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Eu sempre gostei de abraços de um tanto que fui capaz de impedir que várias pessoas me abraçassem por não achá-las dignas. Porque eu acho que abraço é uma coisa tão pura, tão sagrada e tão necessária que não deve ser feita em vão. É por isso que eu não gosto de  “free hug”, abraçar um desconhecido no meio da rua pode até ser uma experiência boa, mas não daquelas capaz de te fazer suspirar e querer mais.

Abraço pra mim é uma coisa muito séria. Eu só abraço de verdade pessoas que eu gosto de verdade. E por “abraço de verdade” digo aquele que não é dado para cumprimentar alguém, aquele que é espontâneo, que você chega e diz “me dá um abraço?” ou “posso te abraçar?”, esses sim são os bons abraços. Acho que a arte de abraçar não está na pessoas, o abraço está no momento. A pessoa pode ter o melhor abraço do mundo, mas se ela estiver em um dia lotado e você estiver deplorável e precisando de um abraço engolidor, pode esquecer, você ganhará apenas um abraço rápido de quem está com pressa. Mas existem os abraçadores natos, que abstêm-se de tudo que estiverem passando para fazer com que o momento do abraço seja mágico. E são nesses abraços deliciosos que mora todo amor do mundo.

Eu sou uma pessoa difícil de concordar com citações, mas se tem uma frase que eu concordo plenamente é a que diz que o abraço é a menor distância entre dois corações, pra mim abraço é a relação de afeto mais íntima que duas pessoas são capazes de se encontrar em. Creio que eu tenha um dom especial, inclusive, porque eu leio a pessoa através de seus abraços. Eu abraço e sei como ela está e então tento moldar meu abraço para alcançar a condição exata que a pessoa necessita.

Em meio à minha vida abraçadora encontrei muitos abraços maravilhosos, muitos abraços que me acolheram em momentos específicos nos quais eu realmente estava precisando. Encontrei muitas casas em forma de abraços, balbuciava Christina Perri dizendo “you put your arms around me and I’m home” porque eu realmente me sentia em casa todas as vezes que recebia determinados abraços. Em um determinado momento, inclusive, eu fiquei viciada. Eu chegava no colégio todos os dias e ia direto em busca dos meus abraços. Parecia uma coletora de abraços. E então chegava nos grandes mestres, naqueles que me rodopiavam e riam enquanto me abraçavam. Chegava naqueles que eu sabia que poderia estar destruída, mas bastaria um abraço pra me recompor por inteiro. Chegava nas minhas casas.

Eu tive muitas casas por tanto tempo que a ideia de tê-las perdido nunca foi bem aceita pela minha pessoa. Sempre doeu demais. O ruim da distância é isso. Você não fica só longe das pessoas, fica longe dos abraços delas. E quando tudo que te une a tais pessoas são abraços, com a distância você sente como se tivesse perdido tudo e acaba morrendo de saudades. É assim que me encontro agora. Com saudades das minhas mais diversas casas. Com saudades de ter a quem recorrer quando tudo estava desmoronando sem precisar pensar em fugir ou mudar para outro país. Não há nada que me faça mais falta, que não os abraços.

Aí mora a maior desvantagem da vida virtual, a coisa que mais me irrita. Você faz milhões de amigos, você mantém contato com as pessoas, mas você não ganha abraços. Nunca. Você ganha abraços virtuais, abraços mentalizados, abraços escritos, abraços que de fato não existem, que não têm a essência suficiente para te fazer sentir em casa, que não contam com o aperto e nem proporcionam a união dos corações. Você não ganha abraços. De que adianta um milhão de amigos e nenhum abraço? A capacidade de se sentir em casa perto deles, de eles serem sua casa é extremamente reduzida e tudo se torna absolutamente triste. Mas as coisas podem piorar, não só podem como pioram. Porque, com sorte, você chega a conhecer os seus amigos virtuais e você tem a oportunidade de finalmente expor em forma de abraço tudo o que você sente pela pessoa há tanto tempo e então você recebe os melhores abraços da sua vida, você se apaixona de verdade pelas pessoas e as quer ocupando o papel de “casa” na sua vida. Você as quer lá, para sempre, mas elas não podem e elas não ficam. Da mesma maneira que você as encontra, você se despede e então os deliciosos abraços tornam-se apenas parte do seu mar infinito de lembranças boas e todas as vezes que você fala com as pessoas você lembra deles e todas as vezes que você está triste você pensa em como seria bom poder recebê-los, em como seria bom poder chorar e sorrir sobre eles. Em como seria bom tê-los como casa. Mas você não pode. Você não tem.

E você fica sozinho. Renegado e obrigado a satisfazer-se com aqueles abraços que nunca lhe faltaram, os da sua família. Que mesmo não sendo tão mágicos quanto todos os outros, mesmo não proporcionando tudo que os outros proporcionam, são os que você tem certeza de que estarão ali. De que serão a sua casa porque eles sempre foram a sua casa. E você se sente quase completa. Mas há também a possibilidade de por algum motivo de força maior nem esses abraços você poder receber e daí sim, ficar de todo sozinho. Sozinho e sofrendo sem nenhuma casa a recorrer, nenhum peito para calar seu rosto triste, nem uma mão para te fazer cócegas tentando alegrar-te e nenhum braço para te esmagar com força, ou te pegar no colo, ou te rodopiar. Você fica sozinho. Sem toda a magia. Sem nada. Porque viver sem abraços é o mesmo que viver sem nada.

E não venha reclamar da minha tristeza e falta de disposição se você não for capaz de entender a complexidade da coisa.

*Esse texto foi inspirado por esta música. Agora eu tenho um Ask.Fm e aguardo perguntas!

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  1. Apesar de eu ter aquela jááá conhecida implicância com abraços, nunca tinha visto a moda do ”free hug” da forma como você fala. Vou pensar um pouco mais sobre isso. Mas entendi perfeitamente o que quis dizer sobre a parte chata da amizade virtual.
    Queria me sentir em casa quando recebo um abraço. Dessa casa eu sempre quero fugir HAHAHAH Mas garanto que do seu abraço eu nunca fugiria.

  2. Abraço é tão simples e tão complexo de sentir… mistura sentimentos, quereres, lembranças, laços e rende textos sinceros assim. Bom conhecer este espaço. Um beijo,
    Yohana Sanfer.

  3. Ai meu Deus, abraços são tudo nessa vida! Eu vivo dizendo que se as pessoas soubessem o poder de um abraço, não fariam mais nada da vida! Abraçar é bom demais! E nem me fale na saudade que estou dos abraços das mafiosas.. <3

  4. Meninaaaa li seu post de cabo a rabo e fiquei com invejinha. Juro, ai como eu queria ter escrito! Todo delicado e único e íntimo do jeito que eu gosto. Eu sou uma fã universal de abraços. Você me fez lembrar de uma tia que é a detentora do melhor mega abraço do mundo. Toda vez que eu a vejo, já me preparo pois sei que é um santuário aqueles segundinhos que fico nela. E o começo do seu texto é demaaaa: já neguei muito abraço por considerar tal ato sagrado! Uau. Também sou super fã da Perri. Deu pra entender né? Amei tudo!

  5. Eu não me canso de pensar: Como a Mayra é bonita! Pessoa bonita, essa pequena.
    Já eu, sou do tipo que dá beijos na bochecha. Não aquele encostar de bochecha com bochecha, mas um beijo estalado mesmo – quando gosto da pessoa.

    Quero um abraço seu (:

  6. Eu TE ABRACEI!!! Foi um abraço nervoso e muito atordoado, o que me faz querer um novo abraço com calma 🙂

    Adoro abraços também, realmente eles são “casa”.

    Amei o texto, me fez querer abraçar alguém agora!
    beijos <3

  7. Amei todo o texto, e se tivesse como retwitta-lo, eu faria. E essa parte: “E não venha reclamar da minha tristeza e falta de disposição se você não for capaz de entender a complexidade da coisa.” é o que eu gostaria de dizer pro mundo quando me julga enquanto eu só queria um abraçozinho.
    Beijos!

  8. May, minha linda, que texto maravilhoso! A única coisa que eu consigo comentar é que eu estou morrendo de saudades de um abraço seu, de ter em casa comigo. Essa metáfora é incrível, levarei pra vida.
    Beijos <3

  9. Nunca pensei em abraços como vc. Mas quando estou na pior o abraço do namorado é tudo que me salva. Aquele bem apertado e longe, sabe? Cheio de carinho e promessas de que tudo vai melhorar. É, talvez eu sinta uma pontinha do que vc sente =)

  10. Bem, eu não sou lá uma grande fã de abraços. Na verdade, a ideia de alguma pessoa muito perto de mim me dá arrepios, hahaha. Mas eu gosto deles quando são de verdade. O problema é que hoje em dia quase ninguém abraça de verdade, com vontade, com aquele abraço que sai lá de uma vontade da alma… Por isso eu prefiro os abraços de crianças e bebês: esses sim eu sei que são sinceros.
    Beijo!

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