John Green é um nerd de humanas que resolveu escrever livros para jovens adultos discutindo diferentes maneiras de lidar com a existência quando ela começa a complicar, ou seja, quando a gente passa daquela fase da vida que acha que está tudo muito bem, muito bom. Seus livros nos ajudam a lidar com os momentos em que as coisas não estão bem e nos fazem perceber que apesar de o mundo ser repleto de coisas que são uma merda, é sempre possível encontrar coisas incríveis – nos outros e em nós mesmos. E é sobre essa capacidade de achar coisas boas em meio ao caos que ele escreve.

         O John é estados unidense, nasceu em Indianapolis em 1977 (tem 38 anos!) e publicou seu primeiro livro “Quem é você, Alasca?” em 2006. Ele ficou conhecido em 2009, quando começou um projeto de vídeos com o seu irmão Hank, chamado “Vlogbrothers“. Neste projeto, um dos irmãos postava um vídeo no Youtube e o outro deveria, obrigatoriamente, responder ao vídeo no dia seguinte, sendo o modo exclusivo de comunicação dos dois por algum tempo. O canal fez um baita sucesso, virou site e existe até hoje. Além dele, os irmãos inauguraram depois um canal onde falam sobre os jogos que jogam, que também existe até hoje. Pense em uma dupla de irmãos extremamente nerd: estes são John e Hank.

         A partir do projeto “Vlogbrothers“, surgiram os “nerdfighters” que atualmente são uma legião de fãs dos irmãos, composta por pessoas nerds e que lutam contra a proliferação de notícias e sentimentos ruins, tentando aumentar a quantidade de coisas incríveis e maravilhosas. Esses fãs compartilham uma série de notícias, livros, vídeos e afins e estão em uma luta constante contra a depressão e outros males que insistem em prejudicar os nerds de plantão. Há vários grupos no facebook sobre este projeto, um site oficial e também um brasileiro. A característica principal é aceitar qualquer pessoa que esteja interessada, então ninguém pode se queixar de não ser um Nerdfighter, você só precisa querer!

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         Em 2014, John Green teve seu primeiro livro adaptado para os cinemas. Tratou-se de “A Culpa é das Estrelas” e o autor participou de toda a composição da produção, indo aos sets de filmagens e acompanhando cada detalhe – e compartilhando tudo na internet. Se você espera um autor com quem possa dialogar, saber o que faz da vida e ter detalhes sobre sua existência, aí está essa pessoa. O John é praticamente nosso melhor amigo e nunca se demonstrou arredio para com os fãs, muito pelo contrário. Apesar do sucesso da adaptação de seu livro, o recorrente sucesso dos outros livros e as outras adaptações cinematográficas, ele continuou a ser um fofo para com todo mundo. Milhões de corações a ele por isso!

         Vamos aos livros:

         Quem é Você, Alasca?

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         Como já dito, é o primeiro livro do autor. Foi escrito e publicado originalmente em 2005 e foi primeiramente trazido ao Brasil pela editora Martins Fontes, em 2010. De lá para cá o livro já ganhou outras sete edições, não apenas na Martins Fontes, mas também na Intrínseca. As capas se modificam de acordo com as diferentes edições, mas o conteúdo é o mesmo.

         O livro é dividido em duas partes: o “Antes” e o “Depois” e conta a história de Miles Halter, um garoto que acabou de ir para uma nova escola (típico colégio interno norte-americano) e conheceu essa menina incrível chamada Alasca. Porém, ela é um baita enigma pra ele. Lida com a vida de uma forma bastante diferente da dele, tem manias misteriosas e nunca dá para saber o que ela está pensando. E Miles começa a sentir curiosidade e a querer ser amigo e próximo dela.

         Miles tem a mania de colecionar últimas palavras, ou seja, ele imagina as coisas que as pessoas falaram logo antes de morrer ou pesquisa sobre isso, anota tudo em um caderno e considera essas frases enigmáticas um bom impulsionador de vida. Uma destas frases é “Como sairei deste labirinto?“, que se tornou muito significativa para mim.

         O livro é legal por nos aproximar do imaginário juvenil masculino e entender um pouco como a cabeça deles funciona nessa fase da vida – o que é bastante esclarecedor para meninas nerds e introvertidas como eu. Então super indico a leitura, principalmente porque a história acaba sendo bem mais densa do que parece e você acaba se apaixonando pelos personagens e pela narrativa.

         A adaptação cinematográfica irá estrear ainda este ano, mas sem data prevista por enquanto.

         Falo mais sobre minha experiência da leitura neste vídeo:

         O Teorema Katherine

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         Publicado originalmente em 2006 e trazido ao Brasil em 2013 pela editora Intrínseca, o livro é o meu preferido do autor – o que é uma opinião bastante impopular de acordo com minhas bases estatísticas. Ele conta a história de Colin Singleton, um garoto que acabou de levar o décimo nono pé na bunda de uma namorada chamada Katherine. É isso mesmo, ele tem menos de vinte anos e já conviveu com dezenove pessoas que têm o mesmo nome e que, de alguma forma, ele considerou sua namorada. O mais incrível: ele nunca terminou com nenhuma delas, elas que sempre terminaram com ele.

         Chateado com o universo, Colin entra no seu carro com seu melhor amigo de carona e vão fazer uma roadtrip. Ele ouviu a vida inteira de sua mãe que era um menino gênio e meio que acreditou nisso, então tem como meta de vida produzir uma teoria única e revolucionária. Como sua principal experiência é em relação às Katherines, a ideia também tem que ser relacionada a elas. É assim que ele inventa que vai descobrir uma equação que determine graficamente a probabilidade das pessoas terminarem os relacionamentos ou serem alvos dos términos. Sua hipótese é de que o mundo é dividido nestes dois tipos de pessoas e ele passa horas de seus dias tentando fazer a equação funcionar.

         Enquanto isso, eles vão parar em uma cidade que está precisando de pessoas para conversarem com os idosos, a fim de recolher as memórias dos fundadores da cidade, para um livro ou algo assim. E os dois recebem uma hospedagem para que cumpram essa função, lá eles conhecem uma garota que não se chama Katherine, um monte de idosos legais e várias outras pessoas e descobrem que há muito mais na vida do que eles imaginavam. Colin amadurece pra caramba, descobre que a vida é mais do que ficar deitado o dia inteiro e que ele não precisa ser um gênio para se sentir especial. E acompanhar tudo isso é mais que maravilhoso!

         Para melhorar, o livro tem notas de rodapé matemáticas, que explicam toda a parte numerológica da narrativa. E ao final há um posfácio escrito por um matemático, explicando algumas coisas. Algumas das notas de rodapé são dos personagens (ou do autor, não me recordo direito), mas elas adicionam ao livro uma graça incomparável.

         Falo mais sobre a minha experiência literária neste vídeo:

         Cidades de Papel

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         Foi publicado originalmente em 2008 e trazido para o Brasil em 2013 pela Intrínseca. Teve sua adaptação cinematográfica lançada em 2015, com Cara Delavigne como protagonista. O livro conta a história de Quentin Jacobsen, um garoto travado que não parece ter uma vida interessante e gostaria de ser amigo de sua vizinha, Margo Roth Spielgelman. Os dois eram amigos quando eram crianças, mas depois de uma certa idade mal trocam cumprimentos básicos, porém Quentin a acha encantadora, misteriosa e interessante (basicamente os mesmos sentimentos que Miles nutre por Alasca).

         Margo, por sua vez, é bastante infeliz. Bonita e popular, ela considera que as pessoas se aproximam dela pelo que ela representa e não por quem ela é. Segundo ela, poucos são os que realmente se interessam pelo que as outras pessoas são. Por isso ela cria a metáfora de cidades e pessoas de papel, afirmando que as pessoas e as cidades como Hollywood são superficiais e rasas, como folhas de papel. Ela não gosta disso, busca profundidade, emoção, aventura e adrenalina e resolve conseguir isso por conta própria. Porém, ela percebe que Quentin é uma das poucas pessoas do universo que parece se importar com quem de fato ela é e resolve dar uma chance para ele.

         De uma hora para outra, Margo desaparece e Quentin arrasta seus amigos para uma viagem de carro sabe-se lá para onde, com o objetivo de resgatá-la – sendo que claramente ela não quer ser resgatada. Bom, já dá pra perceber que esse é meu livro menos preferido do John e que, embora eu adore a Margo e a mensagem que ela transmite, acho o Quentin muito pedante e a história uma mistura das outras coisas que eu havia lido do autor. No entanto, gostei bastante do filme. É uma das raras vezes em que a adaptação cinematográfica supera a literatura, a história é mais animada e empolgante na tela do cinema do que nas páginas do livro. Talvez o papel seja mesmo superficial, rs.

         Falo mais sobre minha experiência com a leitura neste vídeo:

         A Culpa é das Estrelas

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         Embora tenha sido o último livro publicado por John Green, em 2012 e trazido ao Brasil no mesmo ano pela Intrínseca, foi o primeiro a fazer sucesso pelas bandas de cá. Em 2014 sua adaptação cinematográfica estreou, sendo protagonizada por Shailene Woodley. Até hoje é o livro mais vendido do autor no Brasil, além de ser o mais famoso e popular.

         Ele conta a história de Hazel Grace, uma adolescente que tem câncer no pulmão desde sua infância e respira através de um balão de oxigênio que ela precisa carregar para todo lugar que vai. Vivendo uma vida repleta de privações por causa de sua doença, ela acaba sendo arrastada por seus pais para um grupo de apoio de adolescentes com câncer. Eles se reúnem semanalmente e dão depoimentos sobre seu atual estado de saúde e como andam levando a vida. Lá ela conhece Augustus Waters, recém curado de um câncer nos ossos, e se apaixona pela primeira vez na vida.

         A história é doce, intensa, engraçada e melosa na medida certa, fazendo jus a todo o sucesso que obteve. A quantidade de metáforas e referências interessantes é de grande valia. O final do livro, porém, é tão triste que não recomendo a leitura para pessoas que estejam em momentos difíceis da vida. É necessária muita paz de espírito para lidar com a leitura – exceto se você for a minha mãe, que conseguiu ler e achar simplesmente “fofinho”. Eu me debulhei em lágrimas.

         O filme não consegue captar tanto o caráter intenso do livro, sendo bastante engraçado. Não me transmitiu nem um terço da emoção sentida na leitura e, a meu ver, tornou a história uma comédia romântica qualquer, o que parece ser bem diferente da pretensão do livro. Mas, tudo bem.

         Veja mais sobre minha leitura neste vídeo:

 

         Os outros livros do autor são “Deixe a neve cair“, publicado originalmente em 2008 e que é uma composição de três contos natalinos escritos por autores diferentes e “Will e Will, Um nome, um destino“, publicado em 2010 e que é uma parceria do autor com David Levithan. Ainda não li nenhum dos dois e, sinceramente, não pretendo. Embora as histórias e o próprio John sejam incríveis, minha experiência demonstra que depois que a gente conhece muito do autor e sua obra, por mais brilhantes que os livros, personagens e narrativas sejam, começam a parecer repetitivos. Por isso, acho que só leio John Green de novo quando houver um novo romance de autoria apenas dele. Até lá, me divirto com as adaptações cinematográficas que aparentemente não vão parar de sair.

         Não deixe de ler pelo menos um dos livros dele!

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