A gente não consegue viver sozinho. Ou melhor, conseguimos, mas a partir disso a vida perde totalmente a graça. Como o moço do meu layout dizia, “a felicidade só é real quando compartilhada” e a gente quer que ela seja real, então a gente precisa de gente para compartilhar. E desde que nos reconhecemos como indivíduos começamos a procurar por estas pessoas. Pode ser a coleguinha do jardim da infância ou a babá, o fato é que sempre estaremos correndo atrás de alguém que seja capaz de ressignificar a nossa felicidade.

Eu nunca precisei correr atrás de ninguém.

É claro que isso não me impediu de fazê-lo, afinal, conforme a gente cresce começa a perceber que uma pessoa para compartilhar tudo é pouco. A gente quer mais ibope, quer mais festa, mais razões para compartilhamento. Mais alegrias diversificadas. Mais ombros para chorar. A gente sempre quer mais, essa história de “contentamento” é rara e difícil demais para ser verdade.

Felizmente, a vida facilitou as coisas neste quesito para a minha pessoa, fazendo com que eu não precisasse sair alucinada em busca daquele ser iluminado que estivesse disposto a ouvir minhas peripécias. A vida, essa linda – que as vezes fica tenebrosa, como eu bem sei – foi bondosa e me deu a pessoa perfeita antes mesmo de eu saber quem eu era.

Tem gente que luta e passa muito tempo procurando por um confidente, um amigo de verdade, alguém para desabafar, pedir abraços e contar tudo que der na telha e eu não precisei. Tem gente que vai ao psicólogo tentar entender a própria vida e existência e reclamar um pouco da vida e existência do outro e por mais que eu tenha ido a psicólogos por vários momentos da vida, nunca foi por falta de ter com quem conversar. Porque isso eu sempre tive.

A gente não vira tagarela sozinha, a gente não cria essa necessidade insessante de estar perto de alguém o tempo inteiro, para fazer todas as atividades do mundo – incluindo tomar banho – sozinhas. A gente é acostumado a isso. Eu fui acostumada a isso. É claro que nessa altura do campeonato já me contentei com banhos solitários, mas me é torturante pensar em fazer qualquer outra coisa, além de escrever, sem a companhia de alguém. Porque eu preciso conversar, eu preciso andar com o braço entrelaçado no de outra pessoa. Eu preciso cantar por aí e preciso comentar sobre o que observo ou detalhar sobre o meu dia e as pessoas que passam por ele.

Felizmente eu tenho com quem fazer isso. Porque por alguma razão em um momento de 1993 eu fui parar dentro da barriga de uma pessoa, que assim que descobriu a minha existência me amou como jamais conseguiria amar outra coisa ou pessoa e me ama até hoje da mesma maneira. Porque desde que eu nasci eu tenho alguém que é muito mais do que uma mãe, que não só me ensinou a ser tudo que eu sou hoje, mas me ajudou a criar mecanismos de ataque e defesa capazes de me fazerem chegar até o presente momento. Alguém que esteve ao meu lado quando nem eu quis estar, que me abraçou e me deu forças para seguir em frente. Alguém que sempre me liga só para dizer que me ama e que faz com que as 24h do seu dia pareçam segundos. Alguém que está sempre sorridente, sempre fazendo piadas e comidas gostosas. Que está sempre te abraçando, mesmo que contra a própria vontade, e sempre perguntando como você está ou por que diabos você está querendo passar um dia longe dela. Alguém que conta as horas pra poder te ver, que deixa um espaço na própria cama toda noite, sabendo que caso eu não consiga dormir correrei para lá. Alguém que é capaz de parar a própria vida para te ajudar a impulsionar a sua. Alguém que torna todas essas coisas complicadas de relacionamentos absolutamente tranquilas. Com quem eu sei que posso conversar sobre o que quiser, quando quiser, porque mesmo que a gente brigue e fique alguns minutos sem nos falar, logo logo alguma das duas começa a chorar, pede um abraço e volta a tagarelar.

Eu sempre saí em busca de bons amigos, mas sempre tive a certeza de que mesmo se não encontrasse, não ficaria sozinha. Inevitavelmente a gente se amou, desde que nos viu. E eu sei que provavelmente um dia eu vou dizer que amo alguém tanto quanto amo você, provavelmente direi isso para um filho, mas se um dia eu tiver algum dos filhos que pretendo, tenho a absoluta certeza de que tentarei transformar nossa relação em algo tão sincero quanto o que temos. Que inevitavelmente os amarei, como você me ama. E que eles vão me amar como eu te amo. Porque na vida tudo é imprevisível, tudo é discutível e absolutamente tudo é relativo. Mas se temos uma certeza além da morte é a de que um dia alguém nos amou infindavelmente. E eu sou grata por esse dia já ter durado dezoito anos.

20130512_193332

Não consigo imaginar o que seria de mim sem você ao meu lado. Obrigada.

0 thoughts on “Inevitável.

  1. Amiga, que texto lindo. Esse parágrafo final me deixou muito emocionada! Que relação linda a de vocês. E amor de mãe é isso aí, né? Uma das poucas coisas eternas e incondicionais desse mundo…

  2. Muitomuitomuito lindo. Eu também sou assim com a minha mãe, e não quero me separar dela nunca. Ela é a minha melhor amiga e é bom mesmo saber que existe alguém no mundo que nos ama dessa forma. E eu espero, sinceramente, um dia poder ser para os meus filhos o que ela é para mim.

    (E por muito tempo eu também gostei de ter alguém comigo no banheiro enquanto tomava banho.)

    Beijos.

Comentários: