Humana.

Conheci diversas galáxias, países e sistemas de vida. Perambulei por todos os lugares que fui capaz e tentei me identificar com todos, tendo sempre em mente que sou um pouco de cada coisa e nunca uma só.

Enganei-me.

Eu não sou alienígena. Nunca fui. Eu sempre fui humana. Sempre tive um umbigo. Sempre tentei me encaixar em um esteriótipo. Sempre tentei participar da vida comum. Sempre tentei ser exatamente o que esperavam de mim, sempre fui apenas e ridiculamente humana. Uma simples humana fingindo-se especial.

A gente se sente alien algumas vezes, não posso negar. Senti-me assim principalmente em meu ensino médio, lá parecia que eu não me encaixava. Parecia que eu havia sido largada em um lugar completamente diferente de mim e sim, eu fui. Eu sofri tentando redescobrir-me e reinventar-me a fim de ser cada vez mais parecida com o que todo mundo esperava. Então eu libertei-me e caí exatamente no meu ninho. Se um dia fui alienígena, na faculdade sou mais humana do que qualquer um. Lá tudo o que me incomodava em mim durante o ensino médio passou a fazer sentido, fui compreendida e deixei de me sentir como uma alien. Humana. Mesmo com os cabelos coloridos.

Eu não sei mais o que escrever por aqui. Tenho feito tantas coisas, descoberto tantos lugares que nem sei o que poderia escrever. Tenho tentado aproveitar minha privacidade, para isso preciso parar de divulgar cada mísera coisa que faço por aí. Não estou triste ou incompleta, pelo contrário, vivo um dos melhores momentos da minha vida porque eu finalmente ando vivendo. Isso é legal.

Viver é legal. Vocês deveriam experimentar.

Devo confessar que muito me decepcionei com o mundo blogueiro, no qual textos sobre cabelos, seriados ou listas aleatórias são muito mais visualizados do que textos com essência. Isso me irrita. Principalmente porque eu não sei ser assim. Não sei escrever mil textos rasos sem me sentir inútil e não sei escrever textos filosóficos e sucintos, como os da Milena, por exemplo. Eu não tenho um estilo literário. Não tenho uma voz no mundo blogueiro. Não sei escrever algo que alguém – exceto eu – queira ler e estou cansada de receber comentários que parecem ter sido feitos por “obrigação”, porque eu já fiz muito disso, comentar por obrigação. Consigo saber quando o mesmo ocorre comigo e não é legal. Já disse e repito: prefiro não ser visualizada ou comentada, mas poder falar o que eu quero.

Não tenho conseguido falar o que quero. Tenho me sentido pressionada a cumprir um padrão bloguístico capaz de fornecer visibilidade à minha escrita. Tenho me sentido muito mal com tudo isso.

Resolvi dar um basta.

Eu não sou de fazer “hiato” no meu blog. Nunca fiz isso. Esse lugar sempre foi o meu maior orgulho e eu não posso simplesmente abandoná-lo, mas ultimamente eu o tenho abandonado, mesmo que involuntariamente.

Este blog não está em um hiato propriamente dito, mas sinto-me na obrigação de avisar aos escassos leitores que aparecem por aqui por se interessarem em meus textos que só voltarei a escrever quando sentir-me realmente apta a. Estou tentando levar a escrita um pouco mais a sério e pretendo usar esse blog para investir nisso.

Enquanto nada disso acontece, vocês podem acompanhar alguns escritos meus no Amásia.

That’s all folks.

0 thoughts on “Humana.

  1. Amiga, quer algo mais humano do que se sentir “desencaixada” e fora do lugar? Sorte que os momentos que marcam são aqueles onde nos sentimos pertencentes. Mas tudo isso, certamente, é humano! Estarei vigiando esse blog caso algo novo chegue, como sempre.
    Te amo!
    Beijo

  2. Poxa vida, moça. Não se cobre tanto, nem siga um padrão bloguístico – se é que isso existe. Eu mesma, para fazer as resenhas do blog, não me sinto pressionada por força exterior alguma. Não se sinta alienígena na blogosfera – onde falta tanta humanidade, aliás. Seja diferente, mas faça isso sendo você mesma.
    Ninguém vai lhe reprovar por isso.
    Abraços.

  3. Radicalmente falando… ganhou asas? Ou melhor, descobriu que tens asas? Ou continuando, tentou voar? Aproveite o momento e pesquise esses novos horizontes. Só não crie (acho que nem é necessário dizer isso) expectativas pois embora possa sempre voar mais alto sentirás que os sentimentos são os mesmos, na planície, na atmosfera ou no espaço ou ainda na depressão. O que conta no final é o que a alien sentiu. E olha, falando lá do fundo, é bom ser alien. É bom sempre olhar para “as coisas” como se fosse a primeira vez….

  4. Estava conversando com uma amiga minha – também blogueira – ainda ontem e falando sobre isso: a gente se cobra demais. Quer dizer, isso aqui é um blog e o blog tem que ser nosso reflexo. A partir do momento em que se torna um tipo de “obrigação”, quer dizer que há algo de errado. Não escrevemos apenas para leitores, escrevemos para nós. Ter o blog que gostamos de ler é o que importa. Se um tempo afastada te fizer bem, go ahead. Isso é bom vezenquando. Mas volte sempre que sentir que há algo a ser escrito, mesmo que seja algo que possa parecer bobo aos olhos alheios.
    ;*

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