I wish I could live there

Não sou a pessoa mais disciplinada para séries que conheço. Na verdade a única que vi inteira foi skins, quero dizer, hoje a coisa mudou um pouco. Hoje é o dia histórico em que eu terminei de assistir Gilmore Girls. Comecei em Janeiro e me propus terminar em Junho, mas quando cheguei ao final da sétima temporada descobri que a gente não tinha o fim da série e eu precisaria baixá-lo. O detalhe é que minha internet passou por um momento muito crítico nesses últimos tempos e não baixava absolutamente nada, então eu esperei agoniantemente. Mentira. Estava feliz com a minha procrastinação, porque sabia que a dor do fim seria traumática demais. A internet (in)felizmente foi arrumada e assim sendo venho assistindo ao fim da série, sendo hoje o dia dos três últimos capítulos e caros leitores, a pessoa que vos escreve neste momento está sem chão. Coração estraçalhado. Como se algo muito importante tivesse sido destruído para sempre. Porque Gilmore Girls quase conseguiu ser minha série favorita. Por muitos momentos eu achei que ela conseguiria, então chegou o final e ele foi lindo, maravilhoso, explendido, mas também foi completamente decepcionante. Nada do que eu imaginei aconteceu, minha desolação é ainda maior considerando este fato. Lógico que eu deveria me deter a todos os outros episódios maravilhosos, mas simplesmente não me conformo com a maneira como as coisas terminaram, então a série favorita continua sendo Skins, mas a personagem favorita eu ainda não decidi. A disputa entre Grace e Rory está grande demais. Ai meu Deus. Gilmore Girls. O que falar sobre Gilmore Girls?

Creio que todos já tenham ouvido falar e até tenham assistido a um ou outro capítulo no nosso amado e idolatrado SBT, mas eu juro pra vocês que é uma das séries que vale apena sentar e acompanhar a história. Aparentemente é apenas uma mãe e uma filha, mas as Gilmore são muito mais do que isso. Lorelai vem de uma família privilegiada dos EUA, pais conservadores, ricos e chatos. Ela tem um namorado de ensino médio e um dia eles bebem e pimba, ela fica grávida, com apenas dezesseis anos. Seus pais obviamente se desesperam e vão logo armando casamento com o pai da criança, que é um panaca e topa tudo, mas Lorelai não. Ela recusa se casar pelo fato de não se sentir preparada e de não concordar em ter que viver à sombra de pais ricos, ela quer ganhar sua vida com seu esforço e assim sendo sai de casa, vai para uma cidade próxima e entra em um hotel explicando a situação e perguntando o que deveria fazer em troca de um teto, a dona do hotel se compadece e oferece-lhe um emprego em troca do teto e da comida. Nasce Rory, que na verdade se chama Lorelai, como a mãe. Ela é criada na cidade mais maravilhosa do universo de séries que todos os que assistem gostaria que fosse real: Stars Hollow. Estuda na escola da cidade enquanto sua mãe vai subindo na carreira hoteleira, até que conseguem comprar uma casa, um carro, Lorelai vira gerente e Rory entra no Ensino Médio. É aí que a série começa, com Rory aos dezesseis anos, um sonho insano de estudar em Harvard, mas que não poderá ser atingido pois a escola da cidade não é tão boa assim, então Lorelai resolve pedir ajuda aos seus pais: eles pagariam a escola boa em troca de jantares semanais nas sextas a noite. Esse foi o trato. E no meio de uma história simples de duas pessoas que parecem mais irmãs do que mãe e filha, com um relacionamento absolutamente maravilhoso a história vai criando alicerces fantásticos, entre amigos de ensino médio, ida a faculdade, amigos de faculdade, amores, muitos amores, upgrades profissionais, decepções, tristezas, brigas, desilusões, loucuras, insanidades e enfim. Sabe aquela coisa que você senta pra assistir despreocupadamente, sabendo que não haverá grande drama, tensão ou qualquer coisa que possa virar balela? Essa é Gilmore Girls. Uma série leve, que você nem sente que está passando, mas que em toda a sua leveza demonstra uma intensidade tamanha, capaz de ensinar tantas coisas que nem sei mensurar. Rory e Lorelai mudam tanto, amadurecem tanto, crescem tanto e a gente acompanha junto, sente e sofre junto. Não é aquela coisa dramática de séries adolescentes em que a mocinha sofre desoladamente pelo mocinho, porque em nenhum momento os amores delas tornam-se protagonistas, a série gira em torno delas, elas são o mundo e elas reagem bem às coisas. Elas são fantásticas, na verdade todos os personagens são. Eles são humanos, a humanidade transparece, há falhas, não é uma coisa totalmente irreal, são vidas possíveis de serem vividas, acho que é isso que deixa tudo ainda mais fantástico. Jamais conseguirei decidir-me entre Jess, Dean e Logan, entre Mister Medina, Jason, Luke, Christopher e todos os outros. Jamais conseguirei odiar totalmente Emily e Richard, nem o Taylor dá pra odiar totalmente. E o Kirk? Ele é fantástico! Todos os personagens são e acho que esse é o maior segredo: bons personagens + bom roteiro. Parece que cada episódio foi extremamente bem preparado, com uma sensibilidade infalível que só Amy Sherman-Palladino sabe ter. E a trilha sonora? E o fato de ter um violeiro na cidade? Ai gente. Nunca vou entender pessoas que não amam Gilmore Girls, porque é absolutamente impossível não se apaixonar. O humor e a leveza são viciantes e fantásticos, não há um episódio que você assista e pense “que bosta” – exceto, talvez, o último. É uma série que explora muitíssimo bem a efemeridade da vida e ah. Estou escrevendo um monte e não dizendo nada.

O fato é que hoje eu passei por esta etapa. Eu terminei Gilmore Girls. Eu não consigo parar de chorar, de ver fotos, de imaginar finais alternativos e de pensar em quão legal deve ser ter uma vida como a delas. Rory certamente consegue superar a mim, mesmo em tantas crises terríveis. Deve ser tão legal saber o que se quer fazer, como ela sabe. Deve ser tão legal ser ela, sabe? Gilmore Girls acabou e eu jamais conseguirei superar o fato de que nada daquilo é real, nem a cidade. Que eu jamais estarei hábil a visitar Stars Hollow, sentar no Luke’s e pedir um café naquelas canecas lindas, com refil eterno e um pouco de grosseria. Porque se eu mudei, melhorei, desenvolvi neste último semestre seria até tolo dizer que não tem nada a ver com elas. Estou até cogitando a hipótese de dar a uma filha o nome de “Lorelai”. Não há palavras capazes de mensurar o tamanho da dor que eu sinto, do apreço que eu sinto e do que eu aprendi. Principalmente em quesito romântico. Graças a Rory sempre carrego um livro na bolsa. Duvido que na vida real haja gente tão bem resolvida quanto a Rory, que mesmo quando quer se passar por mal resolvida acaba se bem resolvendo. E a triha sonora. A abertura. O figurino. As piadas. Os cabelos. Ai. Ai. Ai. I wish I could live there.

(não resisti)

P.S.: Obrigada à Liv por ter me feito assistir à série!

P.S.2.: Tive uma ideia de tag legal sobre a série e porei em prática assim que possível!

 

 

 

0 thoughts on “I wish I could live there

  1. Nunca assisti, mas tenho vontade tem tempo! Tenho uma amiga de São Paulo que ama, a Tary é viciada, e agora você! Preciso criar vergonha na cara!!

  2. Essa série é perfeita! Eu acho que ela e Friends são as melhores séries que já existiram. É muito triste não passar muito GG mais ): Pelo menos tenho Friends, porém ainda compro os box. <33333

  3. Minha.série.preferida.de.todos.os.tempos. Seu post despertou em mim uma saudade! Vou amar Gilmore Girls para sempre. A série da minha adolescência: sete anos incríveis, já que na época eu via pela Warner e esperava mil anos para uma nova temporada ser exibida.. E todas essas fotos da série quase me fizeram voltar no tempo. O final realmente não é nada do que os fãs imaginaram durante anos. Nenhuma série até hoje me fez rir e chorar da mesma forma.

  4. “Nunca vou entender pessoas que não amam Gilmore Girls, porque é absolutamente impossível não se apaixonar.” EXATAMENTE ISSO.
    Minha série favorita de todas e olha que eu já vi/vejo muitas. Stars Hollow é sonho de consumo de visitação, e fico imaginando como seria ir em cada cantinho. E, sim, todos os personagens são fantásticos – mesmo que eu deteste o Jess.
    E, assim, não me conformo com o final de Rory e Logan, mas ainda gosto muito o final da série. Mesmo. Só queria que tivesse mais temporadas e nunca perderei a esperanças de fazerem um filme (lindíssimo, não um que estrague tudo, pfvr).
    Ah, Gilmore Girls. Que saudades.
    Beijos, May!

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