Grilhões

No início apenas uma bela palavra comumente usada por Karl Marx. Em seguida, uma resolução de vida. Grilhões. Correntes que prendem nosso pensamento num emaranhado abstrato de significados insignificantes. Coisas que nos prendem, sufocam, estrangulam, matam. Que nos impedem de ser e fazer o que temos vontade. Que nos prendem em uma vida vã. Sem graça. Estou cercada por grilhões.  Sou um espírito livre e flutuante preso em um corpo que está preso a uma série de outras coisas. Quero conseguir abrir os cadeados da minha vida, romper meus grilhões, abandonar as correntes e permitir-me ser tão livre quanto aquilo que hoje chamo de “espírito”.  Sempre admirei Pocahontas, sempre quis ser ela. Dessas pessoas lindas que se amam a ponto de agirem pensando em si e não no outro e, bem, eu sou assim. Incompreendida. Como os gênios que não são compreendidos em seu tempo. Não que eu seja um gênio. Ou talvez seja e ainda não saiba. “Egocêntrica” por tentar fazer somente o que quero, quando quero e se eu quero. Só vivo a tentar ser livre dos meus grilhões. Distante deles. É assim que se luta pela própria liberdade. Liberdade dessas lindas que nos faz sentir bem mesmo quando temos que seguir mil regras. A gente é criado e acorrentado, ao mesmo tempo em que acorrentamos a nós mesmos. Tudo para que depois possamos nos desconstruir. Como o cabelo que deixamos crescer já pensando no novo corte. A gente é um constante inconstante. Um eterno processo dialético de construções e desconstruções. Sempre presos a um paradigma, mas já de olho em um substituto para o mesmo. Somos revolucionários da nossa própria história. Nunca deixamos de tentar melhorar aquilo que percebemos errado. Podemos não ser únicos e especiais flocos de neve, mas a gente se esforça para sermos e quase sempre conseguimos vencer nossas batalhas. Sempre seremos mais do que pensamos, mais fortes, resistentes e batalhadores. Querendo ou não estamos sempre brigando por algo, desde que nem éramos nós. Desde que éramos espermatozoides do papai. Por que é que a gente sofre tanto tentando nos encontrar, quando nem estamos perdidos? Somos apenas espíritos livres agrilhoados em corpos insanos.

0 thoughts on “Grilhões

  1. Eu tenho certeza que você tem a força e a personalidade para quebrar todas as correntes que você quiser quebrar, Maymay. Pode passar um pouco disso pra cá, faz favor? Tem gente que já nasce espírito livre, tem gente que morre preso, e tem gente que vai aprendendo a se soltar no caminho. Eu espero (e espero fazer por onde) fazer parte do último grupo, já que não nasci do primeiro.

    Beijos.

  2. ” Quero conseguir abrir os cadeados da minha vida, romper meus grilhões, abandonar as correntes e permitir-me ser tão livre quanto aquilo que hoje chamo de “espírito”. ”

    você pegou as palavras que eu queria falar e jogou no teu texto, simplesmente. achei muito legal mesmo o que você escreveu e assino embaixo de muita coisa, principalmente por me identificar com muito do que cê disse aí.

    eu sofria muito tentando “me encontrar”, mas agora não tá sendo tão doloroso. como eu digo, sinto que vivemos muito pensando no futuro e, quando paramos pra pensar, o presente já virou passado e nem percebemos. eu aprecio viver um dia de cada vez e acho que falta muito disso no mundo hoje. pessoas atribuladas com mil e uma coisas sem sentido pra elas só pra ser ‘alguém na vida’.

    eu me sinto perdida, infelizmente, muita vezes, mas sinto que tô trilhando um caminho bonito pra mim e não pra chegar em algum lugar, mas pra passar por vários lugares enquanto ando.

    e deixa eu parar antes quissoaqui vire conversa terapêutica!

    http://www.pe-dri-nha.blogspot.com

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