Kafka à Beira Mar – Haruki Murakami

          Haruki Murakami nasceu em Quioto, Japão, no ano de 1949. É filho de um sacerdote budista e a filha de um importante comerciante de Osaka. Na universidade, se dedicou a estudos teatrais e se mudou para os EUA em 1986. Seu primeiro romance foi escrito em 1979 e ainda não tem tradução em português. Seu primeiro sucesso veio com Norwegian Wood, escrito em 1987, tornando o autor conhecido em seu país de origem.

          Kafka à beira mar é seu sexto romance e foi escrito em 2002 e traduzido para o português em 2008 pela editora Alfaguara. O livro tem 576 páginas e conta duas histórias paralelas.

          A primeira é a de Kafka Tamura, nome fictício dado por um garoto de quinze anos a ele mesmo. Prestes a fazer quinze anos, Kafka decidiu que iria fugir de casa, visto que morava sozinho com seu pai em uma mansão enorme. Como ele é musculoso, alto e parece mais velho, não viu problemas na decisão. Além do mais, ele tem a ajuda do menino chamado Corvo, que é o primeiro personagem enigmático a aparecer nesta história.

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Diálogo de Sakura com Kafka.

          A segunda história é a de Nakata, um senhor com mais de sessenta anos que passou por um acidente durante sua infância e perdeu a capacidade de ler, escrever e guardar na memória histórias longas e complexas. Porém, ele adquiriu a habilidade de falar com gatos. Nakata recebe uma missão no decorrer da história e precisa cumpri-la, porém, ao contrário de histórias baseadas na “Jornada de heroi” a missão de Nakata é obscura e só vai sendo descoberta, tanto pelo personagem quanto pelos leitores, enquanto acontece.

          O nicho da história de Kafka é composto por, pelo menos, mais três personagens. Sakura, uma cabeleireira que mora sozinha e ele conhece no trem e se torna confidente e o auxilia, por se identificar com a situação em que ele está vivendo. Oshima, um rapaz que trabalha na biblioteca que se torna refúgio de Kafka e a sra. Saeki, dona e gerente da tal biblioteca.

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Diálogo de Kafka com Oshima.

          Já a história de Nakata é composta por, pelo menos, mais seis personagens. Três deles são gatos. Como o personagem tem a habilidade de entender o que os gatos falam, há vários momentos da história em que este diálogo é mostrado e a gente acaba por entender o ponto de vista que os gatos têm do acontecimento, o que é muito interessante e bastante perspectivista por parte do Murakami. Os personagens “humanos” (se é que podemos chamar assim) são Johnnie Walker, um senhor que faz flautas de almas; Coronel Sanders, um ser que não é Deus nem Buda, mas está em todos os lugares e sabe de tudo – e é uma mão na roda pra resolução da história e Hoshino, um caminhoneiro que acredita em Nakata e o auxilia na resolução da missão que aparece no decorrer da história.

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Diálogo de Coronel Sanders com Hoshino.

          Apesar da parte de Kafka ser considerada a principal, Nakata e sua história toma a cena na maior parte do tempo. O personagem é encantador e sua forma de enxergar o mundo é contagiante. Além disso, os outros personagens que compõem este nicho são enigmáticos e maravilhosos e tornam a história empolgante, engraçada e igualmente reflexiva.

          Com personagens e enredo enigmáticos, o livro chama e ganha todas as atenções possíveis. Murakami dá mais um show na arte narrativa e nos mostra que é possível surpreender em histórias e na construção de personagens. O livro é quase uma viagem ao País das Maravilhas, de Alice e nos faz embarcar e embriagar com a história. Foi um dos livros mais legais da minha vida, embora seja difícil de falar sobre ele sem dar spoilers. Recomendo a absolutamente todo mundo.

          E aqui tem um vídeo onde falo um pouco mais sobre:

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