no mínimo), eu ia ter um chilique MUITO grande. Não chiliquei. Não me acostumei ainda, lógico, mas não chiliquei. Darei conta, afinal os textos são enfadonhamente legais e construtivos, só sinto falta dos meus filmes, seriados, chocolates e minhas tardes de soninho, mas fazer o que né? Agora que já entrei no barco não posso deixar ele afundar.

Por fim, eu só queria dizer que se você está no terceiro ano e acha que precisa decorar todas as coisas possíveis e chora quando não consegue resolver um exercício de matemática ou da matéria que tem mais dificuldade, relaxe. Aproveite. Divirta-se. Uma hora ou outra você vai passar no vestibular. Faculdade é fantastica sim, um mundo completamente diferente, sim, mas é bem mais difícil do que o terceiro ano. Mantenham isso em mente e não extrapolem seus limites. Não exijam tanto assim de você, afinal é apenas uma prova, você já fez muitas na vida, não vai ser essa que vai te atrapalhar.

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